
Como 007 First Light deu vida às suas personagens

007 First Light, o próximo jogo dos criadores de Hitman, IO Interactive, é uma abordagem nova e original à icónica série de espionagem. Uma vez que começa do zero com um James Bond mais jovem e fresco, é natural que necessite de um vilão igualmente apelativo. Eis o rei pirata Bawma, líder de um grande centro de armas ilegais conhecido como Aleph, uma cidade fictícia na Mauritânia. Interpretado pela lenda musical Lenny Kravitz, Bawma prepara-se para ser um adversário formidável para o charmoso agente do MI6.
Nos The Game Awards 2025, a Epic reuniu-se novamente com o Diretor Cinematográfico e Narrativo de 007 First Light, Martin Emborg, para falar sobre a escolha de Kravitz para o papel de Bawma e a estrela de Dexter: Original Sin, Patrick Gibson, como Bond, por que razão se adequam perfeitamente a estes papéis e como a equipa equilibrou as personagens existentes da história de 007 com novas personalidades.
Personagens grandiosas
De certa forma, Bawma é o oposto da personificação de Bond em 007 First Light. Esta versão de Bond ainda não ganhou o seu estatuto de 00 e ainda tem um longo caminho a percorrer antes de se tornar o espião charmosos e astuto que conhecemos dos filmes. E, como vimos em trailers anteriores, Bond só recebe a sua famosa “licença para matar” quando é colocado numa situação de risco de vida.
Em comparação, Bawma é um traficante de armas implacável, com uma vasta experiência e contactos. No trailer de revelação, chega mesmo a atirar alguém para um poço cheio de crocodilos, olha para baixo e diz: “Calma, meninas, há carne que chegue para todos”.
No entanto, há mais semelhanças entre as personagens do que se possa pensar. “Em Aleph, Bawma é todo-poderoso. É literalmente o seu reino, e não acontece nada em Aleph sem que ele saiba”, afirma Emborg. “Como rei, é implacável, mas governa com amor. Como Bond, é um personagem muito carismático e astuto.”
Foram estas as qualidades que acabaram por levar à seleção de Kravitz e Gibson.

“Sabíamos que a personagem de Bawma tinha de ser grandiosa. Ele é realmente muito carismático e governa esta cidade, o seu reino de Aleph, com carisma. É duro como ferro, mas também é um tipo muito encantador”, afirma Emborg. “Quando Lenny Kravitz se juntou ao grupo, foi um grande fator na formação de quem ele é. Como é que ele age? Como se comporta? Por isso, concebemos a personagem juntamente com o Lenny, o que foi muito divertido.”
Emborg diz que Gibson, por sua vez, tem uma presença imponente e uma aura de seriedade, mas o seu sentido de humor continua a brilhar em alto e bom som. “Tem todas as caraterísticas de Bond, como a compostura, a inteligência e o charme naturais. Tem uma energia jovem, como se não conseguisse ficar quieto”, explica Emborg. “Analisámos vários atores excelentes, mas ele tinha as caraterísticas ideais.”
Embora varie consoante a adaptação, Bond tem normalmente 30 e poucos anos, por vezes até mesmo 40. No entanto, em 007 First Light, Bond tem apenas 26 anos. Esta versão mais jovem de Bond é inexperiente, mas expedita e isto permite aos jogadores acompanharem o crescimento de Bond à medida que ele se torna o agente estabelecido que o público conhece.
“Por isso, apesar de o cerne da personagem ser o Bond que conhecemos e adoramos, [Gibson] torna-o diferente de todos os outros”, afirma Emborg. “Em termos de escrita, a nossa versão fala definitivamente mais do que as versões mais antigas da personagem. Passas muito mais tempo com ele num jogo como este, por isso talvez o possas conhecer melhor.”

007 First Light adopta as personagens de apoio existentes no universo 007, como Q (interpretado por Alastair Mackenzie) e Moneypenny (interpretada por Kiera Lester), e dá-lhes o seu próprio toque. Mas a IO Interactive também criou novas personagens originais para tornar 007 First Light numa história verdadeiramente única. Uma dessas personagens é Selena Tan, interpretada pela estrela de The Eternals, Gemma Chan. Ela ajuda a treinar novos recrutas no ramo Q do MI6, incluindo o próprio Bond.
“O que tentamos construir à volta de Bond é um elenco de personagens que se complementam. No caso de Selena Tan, precisávamos de uma personagem encantadora e ‘nerd’ para ajudar nos aspetos de alta tecnologia do treino dos jovens recrutas”, afirma Emborg. “Gemma é uma grande atriz e trabalhar com ela é um privilégio. Ela traz uma peculiaridade maravilhosa à personagem, e um charme ‘nerd’ particular que eleva a escrita.”
Um jogo de equilíbrio
Uma das maiores diferenças entre 007 First Light e Hitman é a sua abordagem ao humor. Hitman possui um tom muito caricato, com momentos de diversão que surgem frequentemente das interações dos jogadores com o ambiente que os rodeia. Na pele de Agente 47, podes afogar pessoas em retretes, empurrá-las de uma janela ou deixar cair algo pesado em cima delas. Em 007 First Light, no entanto, o humor vem do próprio Bond ou de conversas com aliados, como num tradicional filme de ação “blockbuster” de Hollywood. Diz as suas piadas num mundo relativamente realista.
“O Agente 47 é silencioso e não fala muito. Esgueira-se e ouve as conversas das pessoas. E aqui temos o Bond, que fala muito mais. Ele é muito presente, e o mundo é um pouco mais sério”, afirma Emborg.
As filosofias de jogo de Hitman e 007 First Light também são bastante diferentes. O primeiro é um “sandbox” de infiltração, enquanto o segundo é um jogo de ação e aventura. A distinção fundamental é a dinâmica. O Agente 47 tem todo o tempo do mundo para assassinar os seus alvos, desde que não seja apanhado, mas Bond está constantemente em missões de alto risco, como uma sequência na qual tem de lutar dentro de um avião em movimento. Tiroteios emocionantes, perseguições de carros e muito mais são inspirados nos trabalhos anteriores da IO Interactive, como Freedom Fighters e Kane & Lynch: Dead Men.

“Para James Bond, há sempre um relógio a contar. O Agente 47 é um homem muito paciente, enquanto Bond está sempre em movimento”, diz. “Permitir que o jogador seja criativo e decida como quer abordar os obstáculos continua a ser fundamental, mas penso que essa mudança no modo de operar foi sem dúvida um ajuste.”
Sendo uma história completamente nova e original de James Bond, 007 First Light não está vinculado ao cânone da mesma forma que outras séries. A maioria dos filmes de Bond antes de Daniel Craig interpretar o icónico agente eram histórias separadas sem ligação entre si. Partilhavam personagens semelhantes e temas recorrentes, mas com cada novo ator de James Bond, a série geralmente começava de novo. É uma expetativa a que os fãs se habituaram e que funciona a favor de 007 First Light, permitindo que a IO Interactive crie a experiência e o mundo que imagina.
“Ele é uma pessoa de quem já vimos tantas permutações. Penso que há muita liberdade e que o público está preparado para que 007 First Light seja a sua própria história”, afirma Emborg. “Não creio que alguém esteja necessariamente à procura de uma ligação a qualquer outra coisa. Isto permite-nos fornecer um produto melhor sem estar associado a nada.”
Uma vez que 007 First Light é protagonizado pela mais jovem iteração da personagem até à data, é natural que o jogo retrate as origens humildes de Bond e a forma como ganhou os seus números. O próprio título sintetiza esta ideia. “É um jovem que entra neste mundo de sombras. Penso que 007 First Light é um título interessante que traz algo ao mundo da espionagem”, diz Emborg. “[Bond] é uma personagem muito icónica. Há algumas perspetivas em relação ao título sobre as quais gostaria de falar contigo depois de jogares o jogo, mas é a origem desta personagem que todos conhecemos e adoramos.”

Ao longo dos anos, os filmes e jogos de Bond tiveram lugar em locais de todo o mundo, incluindo a Turquia, a Jamaica, o Japão e muitos, muitos mais. Em 007 First Light, a IO confirmou que Bond viajará para a Eslováquia, Inglaterra e, claro, Mauritânia. Quanto ao resto? A equipa quer manter os outros locais em segredo, esperando surpreender os fãs com locais inesperados quando 007 First Light for lançado.
“James Bond sempre fez viagens pelo mundo, levando o público a locais exóticos e intrigantes como que numas férias luxuosas e emocionantes. Mas é claro que também desempenham um papel central nas tramas e esquemas dos vilões de Bond”, afirma Emborg. “Decidir os locais é uma mistura de querer variar e satisfazer as necessidades da história e, ao mesmo tempo, ver se conseguimos encontrar algo novo para surpreender e encantar o jogador.”
A IO Interactive a trabalhar num jogo Bond é uma daquelas ideias que fazem todo o sentido. Dada a história do estúdio com a série Hitman, a equipa está preparada para canalizar a sua experiência para criar um jogo de Bond verdadeiramente original e de grande sucesso, que não esteja preso a nenhum cânone estabelecido, nem tenha o estigma habitual dos jogos licenciados que, historicamente, muitas vezes resultam da urgência em associar-se a uma série ou filme correspondente.
“O jogo é um excelente espetáculo, e qualquer um deve esperar uma verdadeira aventura de Bond”, afirma Emborg. “Estamos a dar ao jogador toda a agência para ser Bond e para ser tão criativo e irreverente na sua abordagem ao mundo como ele.”
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