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Blair Witch testa os limites da sua sanidade

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Matt Cabral
21 de jul. de 2023

A coisa mais assustadora que você encontra em Blair Witch não é a entidade maligna do título, mas o medo crescente que ameaça consumir sua mente cada vez mais frágil. Essa sensação de presságio é cortesia do fato de você passar a maior parte da aventura desse horror psicológico em primeira pessoa da Bloober Team na escuridão das profundezas da floresta.

Um passeio noturno na floresta pode não parecer uma ideia tão aterrorizante, mas o cenário de Blair Witch não é um simples conjunto de árvores e matagal. Na pele de Ellis Lynch, um ex-policial que sofre de transtorno de estresse pós-traumático, os jogadores são chamados para a famosa floresta de Black Hills, onde o desaparecimento de um menino dá início ao pesadelo vivido pelo protagonista.

A história se passa dois anos após os eventos de The Blair Witch Project, o filme de terror "found footage" que se tornou um fenômeno em 1999. Mas, mesmo sem essa história, o ambiente inquietante tem o potencial para acelerar seu coração. Cheio de detalhes atmosféricos, como estruturas antigas retomadas pela natureza, vagões de trem abandonados e bunkers há muito esquecidos, o cenário é visualmente mais elaborado do que florestas comuns de outros jogos.

Ainda assim, esses elementos de acelerar o pulso podem ser encontrados em qualquer área florestal. Só que esta floresta nos arredores de Burkittsville, em Maryland, apresenta detalhes que vão muito além do comum. Além das referências arrepiantes da série, como talismãs esculpidos em madeira e paredes cobertas de marcas de mãos, Ellis encontra fotos de Polaroid perturbadoras e fitas de 8mm contendo imagens que você não vai querer assistir se espera ter uma noite de sono tranquila.

Mas se um vídeo granulado de um maníaco assassinando alguém com uma pá não perturba você, uma caminhada pelas partes mais atormentadas da floresta pode surtir efeito. A busca de Ellis pelo garoto — e por sua própria paz de espírito — é interrompida de tempos em tempos quando a floresta ganha vida de forma agressiva. Galhos de árvores se quebram violentamente e caem no chão, montes de folhas se movem para frente e para trás sob o poder de uma força invisível e sussurros tentadores cortam o vento açoitador, tentando fazer com que Ellis perca o pouco de sanidade que lhe resta.

Blair Witch testa os limites da sua sanidade — Bullet
Com forças malignas em seu encalço e sua própria mente traindo-o, parece que Ellis está fadado a sofrer o mesmo destino das vítimas do filme que encaram a parede. Mas uma série de mecânicas de jogabilidade inventivas oferecem ao protagonista condenado uma chance de lutar. Armado com um arsenal de ferramentas da década de 90 — de um celular volumoso a uma filmadora de 8mm — os jogadores podem combater monstros, resolver quebra-cabeças e se guiar por um ambiente cada vez mais labiríntico.

Seu recurso mais valioso é Bullet, o leal pastor alemão de Ellis. O fiel companheiro pode receber comandos simples, mas também se vira muito bem sozinho farejando pistas, identificando interações de progressão na história e emitindo um rosnado grave quando ameaças se escondem além do campo de visão de Ellis.

Mas, seja latindo para os perigos paranormais da floresta, seja literalmente desenterrando seus segredos, Bullet nunca dá a sensação de ser apenas uma mecânica de jogabilidade acoplada ou apenas mais uma ferramenta em seu inventário. Sua presença e companheirismo parecem autênticos, enquanto seu papel na história mais ampla parece orgânico. Existem muitos jogos que lhe oferecem companheiros animais para combater inimigos, mas poucos lhe dão um amigo como Bullet.

Que mal há em fazer um carinho na cabeça do cachorro, coçar as orelhas ou a barriga dele e dar um biscoitinho de vez em quando? Se você gosta de sustos psicológicos com um companheiro canino ao seu lado, vale a pena explorar a floresta assombrada de Blair Witch. Compre ou adicione o jogo à sua Lista de Desejos na Epic Games Store.