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Celebrando as mulheres nos jogos
15 de mar. de 2022

Tanya X. Short — Capitã da Kitfox Games
Tanya X. Short é a "Capitã" da Kitfox Games. Ela é a CEO, diretora e muitas vezes (mas nem sempre) a principal designer de jogos. No tempo livre, ela também é codiretora da Pixelles, uma organização feminista sem fins lucrativos. Ela foi coeditora de dois livros sobre geração procedural em design de jogos.
Kitfox tem uma gama bem diversificada de jogos. Como Capitã, como você guia a empresa para criar e apoiar títulos como Boyfriend Dungeon e Pupperazzi?
Obrigada! Parte disso é uma missão motivada por nossa vontade de sermos o mais independente (financeira e criativamente) possível, o que significa que tentamos diversificar nosso portfólio de jogos e, por mais não-indie que isso soe, estabilizar nossa receita. E fazer as duas coisas o mais rápido possível. Ao longo dos anos, tentei aprimorar minha noção de quais jogos têm um nicho de mercado viável que seja alcançável com nossos recursos, mas também não saturado demais no momento do lançamento. Essa mentalidade é útil tanto para dar aprovar o desenvolvimento dos nossos jogos, dentre as centenas de ideias que temos borbulhando, e também para decidir quais projetos aceitar para publicação, dentre os milhares de conceitos e protótipos legais por aí. Cada membro da Kitfox é uma potência completa à sua maneira, e tento capacitar todos para se destacarem com o mínimo de interferência possível, ao mesmo tempo em que promovo uma atmosfera que os incentive a correr riscos que possam resultar em fracasso. Quando meu time de estrelas está nervoso com alguma coisa, geralmente é um bom indicativo de que eu também deveria estar!Alguma dica para as mulheres que querem entrar na indústria de jogos?
É difícil dar conselhos generalizados para todos os papéis, então vou falar sobre design de jogos, já que essa é minha principal experiência pessoal. Agora é um ótimo momento para ser uma designer de jogos! Participe de game jams ou abra uma engine com um tutorial e vá experimentando, se ainda não o fez. Aprenda um pouco de programação, só para poder conversar com programadores. Não é tão difícil quanto a cultura geral tenta fazer parecer. Crie um portfólio de design de níveis ou de sistemas! Essa é uma área competitiva, sem dúvida, mas também há uma enorme demanda por designers juniores espertos e ansiosos, tanto nos AAA quanto nos indies, e há muitos veteranos bem-intencionados querendo ser bons mentores. Eles podem se tornar menos amigáveis à medida que você se torna sênior ou líder, pois alguns se sentirão inseguros e a verão como uma concorrente ou ingrata, mas eu acredito em você.Quais são as mulheres do ramo de jogos que você admira ou de quem recebeu mentoria?
Para falar a verdade, qualquer mulher que esteja na área de jogos há mais de três anos tem minha admiração. Pode ser difícil lidar com a rigidez do nosso setor à medida que você envelhece e fica mais experiente, especialmente nos estúdios maiores, onde os efeitos de falta de conhecidos e de mentoria se tornam problemas sérios. Minha principal inspiração também é uma amiga pessoal, então é um pouco estranho, mas devo dizer que sempre sou inspirada e motivada por todo o trabalho incrível que Rebekah Saltsman realiza como CEO da Finji e por ser uma mãe fantástica. Ela é incrível, e isso me põe no meu lugar, mas se eu chegar a ser uma fração do que ela é, já ficarei muito orgulhosa da minha carreira.Quais jogos você está jogando ou aguarda ansiosamente?
Estou adorando Potion Craft agora, mas também estou muito ansiosa para jogar The Wandering Village, que parece exatamente o meu tipo preferido de construtor de cidades. Eu sou uma apoiadora no Kickstarter, mas não quis jogar a demo para não estragar a minha surpresa — esse é o meu nível de empolgação. Estou muito feliz pela CEO e designer-chefe Philomena Schwab, que merece todo o sucesso que seu brilhante jogo pode trazer.Vida Starčević — Gerente da Comunidade da Remedy Entertainment
Você é a gerente da comunidade de um jogo com uma protagonista feminina. Como foi representar um jogo como esse com sucesso?
Em uma palavra: incrível. Em mais palavras: eu entrei na Remedy quando Control ainda estava em desenvolvimento, ouvi falar sobre a proposta inicial do jogo, vi a direção que ele seguiria e ouvi que era o primeiro jogo da Remedy com uma protagonista feminina, eu sabia que queria aquele trabalho. É extremamente importante para mim me ver, como mulher, bem representada nos videogames. Acho que toda a equipe de desenvolvimento da Remedy fez um trabalho fantástico com Jesse Faden e todas as outras personagens femininas de Control. Foi um prazer trabalhar com Courtney Hope, que interpretou Jesse Faden, e testemunhar seu amor e dedicação à personagem. Eu fiquei, e ainda continuo extremamente orgulhosa de trabalhar em Control. O melhor foi ver as reações dos jogadores ao jogo e à personagem principal, e é uma satisfação ver como Jesse é amada pela comunidade.Quais são as mulheres do ramo de jogos que você admira ou de quem recebeu mentoria?
Todas nós. Eu acho que as mulheres no setor, especialmente as mulheres não-cis, não-brancas, com deficiência e de origens desprivilegiadas ou que pertencem a grupos marginalizados, têm que fazer muito mais para obter o reconhecimento que merecem em relação aos outros que já entram com certos privilégios. Admiro quem não desiste diante dessas adversidades. Pessoalmente, tive a sorte de aprender muito com mulheres com quem colaborei em projetos — Antonela Pounder, da 505 Games, e Amy Graves, da Epic Games Publishing, são duas mulheres com quem trabalhei de perto e que me ensinaram muito sobre o que significa ser uma boa gerente de comunidade. Minha querida amiga Sarah Wellock, da SEGA Europe, tem sido uma grande inspiração quanto a profissionalismo, a fazer as coisas bem feitas e a ser uma ótima comunicadora. Ela tem sido um apoio constante em tempos de dúvida e incerteza. E Hollie Bennett, da Frontier, sempre foi alguém cuja ética de trabalho e criatividade eu admiro e que tem sido ótima para trocar ideias e pensamentos.Alguma dica para as mulheres que querem entrar na indústria de jogos?
É difícil dar um conselho universal, já que minha experiência como alguém do leste europeu trabalhando no norte da Europa é muito diferente da experiência de alguém que pode ser da América, do Reino Unido ou de qualquer outro lugar. Mas acho importante acreditar em si mesma e nas suas capacidades. Valorize-se e trabalhe muito para vencer o medo de defender seu ponto de vista, seus princípios e o que você acredita ser certo. Acho que também ajuda encontrar uma comunidade de pessoas que pensam da mesma forma, que podem apoiá-la e com quem você pode aprender.Quais jogos você está jogando ou aguarda ansiosamente?
Horizon Forbidden West, assim como todo o resto do mundo dos jogos. Estou muito interessada em Hellblade 2. Acho que a equipe da Ninja Theory fez um ótimo trabalho com o primeiro. Estou curiosa para ver como será a sequência. Estou muito animada para colocar as mãos em Forspoken assim que o jogo for lançado. Esse jogo parece incrível e estou muito curiosa para ver como será jogá-lo.Victoria Tran — Diretora de Comunidade da Innersloth
Adoramos o quanto a comunidade de Among Us é divertida. Como Diretora da Comunidade, como você consegue concretizar com sucesso esse sentimento de maluquice inclusiva?
Ah, obrigada! Há muitas coisas diferentes envolvidas nisso: moderadores fantásticos, passar tempo (literalmente horas) apenas respondendo comentários, garantindo que nossos esforços de marketing correspondam aos nossos valores e senso de humor, prestando atenção ao que a comunidade está dizendo, a equipe gostar de participar da maluquice... é uma lista enorme. Tudo gira em torno de criar momentos significativos para nossa comunidade e para crescermos juntos. Crescimento orientado pela comunidade tem tudo a ver com investir tempo, cultivar e cuidar de nossos jogadores por meio de recursos sociais internos do jogo e incentivando-os a serem excelentes uns com os outros, não importa onde estejam. Basicamente, eu resumi a estratégia a: levamos nossos jogos e a experiência do jogador a sério, mas não nos levamos a sério!Você também é uma coorganizadora do Game & Color. Como você se envolveu nisso? Que trabalho a organização faz?
Game & Color é uma organização popular que Saleem Dabbous, Rebecca Cohen-Palacios, Lateef Martin e eu começamos como um espaço para pessoas de cor que desenvolvem jogos no Canadá. Queríamos criar algo para que outros desenvolvedores de cor encontrassem apoio e conselhos, e realizamos vários encontros nos quais jogamos protótipos, conversamos e aprendemos uns com os outros. Como isso dependia principalmente de encontros presenciais, as coisas desaceleraram devido à COVID, mas ainda mantemos os espaços de grupos! Espero que, quando o mundo estiver mais seguro, voltemos a fazer mais.Alguma dica para as mulheres que querem entrar na indústria de jogos?
Seus valores, interesses e histórico específicos são o que a tornam adequada para o setor — não há um caminho definido e não há uma maneira "verdadeira" de entrar. Manter-me curiosa, me dedicar aos meus interesses e conhecer meus valores me ajudou muito quando comecei. Espero que, onde quer que você esteja, você tenha espaço para explorar o que a torna tão adequada para este trabalho. Estarei torcendo por você! Dito isto, não se trata apenas de dicas para as mulheres ingressarem na indústria — estou chamando a atenção da parte estrutural também: líderes de estúdio, gerenciamento etc. Espero que todos possamos criar e aplicar uma cultura e políticas melhores, que acolham, apoiem e encorajem todos os gêneros marginalizados.Quais são as mulheres do ramo de jogos que você admira ou de quem recebeu mentoria?
Tanya X. Short, capitã da Kitfox Games, é alguém a quem sou eternamente grata. Ela apostou em mim, me deu tantas oportunidades para ter sucesso e me ensinou muito sobre jogos, negócios e valores. Uma coisa é ter sucesso, outra é "compartilhar o elevador" enquanto você sobe, e eu vi Tanya fazendo isso inúmeras vezes. E se você já assistiu a QUALQUER uma de suas palestras, sabe que ela é extremamente inteligente também. O resto desta publicação pode ser só sobre ela? Não? Tem certeza?Quais jogos você está jogando ou aguarda ansiosamente?
No momento, estou muito empolgada com Thirsty Suitors, da Outerloop, e Little Witch in the Woods, da Sunny Side Up! Me dá! ME DÁ!Gwen Frey — Fundadora e Chefe de Desenvolvimento da Chump Squad
Você está em uma posição de liderança que é criativa e gerencial. Como você lidera nesses espaços com sucesso?
Eu trabalho com desenvolvedores muito talentosos, e todos eles são apaixonadamente obstinados com seu ofício específico. Ao liderar uma equipe como essa, é importante que todos tenham propriedade sobre seus conhecimentos de domínio e sobre tudo o que criam. Então, por exemplo, se um artista criar um modelo 3D e eu não achar que ele combina com o resto da arte em uma fase, eu escrevo detalhadamente minhas opiniões sobre esse modelo e o recrio com diferentes sugestões sobre como ele pode ser revisado. Eu nunca excluo o trabalho de alguém de uma fase ou reformulo um modelo por conta própria; em vez disso, eu dou meu feedback aos artistas e trabalho com eles até que tenhamos um consenso sobre como proceder. Se um modelo precisar ser excluído, o artista que o criou entenderá por que esse modelo não estava funcionando e o excluirá por conta própria. Trabalhar dessa maneira leva muito mais tempo, mas garante que todos entendam por que as decisões são tomadas e faz com que todos sintam orgulho de sua contribuição para o jogo finalizado.Quais são as mulheres do ramo de jogos que você admira ou de quem recebeu mentoria?
Sempre admirei Amy Hennig e tenho um grande respeito por sua contribuição para a franquia Uncharted. Nunca cheguei a conhecer Hennig pessoalmente, mas ouvi as várias entrevistas que ela fez ao longo dos anos, e sempre me identifiquei muito. Existia um podcast da AIAS do qual ela fez parte há alguns anos que eu ainda recomendo para garotas jovens interessadas em posições de liderança em nossa área.Alguma dica para as mulheres que querem entrar na indústria de jogos?
Antes de se candidatar a um emprego de nível básico, vá ao LinkedIn e encontre pessoas que já estão no emprego que você deseja na empresa para a qual você quer entrar. Basicamente, examine os portfólios e currículos das pessoas que a empresa contratou para o cargo que você deseja e use-os como inspiração para fazer seu portfólio e currículo. Depois disso, se candidate. Ignore por completo as "qualificações" no anúncio da vaga, que muitas vezes são copiadas de outros lugares pelo RH e não têm nada a ver com o cargo propriamente dito. Por exemplo, é óbvio que você não precisa ter três anos de experiência para um trabalho de nível básico... isso nem faz sentido! Observe o que as empresas fazem, não o que elas dizem.Quais jogos você está jogando ou aguarda ansiosamente?
Estou em licença maternidade no momento, e só consigo jogar coisas que envolvam sentar no sofá com um bebê cochilando no meu colo. Felizmente, alguns jogos realmente se prestam a isso! The Artful Escape foi especialmente fantástico! Fico muito feliz que um jogo tão único tenha sido feito!Chel Wong — Compositora de áudio para jogos

Você é uma especialista em música e som. Quais foram os principais marcos da sua carreira até agora?
Acho que até agora, Kine foi um dos projetos mais desafiadores e empolgantes em que eu já trabalhei e foi lançado, mas teremos muitas coisas legais que serão lançadas e anunciadas em 2022!
Existe algo que você aprecia ou valoriza particularmente em ser uma freelancer na indústria de jogos?
Na verdade, eu tenho uma deficiência invisível que dificulta muito trabalhar de forma regular num horário padrão. Dá MUITO trabalho, e requer muito esforço para encontrar trabalho, mas esse estilo se adequa muito bem aos meus pontos fortes e acomoda as necessidades da minha vida. Gosto de ter a liberdade de assumir projetos legais e interessantes e todas as liberdades que acompanham o fato de ser uma freelancer, apesar das dificuldades (especialmente como uma freelancer americana).
Quais são as mulheres nos jogos que você admira ou de quem recebeu mentoria?
Gwen Frey foi uma das primeiras pessoas com quem pude trabalhar. Embora não oficialmente minha mentora, trabalhar com ela foi uma das melhores experiências de aprendizagem de todos os tempos. Ela é uma verdadeira potência, sobretudo ao ver como uma veterana do setor como ela opera durante toda a produção, mas também em ambientes para fazer contatos. Ela me ajudou de tantas maneiras, ensinando como funciona o lado comercial dos negócios, levando-me a vários eventos, e muitas outras coisas. Não sei como agradecê-la o suficiente. Também quero agradecer a Alanna Linayre e Bertine Van Hövell por serem amigas incríveis que sempre dão conselhos fantásticos, fundamentados e válidos. Gostaria de poder listar todas as mulheres desta indústria que admiro, mas isso seria uma lista infinita.
Alguma dica para as mulheres que querem entrar na indústria de jogos?
Meu conselho para qualquer pessoa que esteja começando é que participe de game jams e se acostume a começar e terminar as coisas em um prazo. É um processo que deixa você a par do desenvolvimento bem rápido. Também recomendo sempre encontrar pessoas que trabalham na mesma disciplina e no mesmo estágio da sua carreira, porque às vezes pode ser muito desanimador neste ramo. Estar em uma comunidade de apoio ajuda demais com a motivação, e as pessoas podem compartilhar conselhos e colaborar. Existem várias comunidades para pessoas marginalizadas na indústria de jogos que proporcionam um ambiente seguro para que todos aprendam e cresçam juntos. Também adoro networking, por isso sempre recomendo conhecer bem as pessoas. Ajuda ser a primeira pessoa em quem alguém pensa quando sua função é mencionada.
Quais jogos você está jogando ou aguarda ansiosamente?
Sou muito devagar em jogos de um jogador, e normalmente estou vários anos atrasada. No momento estou jogando lentamente Sable, Nier Gestalt, e fazendo conteúdo pós-jogo de Pokemon Brilliant Diamond e Super Mario Odyssey. Ultimamente, no entanto, tenho jogado principalmente Warframe e Guilty Gear Strive. Quanto ao futuro, quero jogar Kirby. Quero muito jogar o novo Kirby.Rebekah Saltsman — CEO e cofundadora da Finji

Rebekah Saltsman é CEO e cofundadora da Finji. Finji é um estúdio independente de desenvolvimento de jogos e publicadora sediada em Grand Rapids, Michigan, mais de 18 colaboradores trabalhando tanto na publicação como no desenvolvimento interno. Ela é membro do GDC Advisory Board. Ela atuou como mentora do NYU Summer Incubator Program, foi voluntária como organizadora do programa de mentoria no Train Jam e palestrou em eventos do setor em todo o mundo. Ela diz que seu melhor trabalho foi criar o EZ Baking Challenge Panel na PAX.
Seu estúdio de jogos se autodenomina uma operação "mãe e pai". Como você cria uma desenvolvedora de jogos com essa estrutura em mente, e como você a faz ter sucesso?
Finji foi cofundada por mim e Adam Saltsman, e não é uma coincidência termos o mesmo sobrenome. Adam é meu marido. Desde o início, tanto em nossas equipes de desenvolvimento quanto em nossas relações de publicação, vimos nosso trabalho colaborativo como apenas uma peça de um grande quebra-cabeça. Em 2014, as equipes só tinham a gente: Adam fazia mentorias de design, tecnologia e produção; eu geria o desenvolvimento comercial, marketing e orçamentos de um jogo. De fato, era apenas uma operação de mãe e pai. A Finji tem muito mais processos e estrutura agora do que tinha em 2014. A parte da cultura da Finji que temos trabalhado com afinco para manter, pois crescemos a partir de só nós dois, é um requisito para que todo o nosso pessoal valorize a excelente comunicação com os membros da equipe de todas as disciplinas. Falamos em construir uma comunidade não apenas entre nossos fãs, mas uns com os outros à medida que desenvolvemos jogos. Nós damos o máximo para não limitar nossos esforços criativos apenas à nossa equipe interna de desenvolvimento. Juntos, fazemos coisas melhores e nos esforçamos para garantir que haja um espaço para que todos possam apresentar ideias, trabalhar com outras disciplinas e contribuir para o trabalho legal que fazemos em nossos projetos internos e com parceiros. Adam e eu sabemos que nem sempre estamos certos, e sabemos que se não criarmos um espaço para que outras ideias tomem forma na Finji, não vamos crescer como designers, mentores e pessoas.
Alguma dica para as mulheres que querem entrar na indústria de jogos?
Entrei na indústria por um caminho paralelo. Não frequentei nenhuma escola para jogos. Nunca considerei uma carreira em jogos. Comecei a trabalhar com jogos sem querer e acabei me apaixonando pela área. A indústria de jogos pode ser um lugar cruel: você se envolverá com pessoas ruins que insultarão e menosprezarão você, muitas vezes você se sentirá sozinha em seu estúdio como uma das poucas (ou única) mulheres que trabalham lá. Você terá dificuldades para encontrar um estúdio que cumpra a promessa de um equilíbrio decente entre trabalho e vida. Tudo isso é bem chato. Não tem como esconder isso, e é por isso que perdemos tantas mulheres talentosas e brilhantes, colaboradoras e amigas marginalizadas, para outros setores, possivelmente mais seguros, todos os dias. Meu único conselho é encontrar um mentor. Encontre alguém que te veja e reconheça seu valor e que esteja lá para te apoiar enquanto você encontra seu lugar na indústria. Nos últimos anos, conheci mais de uma centena de outras mães trabalhadoras no setor. Muitas de nós estamos completamente sozinhas em nossos estúdios, como a única mãe no prédio inteiro. É bem difícil construir uma comunidade quando seu grupo tem só uma pessoa. Esses amigos são mentores de uma forma que talvez nem sequer entendam. Encontre essas pessoas para ter perspectiva, para serem seus guardiões quando você mesma não for capaz de agir como tal. Estamos aqui, e queremos cuidar de você também, porque sua voz é importante.
Existe algum livro ou artigo que você tenha achado útil em sua carreira e que possa recomendar?
Eu leio muito. Neste momento, estou lendo Fear is the Mind Killer: How to Build a Training Culture that Fosters Strength and Resilience, da Kaja Sadowski (uma treinadora de artes marciais). O tema principal se concentra em como podemos construir ambientes de treinamento para ajudar todos a crescer: tanto aqueles que estão prontos como aqueles que vêm de um lugar de vulnerabilidade pessoal ou sistêmica. É escrito a partir da perspectiva do crescimento mental para incentivar o crescimento das artes marciais. Mas os princípios parecem ser os mesmos quando você considera a igualdade e a segurança dentro de um processo de estúdio. Existem algumas outras coisas que ficaram comigo ao longo dos anos. Há mais de 10 anos, participei de uma oficina de edição de livros focada no autor, no Book People, em Austin, Texas. Muitas das minhas opiniões básicas sobre marcas pessoais e de estúdio saíram dessa oficina. Consigo identificar a maneira como projetei a abordagem da Finji em relação à nossa presença em convenções, a maneira como examinamos entrevistas e falamos sobre aceitação, a maneira como crio planos de marketing e relações públicas — quase tudo voltado para o exterior em que trabalhei começou depois desta oficina. A oficina não tinha nada a ver com jogos. Eu pego ideias de quase tudo que leio, inclusive ficção. É possível aprender muito sobre a cultura do consumidor e fãs através do estudo da cultura de celebridades. Você consegue entender as principais mudanças de foco de marketing das grandes empresas se observar o que elas dizem e como elas o dizem. Tudo isso molda a forma como posiciono a Finji tanto na indústria quanto na minha comunidade.
Quais são as mulheres nos jogos que você admira ou de quem recebeu mentoria?
Ao contrário de muitas pessoas do setor, eu tive a sorte de viajar ao longo dos anos e pude conhecer algumas mulheres realmente espetaculares na indústria. Eu admiro diversas mulheres (vocês mesmas, Siobhan Reddy, Brenda Romero e Amy Hennig) com quem eu não tive a oportunidade de interagir tanto quanto eu gostaria. Apesar disso, pude conhecer várias mulheres nos últimos anos que atuaram como mentoras oficialmente e não oficialmente, e aprecio o apoio constante delas. Hannah Nicklin é a diretora do estúdio e designer de narrativas para Die Gute Fabrik, e tem sido tanto minha aprendiz quanto minha mentora de design de narrativas desde 2019. Leyla Johnson, da Mohawk Games, é alguém a quem eu posso enviar mensagens a qualquer hora. Karen Mitchell, Jane Ng, Mira Metchley e Kate Ludlow são mulheres que eu admiro, e sei que posso contar com elas caso preciso de alguma ajudinha.
Quais jogos você está jogando ou aguarda ansiosamente?
Estou superempolgada com um lançamento que sairá esse ano que foi todo encabeçado por mulheres! O jogo se chama I Was a Teenage Exocolonist. Tenho adiado jogar Exocolonist pela primeira vez de propósito pois quero vivenciar essa experiência o mais perto do lançamento possível. E tem mais, vou jogar qualquer projeto da Hannah Nicklin porque ela é brilhante. No universo AAA, estou muito empolgada com o novo projeto da Amy Hennig. De jogos anunciados recentemente, há dois com mulheres ou elenco diversificado que estou empolgada para jogar: tanto Thirsty Suitors quanto Goodbye Volcano High estão no topo da minha lista de jogos imperdíveis deste ano. Mal posso esperar para ver o trabalho feito pelas desenvolvedoras talentosas na Possibility Space. Quero muito ver a próxima etapa do projeto da The Glory Society. Toda vez que Heather Penn solta uma nova arte no Twitter, eu fico entusiasmada com o jogo que ela está construindo. Quero ver jogos que são criados por equipes dinâmicas que trabalham em conjunto para fazer algo diferente.Christine Lai — Delivery Lead de cosméticos para Teamfight Tactics na Riot Games
Como você lida com as situações na sua área com sucesso?
Criar um ambiente de trabalho seguro e colaborativo é muito importante, e eu tenho muita sorte de ter uma equipe que promove isto tão bem. Este ambiente abre as portas para que muitas outras conversas que despertam ideias legais excedam as expectativas dos jogadores. Também ajuda a união entre equipes e cria uma boa base de confiança. Além disso, oferece um espaço seguro para entrega de feedback e cria um local em que pessoas criativas não têm medo de errar, principalmente em um espaço no qual acolhemos tanto o feedback e a inovação!
Como você encontra inspiração no seu cargo?
Eu tento encontrar inspiração em tudo na vida: amigos, hobbies, programas de TV... tudo isso. Com o programa de confeitaria The Great British Bake Off, aprendi a dar feedbacks equilibrados. Com a Fórmula 1, aprendi sobre estilos de gestão de equipe e os resultados do estilo de liderança. Ao conversar com amigos, posso discutir algumas ideias e aprender com eles. A parte difícil é reconhecer as oportunidades que podem virar inspiração. Tem muita coisa acontecendo por aí, mas encontrar a oportunidade certa e ligar os pontos vai fazer a mágica acontecer para continuarmos melhorando.
Alguma dica para as mulheres que querem entrar na indústria de jogos?
Não tenha medo de perguntar! A arte de fazer perguntas vai além de apenas receber respostas. Você não só vai adquirir conhecimento, mas também pode ganhar confiança de outras pessoas e criar relações. O que pode parecer uma pergunta básica (por exemplo, o que esse serviço faz?) pode às vezes abrir várias oportunidades para outras conversas além de receber a resposta que você precisa e entender melhor o trabalho de colegas, principalmente quando interagimos com outras funções e disciplinas. Além disso, não tem problema pedir um tempo para processar suas ideias e então fazer uma pergunta se você for responder a alguma coisa!
Existe algum livro ou artigo que você tenha achado útil em sua carreira e que possa recomendar?
Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso, da Carol S. Dweck, é um livro fantástico em todos os aspectos. Meu mentor recomendou para mim e eu li quando comecei um cargo em Produção de Jogos. Me ajudou a refletir sobre minha jornada até aquele momento e também a aprender como me tornar uma líder que capacita as pessoas, comemora o sucesso delas e está lá para apoiá-las quando precisam.
Quais são as mulheres no mundo dos jogos que você admira ou de quem recebeu mentoria?
Todas as mulheres com as quais trabalhei nesta jornada. Queria poder falar o nome de cada uma! É inspirador ouvir sobre a caminhada delas. Cada uma é tão diferente. Sou muito grata por terem compartilhado as histórias delas comigo e por terem me deixado fazer perguntas, que me ajudaram a aprender com a experiência delas. Aprender com as pessoas à sua volta lhe oferece perspectivas diversas, que acredito serem importantes no geral, já que existem tantos caminhos para seguir.
Quais jogos você está jogando ou aguarda ansiosamente?
Animal Crossing: New Horizons! Não, não é uma versão nova, mas aquela de 2 anos atrás. Eu não tinha um Switch quando o jogo saiu, mas agora eu tenho e estou empolgada em terraformar meu próprio espaço e adicionar várias decorações fofas!Hana Dinh — Líder de produto de Behavioral Systems do League of Legends
Como você lida com as situações na sua área com sucesso?
Na área do comportamento do jogador, existem três habilidades essenciais às quais recorro para garantir a criação com sucesso dos melhores resultados para os nossos jogadores:Empatia: comportamento do jogador pode ser uma área com uma carga incrível de tensões e emoções. Temos sorte por essa grande paixão pelo nosso jogo, mas, como resultado, ela invariavelmente desperta sentimentos fortes que vão da frustração ao ceticismo e tudo o que está entre esses dois extremos. É minha responsabilidade entender todas essas perspectivas para compreender as pessoas e garantir que estou defendendo nossos jogadores e satisfazendo as necessidades deles.
Pesquisa: embora essa área seja relativamente nova, diversas estratégias diferentes já foram testadas com vários graus de sucesso. É importante conhecer os sucessos e obstáculos do passado, para ter certeza de que estamos aprendendo com eles para tomar as melhores decisões.
Além do que já foi testado nos jogos, os fatores que contribuem com o comportamento do jogador são complexos e têm várias facetas. Entender melhor todos esses componentes, desde a desinibição on-line à desindividuação, e aprender com outras disciplinas mais desenvolvidas, como a psicologia, é vital para abordar essa área de forma holística. Inovação: de modo geral, o sucesso nessa área tem sido um tanto limitado. Muitos dos sucessos obtidos são neutralizados pelos crescentes desafios que surgem conforme os comportamentos normativos mudam na internet. Como resultado, é muito importante tentar novas abordagens pensando fora da caixa, conectando os pontos entre várias disciplinas e tendo diferentes perspectivas como referência.
Como você encontra inspiração no seu cargo?
Eu encontro inspiração na conexão do meu trabalho com nossos jogadores. Todo dia que vou para o trabalho, sou motivada pelos milhões de jogadores que são tão apaixonados pelo nosso jogo e pela alegria que pode proporcionar a eles. Mas eu me baseio na noção de que para muitas pessoas, os desafios acerca do comportamento dos jogadores tiram a alegria da experiência. Fazer o que for possível para impedir que isso aconteça continua sendo a minha motivação.No final das contas, minha esperança é entender como podemos usar o imenso poder da tecnologia para construir comunidades saudáveis em que interagimos naturalmente uns com os outros para criar conexões, não barreiras. Embora eu saiba que essa pode ser considerada uma meta grandiosa, reconhecer que a cada dia eu chego um pouco mais perto, faz disso uma empreitada incrivelmente significativa.
Alguma dica para as mulheres que querem entrar na indústria de jogos?
Mostre o que te faz única! A indústria de jogos está precisando muito de perspectivas diversas e únicas. Garantir que você representa a sua perspectiva da forma mais autêntica possível será essencial para o futuro sucesso do setor.Existe algum livro ou artigo que você tenha achado útil em sua carreira e que possa recomendar?
Durante as diferentes etapas da minha vida, cada um destes livros foi crucial para o meu crescimento:Faça Acontecer - Mulheres, Trabalho e A Vontade de Liderar, da Sheryl Sandberg
Metade do Céu - Transformando a Opressão Em Oportunidades Para As Mulheres do Mundo Todo, do Nicholas Kristof e da Sheryl WuDunn
Braving the Wilderness: The Quest for True Belonging and the Courage to Stand Alone, da Brené Brown
The Four Pivots: Reimagining Justice, Reimagining Ourselves, do Shawn Ginwright
Quais jogos você está jogando ou aguarda ansiosamente?
Kena: Bridge of SpiritsAlgumas entrevistas foram editadas por questões de clareza e concisão.