
O Cloudheim é uma mistura de jogo de luta com simulador de loja, com um toque especial de Steve Jobs

No Cloudheim, parece que alguém foi a um restaurante self-service e colocou um pouco de cada gênero no prato; e não é que a combinação deu certo?
Depois de passar um tempo jogando, o Cloudheim (respirando fundo) é uma combinação de combate baseado em combos com construção e simulação de loja, podendo ser jogado nos modos de um jogador e cooperativo. Você vende as recompensas coletadas nas suas expedições em terceira pessoa a uma quantidade crescente de clientes da sua loja em constante expansão. De fato, é mais uma adição à lista breve, mas muito legal, de jogos que combinam combate e capitalismo, como Recettear e Moonlighter.
Com tantos elementos diferentes, eu fiquei me perguntando como os desenvolvedores da Noodle Cat Games — encabeçada por David Hunt, diretor executivo (e ex-designer de sistemas da Epic Games) — descreveriam o Cloudheim.
"Certamente tem sido um desafio!", disse Hunt. "Às vezes, gostamos de dizer: 'Este é o jogo que queremos jogar com os nossos amigos'. Ele não tenta seguir um gênero ou tipo de jogo específico; a intenção era que fosse o jogo que queríamos que existisse, uma novidade".
Além disso, segundo Hunt, é "extremamente difícil responder sem mencionar inúmeros outros jogos, gêneros e mecânicas. Buscamos inspiração em RPGs de ação, jogos de simulação para a loja, jogos de luta, mecânicas de construção e sobrevivência... e a lista continua".
Hunt acrescenta: "Acho que a maior surpresa para os jogadores será o quanto o jogo foi inspirado em jogos de luta — o que geralmente não é o grande foco dos jogos de construção. O combate em tempo real contém vários elementos de jogos clássicos, como o Super Street Fighter II. É caótico e expressivo, e não se encaixa certinho em nenhuma categoria, algo que adoramos".
Em relação a essa combinação esotérica de ideias, e se eu dissesse que esse jogo de loja com ação e construção inspirado no Super Street Fighter II é baseado na mitologia nórdica? Seria ridículo, né? E não é o caso, é claro; ele é baseado na "mitologia nórdica de uma realidade alternativa".

"A mitologia nórdica está repleta de façanhas épicas, personagens complexos e ambientes interessantes", explicou Hunt. "O Cloudheim pegou todo esse conteúdo lendário e criou um mundo que remete à mitologia nórdica, mas que de forma alguma se limita às histórias 'reais'".
O Cloudheim, que se passa no pós-Ragnarök, foca-se em uma sociedade que está se reinventando depois de um cataclismo. "Essa inspiração está por trás da arquitetura, do design de personagens, dos cenários, das missões e da trilha sonora que os jogadores acessarão. Ela nos prepara para contar uma história na qual os jogadores realizam atos lendários e se sentem heróis dos contos nórdicos antigos".
Tudo indica que a loja do Cloudheim será muito mais abrangente que a do Moonlighter. A versão que eu joguei era preliminar e ainda não contava com esse elemento, mas ficou claro que será possível montar uma rede ampla de quiosques de feira em um terreno grande, junto com diversas máquinas de construção e refinamento para criar armas e equipamentos — alguns para uso próprio, mas vários outros para vender.

"É na loja que os jogadores podem se expressar de verdade; a intenção é que possam decidir como montar suas ilhas", disse Hunt. "O propósito da loja é reconectar o mundo e todas as culturas e povos que ficaram espalhados após o Ragnarök, e os tipos de cliente que você atrai mudam de acordo com a sua reputação em ilhas diferentes. Os compradores de Arcadia tendem a querer itens diferentes dos clientes de Dustlanger, e sua aparência também é diferente".
E você não precisa se preocupar com isso acabar virando uma segunda profissão; a Noodle Cat garante que você não terá que passar muito tempo montando a loja.
"Elaboramos tudo intencionalmente com foco na flexibilidade entre os modos de um jogador e multijogador", explicou Hunt. "É o método de iniciar e deixar rolar—você pode jogar coisas nas estações e ir fazer outra coisa, se quiser. Ele foi projetado para ser fácil de usar, baseado na ideia de que, se você construir algo com um item, sempre obterá um resultado muito incrível". Para quem quiser ir mais fundo, o método de minimizar e maximizar continua sendo uma opção. A Noodle Cat só queria se livrar da parte mais maçante.
Por mais que o Cloudheim seja altamente diferente em vários aspectos, o gênero de combate em terceira pessoa é um espaço bastante movimentado atualmente. Eu queria saber o que, na opinião da Noodle Cat, diferenciava esse jogo de todos os outros.

Em primeiro lugar, o Cloudheim funciona com danos orientados pela física. "A maioria dos danos depende de como você golpeia as coisas, não só do fato de golpeá-las", os desenvolvedores explicaram. "Por exemplo, jogar um inimigo grande em cima de um inimigo pequeno machuca muito o pequeno, mas não machuca tanto o grande. Você causará muito mais dano de acordo com as interações físicas do jogo, em contraste com simplesmente arremessar ou chutar um inimigo". Ou seja, quando você derruba um inimigo e ele cai em cima de uma multidão que está atrás dele, você causa dano a todos os afetados.
Também temos a influência dos jogos de luta que já mencionamos. O Cloudheim incluirá os chamados "sistemas de cancelamento", nos quais você pode interromper o tempo de recuperação da animação do seu ataque atual para passar para outro ataque, criando combos mais potentes. O Cloudheim também foge da recarga de habilidades tradicional. Em vez dela, ele usa o "Mana Burn" (queima de mana), que permite usar as habilidades durante a recarga, mas acrescenta um medidor de queima. Quando essa barra atinge o limite, você fica em apuros, mas não precisa se preocupar com vários medidores ao mesmo tempo durante o combate.
"Por exemplo, você pode passar do combo com a arma 1 para o combo com a arma 2, e então voltar ao combo com espada e continuar combinando golpes", esclareceu Hunt. "Os jogadores nunca ficam impedidos de usar uma ação devido a um cronômetro ou combo longo, o que permite reações muito mais rápidas durante o combate".
Outro aspecto que diferencia muito o Cloudheim para mim é sua aparência colorida. Ele é vívido e alegre, uma escolha muito ousada nesse contexto. "O nosso diretor de arte [Adam Ford, que também colaborou para a arte do Fortnite] sempre gostou muito de cores ousadas e expressivas, principalmente tons de rosa e verde-azulado", explicou Hunt. "Ele sempre defendeu céus azuis e gramados verdes, desde quando trabalhava na Apple. Ele conversou com Steve Jobs muito tempo atrás na Apple, e Jobs disse que, se você quiser ter um grande apelo, opte por céus azuis".

De Pixar a Miyazaki, Hunt conta que a direção de arte buscou inspiração no mundo todo, além de conversar com a ação e a narrativa do jogo. "Como disse Samwise: 'Queremos um mundo pelo qual valha a pena lutar'".
Antes de um jogo ser lançado para o público geral, é sempre interessante descobrir quais aspectos mais empolgam seus criadores. Pedi a alguns membros da equipe que explicassem os elementos que consideravam mais especiais no Cloudheim e que estavam ansiosos para as pessoas descobrirem.
"O principal é a grande variedade de formas de jogar. O Cloudheim é um jogo de experimentação e descoberta de diferentes modos de jogo. Existem inúmeras formas de abordar a mesma situação, variando bastante de jogador para jogador", afirmou Hunt.
"Já vimos jogadores que nunca usam armas, apenas combos baseados na física, para mover inimigos e gerar um caos. Outros constroem equipamentos altamente refinados. Alguns mudam totalmente de estilo de jogo em questão de minutos", continuou Hunt. "É um jogo que continua evoluindo, à medida que você desbloqueia armas, acessórios e habilidades. Assim, os jogadores nunca sentem que já contam com os melhores equipamentos e não podem mudá-los para usar novos itens".
Adam Ford, diretor de arte, acrescenta: "Espero que os jogadores possam ver toda a paixão que colocamos neste jogo. O Cloudheim é charmoso, perigoso, divertido e engraçado. Sempre fui muito fã de mundos mais imersivos que permitem que as pessoas criem suas próprias histórias. Espero que as pessoas se divirtam e curtam os personagens—tentamos inserir a maior quantidade possível de personalidade e humor em todos os cantos do jogo".
Porém, foi o designer Kim Steiner que contribuiu com a informação mais importante: "Quero que os jogadores entendam o quão especiais as vacas de gelatina (Jelly Cows) são!"
Agora é com você! O Cloudheim está disponível para ser adicionado à sua lista de desejos na Epic Games Store, com uma versão beta programada para 18 a 21 de julho de 2025.