
Em Clawpunk, você quebra barreiras e causa o caos com heróis felinos

Considerando que o nome do estúdio é Kittens in Timespace (Gatinhos no Espaço-tempo), talvez não seja uma grande surpresa que os heróis de Clawpunk assumam a forma felina. Segundo o diretor criativo Jamie Arron, é mais profundo do que isso.
"Os gatos são um reflexo da psique humana em forma animal", disse ele. "Nós os veneramos, os amamos, os odiamos. Eles parecem dominar a sociedade. O jogo meio que funciona como uma homenagem a tudo que personifica um gato."
Esse é apenas um lado da equação, pois este jogo de ação 2D também conta com a energia anárquica dos filmes de ação exagerados dos anos 80, que capturaram a imaginação dele quando criança, desde a apresentação de um mundo cyberpunk impetuoso em pixel-art, até uma trilha sonora que combina sintetizadores analógicos, metal e música industrial. De certa forma, usar gatos como personagens cria um contraste divertido. "Sebastian Vasselbring, o artista que projetou os cenários de todas as fases, é muito fã de gatos," Arron acrescenta. "Então decidimos mudar para animais em vez de humanos, porque ele queria manter a classificação etária um pouco baixa, apesar de ser um jogo com grande foco em violência!"
Há também um elenco considerável de heróis felinos que você pode desbloquear para a sua equipe. Conseguir mais heróis é essencial, já que os elementos roguelite de Clawpunk significam que um herói que morre desaparece pelo resto da campanha. Apesar de você começar com apenas um herói felino, você logo vai desbloqueando mais personagens até ter nove gatos, ou seja: ter nove vidas.

No entanto, essa decisão de design representou um desafio na hora de criar um elenco realmente diversificado de heróis felinos. "Nós decidimos que os primeiros três ou quatro seriam bem parecidos em termos de comportamento, mas o restante do grupo ia ser bem mais extremo", disse Arron.
Com base em uma demo recente com um terço do elenco disponível, certamente há diversidade no design de cada gato e na forma de jogar com eles. Dash é rápido com a espada, mas não causa muito dano, enquanto Buck é lento, mas usa uma marreta que causa um dano em área tão forte quanto o sotaque escocês dele. Já Haxx, por outro lado, é totalmente diferente, usando uma cadeira de rodas que avança com tudo contra inimigos, mas que também pode voar pelo ar. Arron dá mais um gostinho do elenco final, incluindo Candy, que usa um chicote de longo alcance, Jinx, que dispara esferas psíquicas enquanto se locomove em um hoverboard, e Larry, que fica constantemente quicando por aí em um pula-pula.
"Alguns desses personagens são ame ou odeie", disse ele. "E tudo bem, porque meio que a graça é essa. Quando você jogar com esses outros personagens, vai fazer sentido."
Essa variedade apresentou outro dilema: você começa o jogo com seu gato favorito só para acabar tendo que se virar na sua última vida com o que menos gosta? Ou você deixa o melhor para o final? Também é preciso levar em conta os ambientes de cada uma das cinco zonas do jogo e como eles complementam os estilos de jogo de cada gato.
"Temos o bosque, o esgoto, a zona de construção e o ferro-velho disponíveis desde o começo, e a dificuldade do jogo aumenta com cada zona", explicou Arron. "Então, se você decidir começar pelo ferro-velho, ele vai ser o equivalente ao nível um. Se você deixar ele por último, jogará a versão mais difícil dele, com mais inimigos, mais armadilhas e também algumas surpresas que só aparecem em dificuldades mais elevadas."

Mas, se você quiser jogar só com seu gato favorito, é possível no modo Ironcat, em que você joga com um único herói felino com nove vidas, mas no nível máximo de dificuldade. Para deixar o feito mais possível de ser realizado, haverão mais oportunidades de recuperar vida durante a campanha, mas, em última análise, você vai querer tirar proveito do sistema de cartas do jogo para criar mais vantagens para si. Desbloqueadas com Chaos Coins (uma moeda no jogo que também desbloqueia mais heróis felinos) ou encontradas em baús de tesouro e outros meios, as cartas basicamente concedem modificadores. Como você pode equipar até três cartas, elas também acumulam efeitos, oferecendo possibilidades intrigantes.
"Uma carta permite que você use bombas de dispersão, dividindo uma granada em outras cinco. Se você combiná-la com uma carta que atira duas granadas de uma vez e com outra que te deixa imune às suas próprias granadas, isso vira um combo mortífero", Arron deu como exemplo. "Foi muito importante abordar a criação da cartas pensando em como elas poderiam ser acumuladas e combinadas para criar mecânicas de jogo imprevisíveis e realmente divertidas."
Há duas influências centrais na jogabilidade de Clawpunk. Do Minecraft, ele pega emprestado a liberdade de transformar o terreno, já que o seu objetivo é detonar ambientes inteiramente destrutíveis para chegar à saída na parte inferior e avançar para o próximo nível. Outra inspiração importante foi o reboot de 2016 de DOOM pela id Software.
"Eu cresci jogando o DOOM original, mas, quando o DOOM de 2016 foi lançado, eles vieram com essa ideia de jogabilidade de 'forçar o avanço', e houve uma palestra de um dos principais designers na GDC há muitos anos em que ele falou sobre esse conceito de querer que o jogador se sinta poderoso ao partir para a ação sem medo das consequências, conseguindo recompensas cada vez maiores", disse Arron. "Posteriormente, eu comecei a bolar uma ideia inicial que meio que usava esse conceito, mas num cenário bem menor e mais simples."
O impulso para avançar de Clawpunk talvez seja um pouco mais literal do que o de DOOM ou outros jogos de ação, que tendem a trancar você em um ambiente até que você aniquile todos os inimigos que surgem. Ao cavar, esmagar e explodir o terreno, você tem a possibilidade de descer pelas brechas, pular muitas ameaças e ir direto para a saída. É uma estratégia tão viável quanto matar todos os inimigos pela frente. Você também receberá uma avaliação com base nos inimigos que matou, no dano que recebeu (ou evitou receber), em combos e no caos causado.
Nos testes do jogo, Arron observou que destruir tudo no caminho e passar correndo pela fase são estilos de jogo aceitáveis, mas também há incentivos para realizar uma abordagem mais equilibrada. Completar uma fase com uma classificação geral S concede como recompensa mais cartas com modificadores, e também pode ser bom tomar cuidado com o medidor de notoriedade.
"A gangue está sendo rastreada pelo mundo por TVs e câmeras, então, ao destruí-las, o vilão perde a capacidade de rastrear você, enchendo o seu medidor de caos e baixando a sua notoriedade," explicou Arron. "Se a sua notoriedade aumentar porque você está indo direto para o fim da fase vezes demais, os hellhounds (cães infernais) vão aparecer. Quando você chegar a um índice cinco estrelas de notoriedade, vai querer começar a pensar em maneiras de reduzi-lo."

É claro que, por outro lado, você também pode preferir atrair propositalmente os hellhounds, que agem quase como minichefes e têm grandes chances de conceder uma arma rara e poderosa quando derrotados. Portanto, não há maneira certa ou errada de abordar o jogo.
"Durante os testes, cheguei a pensar: "Você está usando este gato errado", mas, para quem está jogando, está certo, e acho que essa é a melhor maneira de encarar isso", diz Arron. "Eles escolhem seus favoritos e conseguem sobrepujar certos aspectos do jogo usando seu próprio estilo de jogabilidade e o personagem que faz mais sentido para eles. Essa imprevisibilidade tem sido fascinante de acompanhar, parece que os jogadores estão se apropriando do jogo."
Clawpunk será lançado na Epic Games Store no dia 14 de novembro.