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Como Sker Ritual reinventa o jogo de tiro com ondas de zumbis

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Steven T. Wright
24 de set. de 2024

Já joguei diversas rodadas de Sker Ritual e serei o primeiro a admitir que esse rito demoníaco não está indo nada bem. Tenho que me virar em uma vila abandonada, como em Bloodborne, acompanhando um cordeiro até uma igreja para que eu possa realizar um sacrifício de sangue. 

Os Quiet Ones (Silenciosos), parecidos com zumbis, me perseguem com machados, bastões ou só com os punhos mesmo. Surge um inimigo de elite com um capacete de mergulho que lança lasers pela boca, então eu o conduzo pelos casebres em ruínas, matando inimigos solitários com meu revólver de zarabatana. 

Um deles deixa cair um bônus de munição infinita. Mudo de tática e faço todos correrem com minha espingarda de bombeamento recarregada, causando estrago suficiente na horda para escapar para a igreja. Lá dentro, aprimoro minhas armas, recarrego e me preparo para lutar contra a próxima onda, na esperança de gerar "essência" suficiente com as mortes para obter o próximo artifício narrativo necessário para abrir a porta do cofre no andar de baixo. Cada rodada oferece um novo mecanismo nessa máquina de Rube Goldberg distorcida de assassinato e caos.

Sker Ritual não esconde suas óbvias influências, e é ainda melhor por isso. Desenvolvido pela Wales Interactive, este é um jogo de tiro cooperativo com zumbis em um estilo que você já deve ter encontrado antes, seja nos corredores sombrios de Left 4 Dead, no caos de Killing Floor ou, especialmente, nos vários modos de zumbis de Call of Duty que nos fazem falar "vou só mais uma". Mas Sker Ritual vai além de ser mais um jogo de um gênero conhecido. Sua estética exclusiva e o design de fases envolvente se destacam, e o jogo está cada vez melhor.

No papel, Sker Ritual é uma novidade para a Wales Interactive, o que torna sua qualidade ainda mais impressionante. O estúdio é mais conhecido por seus jogos de mistério atmosféricos e narrativos, geralmente com elementos de full-motion video do mundo real, como The Shapeshifting Detective. Na verdade, Sker Ritual é a improvável continuação do tenso suspense de terror Maid of Sker, só que, desta vez, você pode enfrentar o culto macabro conhecido como Quiet Ones com um bacamarte eletrificado. O Dr. David Banner, cofundador e codiretor do estúdio, reconhece que a entrada no gênero FPS cooperativo exigiu muito trabalho por parte dos desenvolvedores, mas que foi um processo bem mais natural do que pode parecer em um primeiro momento.
Captura de tela de Sker Ritual - 01
"Depois que lançamos Maid of Sker, concluímos que gostaríamos de revisitar e expandir o mundo e os personagens que criamos", disse Banner. "Mas a nossa intenção não era fazer uma sequência direta, e a ambição era tentar um gênero de jogo diferente. Inicialmente, queríamos muito criar um jogo de tiro de terror para um jogador, então o primeiro experimento foi criar um modo de desafio FPS para Maid of Sker como um DLC gratuito para ver se a ideia vingaria. A comunidade gostou, e então decidimos dar um passo adiante e criamos um jogo, que se tornou o Sker Ritual".

Embora a continuação de Sker, ainda sem título, tenha começado como uma experiência para um jogador, a ambição da equipe cresceu bem rapidinho. Os desenvolvedores sabiam que a criação de um jogo de tiro multijogador cooperativo traria diversos tipos de novos desafios, mas estavam decididos a levá-lo adiante mesmo assim. 

"Suponho que... os fãs de nossos títulos já esperavam que fizéssemos outro jogo de terror furtivo, mas, como equipe, sempre gostamos de nos desafiar de forma criativa e técnica", contou Banner. "A gente queria muito fazer um jogo de terror cooperativo FPS online, mesmo sabendo que nossa curva de aprendizado seria gigantesca. Basicamente, é a nossa versão dos jogos de tiro cooperativo de zumbis da velha guarda que a gente adorava jogar no passado".

Richard Pring, cofundador e codiretor colega de Banner, considera os modos de zumbis de Call of Duty a principal inspiração por trás de Sker Ritual, mas também ressalta que o espaço dos jogos de tiro de sobrevivência baseados em ondas não é tão concorrido quanto se imagina. "Acreditávamos que poderíamos trazer mais ao gênero", mencionando também que a equipe sempre procurou inovar e buscou em roguelikes populares, como Hades, e em Metroidvanias, novas mecânicas para adicionar ao modelo tradicional de destruir zumbis.

O sistema de milagres de Sker Ritual é talvez a mais impactante dessas adições. A cada poucas rodadas, cada jogador recebe um ponto de Milagre que pode ser usado para aproveitar os poderes de uma divindade celta de sua escolha. Com esses aprimoramentos, dá para criar uma composição no estilo RPG que se desenvolve à medida que se avança pelas entranhas labirínticas de uma fase: é possível disparar raios da arma para atordoar inimigos, criar um escudo de gelo para se proteger de ataques ou gerar um tornado de fogo para imolar toda a horda de uma só vez. Se você for muito inteligente, poderá combinar com os companheiros de equipe para obter habilidades que tenham uma boa sinergia entre si. Juntamente com as atualizações de armas, os bônus e os inimigos de elite supercriativos que podem aparecer a qualquer momento, tudo isso significa que cada rodada é diferente.

É claro que não seria um jogo de tiro de sobrevivência se você não tivesse armas de alta potência para disparar contra as multidões cambaleantes, e essa é outra área em que Sker Ritual se destaca. A gama usual de AK-47s, rifles de caça e espingardas de cano duplo aparecem aqui, mas eu me vi voltando várias vezes para a minha fiel besta, que era capaz de abater a maioria dos inimigos com um único tiro na cabeça. Como era de se esperar, as armas especiais são excepcionais. A minha favorita é a Howler, o bacamarte já mencionado que dispara munições eletrificadas que ricocheteiam pela sala, devastando tudo pelo caminho. 
Captura de tela de Sker Ritual - 07
Qualquer pessoa que tenha passado algum tempo na comunidade de Call of Duty Zombies sabe que os fãs se importam tanto com a história e as surpresas quanto com a ação em si, e é nesse ponto que Sker Ritual tira o máximo proveito das habilidades narrativas do estúdio. Os Quiet Ones podem se arrastar como zumbis, mas esses cultistas mascarados são muito mais perturbadores do que qualquer morto-vivo. Muitos dos chefes deste jogo não são meros monstros gigantescos com rostos horripilantes. Eles têm vários designs interessantes, incluindo um senhor elegante que usa gravata e ataca você com uma variedade bizarra de ataques de energia e ratos espectrais. Além da criatividade absoluta dos inimigos e do design das fases, Pring enfatizou que a equipe incluiu várias histórias ocultas para que os jogadores pudessem descobrir, para aqueles que se interessam pela história do mundo.

Sker Ritual conseguiu conquistar seu público desde os estágios iniciais, e Pring disse que eles conseguiram melhorar muito o jogo graças à experiência. A equipe recebeu observações de design e equilíbrio da comunidade crescente. Por exemplo, Pring observou que a IA de um inimigo que se teletransporta foi significativamente alterada depois que os jogadores reclamaram que ele se teletransportava com muita frequência, o que deixava a luta frustrante. As lutas contra chefes também se tornaram mais complexas com o passar do tempo. 

"Acho que um de nossos melhores chefes é o novo chefe Canwyll Corph de House of the Damned, o DLC gratuito", disse Pring. "Ele combina perigos do ambiente com um cronômetro que não para e adiciona um conjunto de movimentos que evolui para manter os jogadores atentos... Não é uma mera esponja de balas gigante da qual você foge".

De modo geral, Pring e Banner descreveram a experiência de criar Sker Ritual como uma espécie de momento de "se beliscar para saber se é real" para o estúdio, sobretudo se considerarmos que só cinco pessoas trabalharam no jogo. De fato, Sker Ritual é um testemunho da capacidade dos desenvolvedores indies experientes de mudar e testar coisas novas, sem deixar de competir com os grandes estúdios na oferta de uma experiência focada que amplia um pouco mais os limites de um gênero amado.

"Para todas as pessoas que compraram nosso jogo e nos apoiaram, eu gostaria de dizer 'Diolch yn Fawr Iawn', que em galês significa um grande obrigado", disse Banner. "Porém, não são apenas os downloads que importam. Como um desenvolvedor independente dedicado, é sempre muito gratificante quando o público se conecta com algo que você criou com carinho em uma sala escura durante três anos".

Sker Ritual está disponível na Epic Games Store. A próxima grande atualização de conteúdo, Tides of Terror, será lançada em outubro.