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A desenvolvedora Alpha Channel fala sobre a mistura de carnificina, aproveitamento de peças e sobrevivência do Tankhead

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Shaan Joshi
22 de jan. de 2025
À primeira vista, o mundo dos jogos em geral pode parecer estar infestado de roguelikes, uma observação que tem seu mérito. Do catálogo crescente de jogos AAA do tipo "Soulslikes" aos títulos independentes mais experimentais, os últimos anos testemunharam uma grande explosão de popularidade do gênero, quase a ponto de transformar alguns de seus maiores críticos em seus maiores apoiadores — inclusive eu. Essa transformação deve-se a jogos como o TankHead.
 

O surto de roguelikes também tem outro bom motivo: o gênero permite que equipes menores e estúdios recém-fundados criem os jogos de seus sonhos sem comprometer a variedade e a rejogabilidade.  

Essa é a história da Alpha Channel, uma equipe de desenvolvedores veteranos sediada em Toronto e fundada por Branislav "Bane" Grujic e Daniel Ebanks, que passaram décadas no mundo dos jogos AAA, trabalhando em algumas das maiores franquias do mundo, de Far Cry e Splinter Cell a Grand Theft Auto e Red Dead Redemption. Depois de tanto sucesso profissional e diversas colaborações entre Grujic e Ebanks como líder de programação e diretor de arte, a dupla decidiu montar sua própria desenvolvedora, a Alpha Channel, com "algumas metas claras" em mente.
A desenvolvedora Alpha Channel fala sobre a mistura de carnificina, aproveitamento de peças e sobrevivência do Tankhead - chefão
"[O estúdio foi fundado] para fazer jogos que gostaríamos de jogar e criar experiências inéditas e difíceis de categorizar", explicou Grujic. "Juntos, nós dois temos mais de 40 anos de experiência no setor de jogos AAA. Embora essa experiência tenha sido valiosa, ela também nos inspirou a seguir um caminho diferente — explorando ideias que um estúdio de jogos AAA talvez não se atrevesse a considerar".

"Inédito e difícil de categorizar" é uma descrição adequada para o projeto de estreia da Alpha Channel, o TankHead, que mescla o combate com veículos do seu simulador de tanques favoritos com o ciclo de derrota de inimigos de eficácia comprovada, aproveitando as peças e upgrades obtidos de seus restos mortais, e utilizando-os para derrotar inimigos ainda mais poderosos. Com uma ambientação de ficção científica pós-apocalíptica e uma progressão baseada em missões, é praticamente impossível resumir o TankHead em uma apresentação rápida de 30 segundos. Para provar isso, desafiei a equipe da Alpha Channel, e a resposta de Grujic falou tudo: "O TankHead é um roguelite inédito baseado em veículos que oferece uma mistura coesa de ação veicular intensa, exploração e criação de mundo com base na narrativa".
 

Embora a ideia de combate com tanques possa evocar imagens de colossos metálicos que andam lentamente, controles difíceis de operar e um jogo interminável de pega-pega, com você tentando obter uma vantagem sobre o seu oponente com uma linha de visão perfeita, o TankHead com certeza tem um ritmo mais acelerado. Em vez de pilotar um tanque lento e pesado, você fica no comando de um tanque leve que se movimenta a uma velocidade razoável, sendo perfeito para lidar com alguns inimigos ao mesmo tempo. Mais precisamente, você nem sequer pilota um tanque. Na verdade, você pilota remotamente um drone chamado de "Needle" (agulha), com a vantagem adicional de permitir que você fique livre para procurar peças e upgrades à sua volta.

Esse sistema de upgrades modulares é impressionante na prática, e, como Ebanks explicou, a equipe foi muito cuidadosa ao achar um equilíbrio entre autenticidade e variedade.

"Uma funcionalidade verossímil está no cerne do nosso processo de design, incluindo o design do jogo", contou Ebanks. "As armas e equipamentos precisam ter uma aparência, emitir sons e exibir comportamentos mecanicamente viáveis. Evitamos intencionalmente designs que fossem 'sci-fi' ou irreais demais. Criar um componente de uma arma ou tanque geralmente começa com referências do mundo real, que então são filtradas através da lente do TankHead. Isso pode envolver eliminar certos elementos ou exagerar características que chamem a nossa atenção. Muitas vezes, combinamos vários elementos de fontes diferentes do mundo real — como misturar motores de aviões da Segunda Guerra Mundial com um guindaste de pórtico — para criar algo novo. No fim das contas, a estética resultante tende ao realismo autêntico, mas com uma pitada de fantasia".
A desenvolvedora Alpha Channel fala sobre a mistura de carnificina, aproveitamento de peças e sobrevivência do Tankhead - fogo
A possibilidade de trocar componentes dos tanques em tempo real pode ser estranhamente gratificante (é sempre legal usar uma armadura pesada ou empunhar uma arma antitanque), mas ela também contribui muito para o combate do jogo. A qualquer momento, você pode estar rolando pelas planícies da ECA ("Event Containment Area" ou área de contenção de eventos, onde as missões começam), quando de repente sofre uma emboscada de um enxame de drones e tanques. Se o piloto for tomado de surpresa, um ataque desse tipo pode ser desastroso. Com patrulhas inimigas surgindo sem aviso prévio e recursos limitados à sua disposição, as missões podem fracassar muito rapidamente, caso você fique sem munição ou peças para consertar o seu veículo. Há um equilíbrio delicado a ser buscado entre atingir os objetivos opcionais, procurar materiais para upgrades e concluir a missão principal.

A paixão da equipe por combate com veículos armados transparece na abertura do TankHead, mas o que mantém a coesão de toda a experiência — os elementos de roguelike — só entrou em cena em uma etapa tardia do ciclo de desenvolvimento do jogo. Aliás, depois de vasculhar o meu baú de e-mails antigos, desenterrei um comunicado de imprensa de 2021 que descreve o TankHead como um "jogo estilo Metroidvania".
A desenvolvedora Alpha Channel fala sobre a mistura de carnificina, aproveitamento de peças e sobrevivência do Tankhead - tanque
"O caminho de desenvolvimento nem sempre é linear, podendo ser necessário experimentar elementos diferentes para acertar na visão e no equilíbrio", explicou Ebanks. "Estabelecemos a mecânica principal do jogo logo no início — o drone, o tanque modular e a natureza física das interações, que julgamos funcionarem muito bem. No entanto, demorou um tempo até entendermos como tudo isso podia ser traduzido em uma jogabilidade satisfatória. Combinar todos os elementos no fim foi um grande esforço em equipe. A estrutura de roguelite, que surgiu mais para o fim da produção, ajudou a concretizar a experiência geral e colocar o foco principal no combate".

Com fundações robustas, o TankHead tem muito potencial, mas, enquanto a Alpha Channel continua refinando a experiência central e adicionando recursos (para o viciados em gráficos, o jogo foi atualizado recentemente para ser compatível com a geração de quadros DLSS), a equipe continua mantendo sigilo em relação ao que está preparando para o futuro. Uma espécie de modo multijogador parece a próxima etapa óbvia. Quando perguntamos isso a Ebanks, ele reconheceu o potencial da ideia, mas não deixou vazar nada.

"Acreditamos que o nosso circuito de jogabilidade possa funcionar muito bem no modo cooperativo, mas teremos que esperar para ver como as coisas evoluem".

O TankHead já está disponível exclusivamente na Epic Games Store.