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Highwater é uma comédia de humor ácido que se passa em um mundo pós-apocalíptico inundado

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Rachel Watts
8 de abr. de 2024

Fizemos tudo de novo, pessoal. A humanidade estragou tanto a Terra que o planeta que já foi próspero agora é inabitável — e em vez de tentar corrigir nossos erros, estamos partindo para Marte, indiferentes e sem vontade de enfrentar o enorme dano que causamos. Humanos sendo humanos!

É uma história pós-apocalíptica já que ouvimos tantas vezes que até soa como uma farsa, mas esse é o exato sentimento que o Demagog Studio usou como ponto de partida para o jogo de ação e aventura Highwater. Baseado em um humor ácido, Highwater encontra o absurdo, o sarcasmo e o peculiar em meio à sobrevivência ao fim do mundo. E o resultado disso vem na forma de um cenário distópico reconhecível, mas com uma atitude totalmente nova.

"É uma comédia apocalíptica otimista", diz Igor Simic, CEO e diretor criativo do Demagog Studio. "Nossas influências cômicas incluem, claro, Yes, Prime Minister, Monty Python, além de qualquer coisa feita por Armando Iannucci. O importante é serem obras otimistas. Highwater é um título sobre manter amizades e ficar junto com seus amigos em meio a provações e problemas. Também se trata de como é engraçado que as pessoas preferem planejar uma fuga para Marte em vez de corrigir o que está acontecendo na Terra".
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Em Highwater, a evacuação de emergência para Marte assume a forma de um superfoguete reservado apenas para a elite terráquea. Se você for apenas uma pessoa comum, azar o seu. Sendo assim, todos que foram deixados para trás devem continuar tentando sobreviver em um mundo devastado por uma catástrofe ecológica.

Se você acha que isso não parece muito justo, bom, saiba que o destemido personagem principal de Highwater, Nikos, concorda com você. Ele quer garantir um lugar para si no foguete, então decide atravessar a perigosa zona inundada, infiltrar-se na cidade de Alphaville — que é cercada e habitada pela nata da elite — e entrar nele.

Nikos não está sozinho nessa empreitada, fazendo novos amigos ao longo do caminho. Highwater é essencialmente uma aventura ao estilo de uma viagem aquática, ou uma festa improvisada de pessoas que carregam suas próprias esperanças e aspirações. Mas todos têm o mesmo objetivo final: conseguir uma passagem só de ida para sair de um planeta condenado que está lentamente afundando. Você vai conhecer melhor essa rotatividade de personagens enquanto viaja com eles.
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Simic compara a narrativa de Highwater e o senso de camaradagem e amizade presentes nele ao anime One Piece. "De certa forma, Nikos — que também usa bermuda e chinelo — é como uma versão mais simples do Luffy," afirma ele. A gangue de Highwater até tem um barco, embora ele não seja tão impressionante quanto o confiável navio dos piratas do Chapéu de Palha. É só um pequeno bote amarelo, no qual todos mal conseguem se espremer para caber dentro dele, mas serve como lar. E é nessa confiável embarcação que você navegará pelas águas do mundo submerso de Highwater. A exploração é uma combinação entre mundo aberto e caminhos guiados, permitindo que você siga seus instintos sem perder nenhum espetáculo cênico. Conforme você viaja por diferentes ruínas, seu minimapa mostrará ícones de missões secundárias opcionais em branco e missões principais em amarelo.

A história da queda da Terra pode ser descoberta observando a narrativa ambiental, conversando com outros sobreviventes e também falando com um passageiro inesperado (de certa forma) em seu barco. "O rádio do barco também é uma espécie de personagem", comenta Simic. "Ele reproduz várias entrevistas em áudio com sobreviventes e, além disso, o apresentador relata notícias sobre o que está acontecendo na inundação".

"Isso remete ao rádio de Grand Theft Auto — mas, ao contrário de Grand Theft Auto, não são músicas licenciadas, mas sim músicas próprias nossas", continua Simic. "Nós produzimos todas as nossas trilhas sonoras internamente. Por mais que tenhamos colaboradores externos também, elas vêm de dentro de qualquer forma. As histórias são de pessoas que agora vivem em Marte, mas estão com saudades da Terra e ligam para a estação, um pouco como Meg Ryan em Sintonia de Amor".
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Isso parecerá familiar para quem já jogou o outro título da Demagog, Golf Club Nostalgia, um jogo de quebra-cabeça de golfe também ambientado em uma distopia pós-apocalíptica com sua própria estação de rádio. Simic sugere que a conexão entre os dois jogos não para por aí. "Para observadores atentos e quem já estiver familiarizado com Golf Club Nostalgia, o apresentador desse programa de rádio de Highwater entra no foguete e, depois, muda seu nome para 'Radio Nostalgia', fazendo de Highwater uma sequência de Golf Club Nostalgia".

Esse rádio do jogo também aparece no terceiro jogo da Demagog, The Cub, um jogo de plataforma de parkour lançado no início deste ano que conta a história de um menino mutante em Marte. Esse trio de aventuras distópicas compartilha da mesma correnteza de emoções melancólicas — no entanto, enquanto Golf Club Nostalgia e The Cub se concentram na solidão nostálgica, o foco de Highwater nos temas comunidade e comédia o torna uma exceção.

Surpreendentemente, o combate em Highwater faz uma grande contribuição para sua veia humorística. Ao longo da aventura, Nikos e seus amigos precisarão deixar a segurança das águas para ir para a terra firme, seja para encontrar suprimentos, ajudar um sobrevivente necessitado ou enfrentar grupos perigosos como os soldados de Alphaville. Esses encontros são inspirados nas batalhas de Into The Breach, onde o espaço limitado proporciona um estilo compacto de jogo estilo quebra-cabeça.
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Na maior parte das vezes, você estará em desvantagem numérica e com menos armas. Sendo assim, o segredo para sobreviver a essas lutas sem levar um arranhão é pensar de forma estratégica sobre como usar o ambiente ao seu redor — e, felizmente, você terá aqui o poder da comédia pastelão ao seu lado. "Você pode pegar uma vara de pescar e usá-la para fisgar inimigos e fazê-los caírem no mar", diz Simic. "Também é possível usar lanternas de câmeras para atordoar adversários, e mais tarde você também poderá hackear robôs inimigos e usá-los a seu favor".

Esses confrontos têm um estilo meio Davi e Golias, ou talvez uma comparação com Tom and Jerry seja mais exata. A comédia surge do caos destrutivo que segue suas ações, uma espécie de travessura disruptiva que deixaria Buster Keaton e Charlie Chaplin orgulhosos. Um inimigo pode até estar equipado com várias armas e armaduras, mas é só empurrar uma viga de madeira e uma grande pilha de entulho para cima dele, e todo esse entulho terá a chance de esmagá-lo. Se você estiver sem artimanhas ambientais, sempre terá a opção de simplesmente acertar um inimigo na cabeça com uma chave inglesa, o que é igualmente satisfatório.

As lutas são compactas, mas acontecem em cenários impressionantes. Você brigará em supermercados abandonados, postos de gasolina abandonados, fábricas enferrujadas e bosques pantanosos invadidos pela flora alienígena. Um mundo inundado corre o risco de ser nada mais que vastos corpos de água entediantes, mas Highwater sempre encontra maneiras de manter a jornada visualmente interessante. Neste título, você está em um ambiente pós-apocalíptico muito colorido e escolheu seguir uma história cênica para explorar.
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Sob uma perspectiva casual, muitas das construções que você explora a pé e passa de barco são paisagens familiares pós-apocalípticas — relíquias de outra época abandonadas e fadadas ao apodrecimento. Porém, na verdade, essas construções são uma colagem de inspirações específicas cuidadosamente arquitetadas.

"A arquitetura modernista da Europa Central tem sido uma influência importante, especialmente a da antiga Iugoslávia", explica Simic. "Isso porque o Modernismo acreditava no progresso, na tecnologia e assim por diante — mas toda essa arquitetura parece, de alguma forma, estar em ruínas, e parte dela passa a ideia de uma arquitetura mais brutal e fria. Além disso, temos referências a algo que agora é coloquialmente chamado de 'ideologia do Vale do Silício', que é basicamente a mesma crença, mas com mais biotecnologia, inteligência artificial e exploração espacial".

Essas inspirações arquitetônicas são mais do que mera estética para Simic. Elas carregam significado histórico e transmitem crenças sociológicas e ideológicas. Em relação a construções específicas da vida real, Simic menciona a sede da Apple em Palo Alto (projetada por Norman Foster) como um modelo para Alphaville, "uma cidade circular que tem um muro gigante".

Ele também destaca a arquitetura brutalista da Torre Genex (conhecida oficialmente como Portão Ocidental) em Belgrado, na Sérvia. A Torre Genex é um ponto cultural muito impressionante: um arranha-céu de 36 andares formado por duas torres que se conectam por uma ponte nos andares mais altos e coroado com uma estrutura circular que, originalmente, deveria ser um restaurante giratório. É uma estrutura impressionante — um "portão" de concreto gigante que domina as áreas residenciais circundantes. Também é um monumento que a Demagog colocou em todos os seus três jogos, incluindo Highwater, pois tem um significado pessoal para Simic.
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"Ela tem um visual legal, mas também fez parte da minha infância. Eu cresci no bairro daquele prédio", diz Simic. "Quando as pessoas estão construindo um mundo de ficção científica, elas geralmente se inspiram em Tóquio, Bangcoc ou Hong Kong, entre outras cidades. Minha ideia foi: bom, Jean-Luc Godard filmou em algum subúrbio de Paris para o filme Alphaville e decidiu: 'Ok, isso é ficção científica'. É a mesma coisa quando Stanley Kubrick filmou Laranja Mecânica em um bairro de Londres".

"Sou da opinião de que qualquer coisa pode ficar bem autêntica se eu usar um bairro onde cresci — e do qual conheço cada canto — e simplesmente afirmar: 'Este é um ambiente de ficção científica'", continua ele. "Acho que é por isso que Highwater parece original: porque não é só outra versão de Tóquio, como 90% dos ambientes de ficção científica. Basicamente, nós afundamos partes de Nova Belgrado, e esse é o ambiente".

A autenticidade e o visual único de Highwater convidam você a se afastar da história e explorar seu mundo aberto. Cenários impressionantes e cenas tranquilas se escondem em cantos inesperados, esperando para surpreender. E você também se deparará com surpresas. Simic diz que os jogadores interessados em exploração encontrarão algumas maravilhas — incluindo duas estátuas gigantes de alguns dos construtores de foguetes bilionários da atualidade (construídos na esperança de fugir da Terra), então prepare-se para esses sustos.
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"O lançamento para PC de Highwater também chega junto de duas histórias DLC. A primeira segue a gangue enquanto atravessam o Arca de Alphaville, uma versão cômica da Arca de Noé que levará você por uma rede de salas ocupadas por peixes, animais e plantas que foram preparados para partir com o foguete e seus passageiros. A segunda história é uma espécie de minissequência que acontece após a decolagem do foguete, onde os jogadores podem ver o que aconteceu com os humanos deixados para trás na Terra.

Parece que esse segundo DLC vai mexer com o coração, já que aborda um dos sentimentos mais melancólicos da história principal de Highwater: o coração sentimental no centro desta comédia distópica. Há esperança na aventura de Nikos, mas também há perda e tristeza. Como muitas histórias pós-apocalípticas, Highwater reconhece que sobreviver não é apenas sobre encontrar abrigo, comida e proteção, mas também sobre estabelecer conexões com outras pessoas por meio de adversidades compartilhadas. Mas e quanto a perder essa comunidade na esperança de alcançar uma vida melhor?

"É uma grande aventura. É um grupo de amigos partindo e embarcando em uma jornada", explica Simic, "mas também é uma história meio triste, porque você deixa outras pessoas de sua comunidade para trás. É algo que traz uma sensação agridoce".

Highwater já está disponível na Epic Games Store.