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Abubakar Salim fala sobre seu primeiro jogo de plataforma afrofuturista, Tales of Kenzera: ZAU

A
Ade Adeniji
18 de mar. de 2024
Tales of Kenzera: ZAU, de Abubakar Salim, impactou o The Game Awards 2023 no final do ano passado antes de seu lançamento em 23 de abril deste ano. Salim, o ator britânico-queniano, já é bem conhecido na comunidade de jogos por dar voz a Bayek em Assassin's Creed Origins, de 2017. Ele também estrela o sucesso de ficção científica Raised by Wolves da MAX, que conta com Ridley Scott como produtor executivo. Salim foi até indicado a um BAFTA por seu trabalho. Mas agora o ator traz seus talentos para o mundo dos jogos com ZAU, seu primeiro jogo da jovem desenvolvedora Surgent Studios que será publicado pela Electronic Arts.

ZAU conta a história de um jovem xamã que tenta recuperar o espírito de seu pai na terra africana fictícia de Kenzera. Em uma missão inicial, ZAU é guiado pelo sábio Kalunga, que ajuda nosso herói em várias fases com cenários incríveis repletos de amor e detalhes. ZAU salta por penhascos e paredes, atravessa cachoeiras e elimina inimigos com uma mistura de ataques corpo a corpo e à distância. O gênero Metroidvania de plataforma não é novo, mas a riqueza do mundo e da história de ZAU o destaca no mundo dos jogos.

Enquanto o jogo mergulha na profunda tradição da mitologia africana, a origem desse título é ainda mais pessoal e específica. Após a morte de seu pai, para lidar com o luto, Salim criou um jogo em sua homenagem. Recentemente, conversamos com Salim para saber mais sobre o desenvolvimento de ZAU, como o jogo explora tradições bantu e africanas no geral para inseri-las no gênero Metroidvania, e como ele espera que ZAU incentive uma gama mais ampla de histórias na indústria de games como um todo.

Genesis

Durante sua infância, Salim não ligava muito para televisão e teve dificuldades com a leitura por causa de sua dislexia. Seu pai, que era engenheiro, comprou um Mega Drive (conhecido como "Genesis" nos EUA) da Sega para ele e, com isso, os dois acabaram se aproximando. "Acabamos jogando vários jogos juntos. Isso logo me prendeu e eu me senti em casa", disse Salim.

O ator não entrou imediatamente no ramo de desenvolvimento de jogos, mas sempre gostou da ideia de contar histórias. Sua primeira parada o levou a atuar em teatros e, depois, vieram o cinema e a televisão. Mais tarde, ele interpretou Bayek de Siwa em Assassin's Creed Origins, que realmente solidificou a ideia de seguir o caminho dos jogos como uma carreira. Trabalhar com o lendário Ridley Scott em Raised by Wolves deixou Salim mais do que pronto para fazer a transição por completo.
Abubakar Salim fala sobre seu primeiro jogo, Tales of Kenzera: ZAU, um jogo de plataforma afrofuturista — Dragão
ZAU é uma história dentro de uma história. Enquanto os jogadores controlam o personagem ZAU, eles também acompanham a história pelos olhos de Zuberi, um jovem que vive em Kenzera num futuro próximo. Uma das escolhas mais interessantes do jogo é como a história se desenrola. Além da ação do jogo, os personagens conversam de uma forma que remete às histórias em quadrinhos. De acordo com Salim, tudo foi planejado como uma maneira de enfatizar que você está mesmo dentro da mente de uma criança que adora quadrinhos.

Enquanto jogava, eu sempre me pegava pesquisando e procurando diferentes referências africanas para aprender mais sobre elas. Vá até um Patakatifu (santuário em suaíli) para recarregar e avançar para a próxima fase. Parece que tudo no jogo tem uma história por trás, e Salim diz que uma de suas grandes esperanças é que isso faça com que os jogadores queiram mergulhar e saber mais sobre essas culturas e histórias.

Sol e lua

ZAU é capaz de usar duas máscaras, representando o Sol e a Lua, e cada uma fornece ao jogador diferentes ferramentas para a batalha. Usando o sol, nosso herói xamã consegue desferir ataques leves e pesados de fogo. Porém, com a lua, tudo se torna gélido e sombrio, até mesmo os ataques à distância. Salim diz que isso remonta às culturas bantu, nas quais o sol e a lua representam a vida e a morte. "Então fez sentido me inspirar nessas máscaras e nessa imagem. É um equilíbrio. A vida equilibra a morte. A morte equilibra a vida", explicou.

Quanto à própria familiaridade de Salim com a mitologia africana, ele diz que, enquanto crescia, ficava sempre imerso nas conversas de família e na cultura ao seu redor. Apontando para a estante de livros logo atrás de si, ele menciona Indaba, My Children ("Indaba, Meus Filhos" em tradução livre), um livro de folclore do autor sul-africano Vusamazulu Credo Mutwa que reúne histórias xamânicas sobre mitos e cultura. O ator também afirma que é grande fã de Kingdom Hearts, bem como Ori and the Blind Forest — outro jogo Metroidvania que serviu de inspiração para o de sua autoria. ZAU também foi influenciado pela série Duna.

ZAU também conta com uma trilha sonora forte que acompanha a ação enquanto você derrota inimigos e os explode com sua máscara mágica. Salim credita a compositora Nainita Desai, que trabalhou em jogos como Modern Warfare II, assim como Rob Brown, líder de design de som na Surgent. "Para mim, Nainita e até mesmo Rob, nosso líder de design de som, era importante capturar essa sensação de choque entre mundos, culturas e tempo", disse Salim, também dando destaque para a suprema obra afrofuturista: o filme Pantera Negra.
Abubakar Salim fala sobre seu primeiro jogo, Tales of Kenzera: ZAU, um jogo de plataforma afrofuturista — Deserto
Ele queria garantir que a trilha sonora fosse um encontro entre a "América moderna" e o "som tradicional africano." Ele também menciona Spider-Man: Miles Morales, um grande jogo de sucesso que traz a especificidade de Spanish Harlem, que é a terra natal de Miles. "Temos a trilha do Homem-Aranha. Que é heroica. É da Marvel. É do Homem-Aranha. Mas, ao influenciar isso tudo com Miles e o lugar de onde ele vem, a trilha sonora acaba se transformando. Às vezes, esse tipo de abordagem funciona. Às vezes, não. E eu gosto disso".

Como se fosse algo destinado, eu entrei em contato com Salim no 156º aniversário de W.E.B. Du Bois, o intelectual negro de Harvard que também foi afrofuturista desde cedo. Hoje em dia, não estamos mais só vendo essas histórias afrofuturistas em livros e filmes, mas também nos jogos. E Salim tem a esperança de que ZAU contribuirá para a ampliação dessa representação que está acontecendo em todas as mídias.

"Heróis existem em outros lugares também", afirma ele. "O importante é ouvir e comemorar tudo isso. Eu sempre disse isso, mas realmente quero que esse jogo atue como uma porta de entrada para as pessoas mergulharem mais no afrofuturismo e nas histórias bantu. Existe muito conteúdo e muito mais a ser contado. Espero que esse título inspire pessoas que se parecem comigo a dizer 'Eu também posso contar essas histórias'."

Tales of Kenzera: ZAU chegará à Epic Games Store no dia 23 de abril.