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Como a TiMi faz o Honor of Kings, o MOBA para dispositivos móveis mais jogado do mundo

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Dave Tach
30 de set. de 2025
O género de arena de batalhas multijogador online ("multiplayer online battle arena", MOBA) é extremamente bem-sucedido, extremamente popular, e extremamente lucrativo. E é também extremamente difícil para os novatos. 

Os programadores do TiMi Studio Group querem mudar isso. Eles são os criadores do Honor of Kings, um MOBA para dispositivos móveis que tem tanto sucesso quanto é lucrativo. O Honor of Kings tem 100 milhões de jogadores ativos diariamente. É, segundo várias estimativas, o jogo para dispositivos móveis mais lucrativo da história. 

"Somos um grupo de programadores de jogos dedicados a partilhar alegria com os jogadores, e o Honor of Kings funciona como a ponte que traz a alegria para a vida," disse Dean Huang, o produtor do jogo. "Desde o início, a nossa missão tem sido reduzir os obstáculos à entrada nos jogos MOBA, permitindo que mais jogadores possam desfrutar da diversão e da emoção do género." 

O objetivo do Honor of Kings é seguir pela via do meio: reconhecer que os MOBAs para dispositivos móveis devem ser diferentes dos jogos do mesmo género para PC; construir um lugar em que as partidas não sejam demoradas demais para o que é expectável deste hardware; e ser acessível tanto para veteranos como para novatos. 

A Epic Games Store entrevistou Huang sobre o jogo, a sua transposição para dispositivos móveis, a criação de heróis, e como manter os jogadores interessados em todo o mundo — e, talvez mais importante para a TiMi, sobre como encontrar essa via do meio. 
 

A ascensão dos MOBAs


O Honor of Kings foi lançado em 2015, mas de certa forma a sua história começou em 2003 — como todos os outros MOBAs — com o lançamento de Defense of the Ancients, mais conhecido por Dota (ou DotA ou DOTA), um mod do Warcraft III que possivelmente criou e certamente popularizou o género de arena de batalhas multijogador online. A linha da história continua por outro MOBA popular.

Em 2009, o estúdio Riot Games lançou League of Legends, um MOBA independente. O LoL tornou-se incrivelmente popular, tal como o Dota (e mais tarde, o Dota 2 da Valve). 
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Os MOBAs eram muito populares no PC, mas os jogos nos telemóveis estavam em ascensão. Em 2011, Tencent, o grupo empresarial chinês focado na Internet, comprou 97% da Riot, o estúdio que criou o LoL, e havia um desejo de trazer este género cada vez mais popular para os dispositivos móveis. 

Em 2014, dois estúdios detidos pela Tencent foram combinados para formar o grupo TiMi Studio Group. No ano seguinte, em 2015, o estúdio lançou o Honor of Kings, um MOBA para dispositivos móveis com o continente chinês como público-alvo. Em menos de uma década, tornou-se no jogo para dispositivos móveis mais lucrativo do mundo.
 

Como os MOBAs funcionam


Se não estás familiarizado com os jogos MOBA, tentar seguir uma partida é como assistir a um desporto pela primeira vez. Todos falam uma língua estrangeira com os seus corpos, e nada faz sentido. Mesmo o cofundador da Riot Games Marc Merrill reconheceu a curva de dificuldade do género numa entrevista ao Washington Post em 2019

"Quando começas a jogar, só quando ultrapassas a curva de aprendizagem inicial — e essa curva é grande, uns 10 ou 20 jogos — é que começas a perceber porque é que as pessoas acham o jogo fixe," disse ele. 

"MOBA é um género que depende em grande parte da coordenação de cinco jogadores a trabalhar juntos para conseguir a vitória," disse Huang.  

Os MOBAs funcionam assim. Em Honor of Kings há duas equipas, cada uma com cinco jogadores. As duas equipas enfrentam-se num campo de batalha quadrangular. Cada uma tem uma base. Uma está no canto inferior esquerdo do mapa, a outra no canto superior direito. O objetivo de cada equipa é destruir a estrutura na base da equipa inimiga. 

Existem várias estradas (geralmente chamadas de "lanes", "vias", pelos jogadores de MOBAs) entre as duas bases. Uma dessas estradas circunda o perímetro do campo de batalha quadrangular. Essa estrada está subdividida em duas vias, a superior e a inferior, com base na sua posição acima ou abaixo da via central, uma estrada que atravessa o campo de batalha diagonalmente, diretamente entre as bases e os cantos. Atravessando do canto superior esquerdo ao canto inferior direito está uma área conhecida como o rio. Portanto, se imaginares um quadrado atravessado por um X, tens a imagem mental certa. 

À paisagem vasta e triangular entre as vias é dado o nome de selva. Nesta área há inimigos que não são jogadores e que dão buffs quando são derrotados. Também é um lugar ótimo para te esconderes, saltar subitamente e atacar os jogadores que passarem pelas vias. 

A maior parte da ação acontece nas vias, mas é mais que confrontos diretos entre os heróis. Cada uma destas personagens tem diferentes habilidades que as tornam ideais para os desafios de cada via. 
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Cada equipa tem uma série de torres disposta pelas vias. Estas torres atacam a equipa inimiga, o que significa que ninguém pode simplesmente passear pelas vias fora para atacar a base inimiga sem resistência. Cada equipa também tem um abastecimento permanente de lacaios, pequenos inimigos que surgem automaticamente em cada base e que marcham pelas vias para atacar os seus inimigos. 

Joga, sobe de nível durante cada partida, vence, e recebe recompensas. Existem duas equipas, cinco heróis, várias vias, várias torres, muitos lacaios e monstros na selva. A partir desta premissa, a popularidade do género explodiu, tanto em termos de número de jogadores, como modalidade de eSports.

Mas ainda há muito para aprender, como os programadores da TiMi bem sabem. É por isso que o Honor of Kings não se limita a dizer aos novos jogadores como se joga; mostra como se faz. 

"Quando um novo jogador entra em Honor of Kings, nós pedimos-lhe para indicar a sua experiência com jogos MOBA para lhe oferecermos processos de tutorial diferentes," disse Huang. "Jogadores de MOBAs com experiência são guiados rapidamente para desfrutar das partidas no campo de batalha do Honor of Kings, enquanto os jogadores sem experiência com jogos MOBA seguem um sistema de tutorial passo a passo para aprenderem as regras e os controlos do jogo antes de entrar no campo de batalha 5 vs. 5." 
 

Criar um MOBA para dispositivos móveis


No PC, os MOBAs podem aproveitar os monitores grandes e as entradas precisas dos teclados e de um rato. Dispositivos móveis com ecrã tátil não têm esses luxos de origem, e o Honor of Kings toma decisões que encaixam no design de clássico de MOBAs dentro dessas limitações. 

"O objetivo principal de Honor of Kings é replicar as partidas MOBA clássicas em dispositivos móveis," disse Huang, "por isso desenhámos um sistema com dois joysticks para substituir o teclado e trabalhámos para resolver o desafio da visibilidade do mapa num ecrã de dispositivo móvel. Adicionalmente, concentrámo-nos nas características dos jogos nos dispositivos móveis para oferecer aos jogadores uma experiência de jogo mais rápida e diversificada." 

Por exemplo, o campo de batalha é significativamente mais pequeno que os dos jogos semelhantes para PC, mas contém os mesmos elementos essenciais, como as vias, as selvas e os heróis. E há um minimapa a flutuar sobre o ecrã para te mostrar onde estão todos os outros. As partidas também estão projetadas para serem mais curtas, demorando entre 10 e 20 minutos. 

A TiMi desenvolveu o Honor of Kings com alguns controlos contextuais inteligentes que aparecem quando é adequado e desaparecem quando são irrelevantes.

"As diferentes plataformas de jogo condicionam a maneira como os controlos são projetados," disse Huang. "Baseando-nos no sucesso dos jogos MOBA no PC, nós tínhamos o objetivo de otimizar a experiência para os dispositivos móveis através do seu sistema único com dois joysticks. Esta abordagem permitiu-nos conceber mecânicas intuitivas para ações como 'kiting', lançamento rápido de habilidades, e combos de habilidades. Como resultado, os jogadores em dispositivos móveis podem usar controlos que são fáceis de entender, fluidos, e concebidos especificamente para jogar num ecrã tátil." 

Talvez a funcionalidade mais indicativa da compreensão da plataforma móvel da TiMi seja a Disconnection Takeover, que foi concebida para amenizar as quedas de ligação. 

"[A Disconnection Takeover] permite aos jogadores que perderam a ligação devido a uma situação imprevista voltarem a entrar no jogo sem dificuldades e manterem-se alinhados com o ritmo da partida, minimizando também o impacto negativo da sua ausência temporária", disse ele. 

É uma funcionalidade inteligente, mas é na programação que realmente impressiona. A Disconnection Takeover não se limita a colocar um bot aleatório onde estava um jogador. Em vez disso, quando um jogador está ausente, ela cria uma IA substituta criada para encaixar no contexto da partida e dos seus jogadores. 

"Quando concebemos esta funcionalidade, a nossa principal consideração era garantir que a IA que controla o jogador desligado pudesse jogar a um nível próximo da média geral da partida. Para atingir este objetivo, o sistema atribui valores de desempenho à IA baseados nos registos históricos do jogador e do nível de desempenho final de todos os jogadores da partida atual. Isto ajuda a manter o jogo justo e reduz o impacto de desconexões no resultado do jogo." 
 

Desenhar heróis mundiais 


Cada entrada no género tem um elenco de heróis, e o Honor of Kings não é exceção. 

"Cada herói vem com a sua história e design individuais que influenciam diretamente as suas habilidades e as suas características dentro do jogo," disse Huang. "Quando introduzimos um novo herói, não destacamos apenas o seu design visual, mas também a história que os define, ajudando os jogadores a compreender melhor as suas habilidades e pontos fortes. Esta abordagem promove uma ligação mais profunda entre os jogadores e os heróis com que jogam. Para aprofundar isto, criámos vídeos de tutoriais para cada herói — tanto para ajudar os jogadores a entrarem no jogo, como para mostrar as habilidades de novos heróis à medida que eles entram no elenco do jogo."

No início, os heróis de Honor of Kings eram inspirados pelo folclore chinês e pela mitologia chinesa. Afinal, a China continental era o território nativo da Tencent e da TiMi, e era o mercado alvo do jogo. 
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Um ano depois do lançamento do Honor of Kings, a TiMi lançou o Arena of Valor. Construído com o mesmo motor que o Honor of Kings, era um MOBA para dispositivos móveis concebido para os mercados mundiais. Arena of Valor continua ativo, se bem que o Honor of Kings seja o título mais popular. E nos anos que se seguiram, o Honor of Kings expandiu o seu reportório de heróis para abarcar temas mundiais, tal como o Arena of Valor fez desde o início. 

Segundo Huang, este é um grande componente do sucesso do Honor of Kings

"A localização vai além da tradução, adaptando o conteúdo para refletir as culturas e os gostos regionais, tornando o jogo acessível e divertido em todo o mundo," disse Huang. "Nós achamos importante oferecer heróis que são apelativos a jogadores de todo o mundo e que podem ser representativos das suas respetivas culturas e celebrar eventos importantes nos seus calendários, como feriados e eventos significativos." 

Ele indicou vários exemplos dos últimos anos. 

"Por exemplo, em junho de 2024 introduzimos a Luara, uma heroína inspirada pelo folclore da América Latina — o Boitatá, uma cobra de fogo mítica. No 572.º aniversário da conquista de Istambul, em junho de 2025, introduzimos o Fatih, que reflete a história rica do país. Esta semana, na Malásia, desenvolvemos um visual baseado na Puteri Gunung Ledang, uma figura muito amada do folclore tradicional, pondo em evidência a história vibrante das artes e da cultura da Malásia através de uma colaboração excitante com a celebrada cantora, compositora e produtora musical Mimifly."
 

Ouvir os jogadores


"O feedback dos jogadores tem sido sempre absolutamente crucial," disse Huang. "Destacar a sua importância nunca é demais. Quer seja através do serviço de apoio ao cliente, de discussões na comunidade, ou do comportamento no jogo e dos dados pós-partida, tem guiado continuamente os nossos planos de atualização." 

Os programadores monitorizam coisas como a popularidade dos heróis e a sua utilização (as duas situações "não são sempre positivamente correlacionadas", como ele referiu), e usam essa informação para melhorar o jogo. 

"Com base na informação que colhemos do jogo e no feedback da comunidade, [isso] permite-nos fazer ajustes dinâmicos à aparência, às habilidades e aos atributos dos heróis."
 

Seguir a via do meio


"O Honor of Kings procura trazer uma experiência de jogo MOBA de melhor qualidade, mais original, mais justa, e atualizada com regularidade a jogadores de todo o mundo," disse Huang. 

Ele vê esta prática como satisfazer dois grupos alargados de jogadores.

"Para jogadores de jogos MOBA experientes," disse ele, "estamos confiantes que o Honor of Kings é um dos melhores e mais otimizados jogos do género MOBA para dispositivos móveis. Combina perfeitamente a experiência rápida exigida pelos jogos em dispositivos móveis com a profundidade estratégica exigida pelos entusiastas de MOBA, fazendo dele, neste aspeto, um dos melhores jogos no mercado." 

E para aqueles para quem a explicação sobre o que é um MOBA mais acima foi muito útil, o Dean Huang pensa que o Honor of Kings também os vai receber bem. 

"Para os jogadores casuais também oferecemos uma variedade de modos de jogo em Honor of Kings, heróis locais, espaços de expressão pessoal de grande qualidade, e numerosas colaborações com criações de outras propriedades intelectuais, oferecendo aos jogadores uma experiência de jogo mais rica, mais diversa e mais atraente." 

O Honor of Kings foi lançado na Epic Games Store para dispositivos móveis este ano e podes descarregá-lo gratuitamente agora. E enquanto fazes isso, aproveita para leres o nosso guia para principiantes do Honor of Kings