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Como a TiMi faz de Honor of Kings o MOBA para dispositivos móveis mais jogado do mundo
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Dave Tach
Os desenvolvedores do TiMi Studio Group esperam mudar isso. Eles são os criadores de Honor of Kings, um MOBA para dispositivos móveis que é tão bem-sucedido quanto lucrativo. Honor of Kings conta com 100 milhões de jogadores ativos todos os dias. Segundo diversas estimativas, trata-se do jogo para dispositivos móveis mais lucrativo da história.
"Somos um grupo de desenvolvedores de jogos apaixonados e dedicados a compartilhar a alegria com os jogadores, e Honor of Kings serve como uma ponte que traz alegria à vida", disse o produtor de jogos Dean Huang. "Desde o início, nossa missão tem sido reduzir as barreiras de entrada para os jogos MOBA, permitindo que mais jogadores experimentem a diversão e a emoção do gênero."
O objetivo do Honor of Kings é trilhar um caminho intermediário: reconhecer que os MOBAs para dispositivos móveis podem e devem ser diferentes de seus equivalentes para PC; criar um espaço em que as partidas não sejam longas demais para as expectativas do hardware; e torná-lo acessível tanto para veteranos quanto para novatos.
A Epic Games Store entrevistou Huang sobre o jogo, falando sobre como foi levá-lo para dispositivos móveis, criar os heróis, manter o interesse dos jogadores do mundo todo e (talvez o ponto mais importante para a TiMi) encontrar um meio-termo.
A ascensão dos MOBAs
Honor of Kings foi lançado em 2015, mas de certa forma sua história começou (como todos os MOBAs) em 2003, com o lançamento de Defense of the Ancients, mais conhecido como Dota (ou DotA ou DOTA), um mod do Warcraft III que pode-se dizer que criou e popularizou o gênero MOBA. A linha do tempo da história continua com outro MOBA popular.
Em 2009, a desenvolvedora Riot Games lançou o League of Legends, um MOBA independente. O LoL se tornou incrivelmente popular, assim como Dota (e mais tarde, o Dota 2, da Valve).

Os MOBAs eram um sucesso no PC, mas os jogos para dispositivos móveis estavam em ascensão. Em 2011, o conglomerado chinês de jogos e internet Tencent comprou 97% da Riot, desenvolvedora do LoL, e tinha o desejo de levar o gênero, que estava cada vez mais popular, para os dispositivos móveis.
Em 2014, dois estúdios pertencentes à Tencent se uniram para formar o TiMi Studio Group. No ano seguinte, em 2015, os desenvolvedores lançaram Honor of Kings, um MOBA para dispositivos móveis voltado para a China Continental. Em menos de uma década, tornou-se o jogo para dispositivos móveis mais lucrativo do mundo.
Como funcionam os MOBAs
Se você não conhece os MOBAs, tentar acompanhar uma partida desses jogos é como assistir a um esporte pela primeira vez. Todos falam uma mesma língua estrangeira em comum por meio da linguagem corporal, e nada disso faz sentido. Até o cofundador da Riot Games, Marc Merrill, reconheceu a curva de dificuldade do gênero em uma entrevista ao Washington Post em 2019.
"Quando você começa a jogar de verdade, a superar os obstáculos, algo que às vezes pode levar até 10 ou 20 partidas, começa a entender por que as pessoas acham o jogo tão legal", afirmou.
"MOBA é um gênero que depende muito da coordenação de cinco jogadores trabalhando juntos para alcançar a vitória", afirmou Huang.
Vamos falar sobre como os MOBAs funcionam. Em Honor of Kings, há duas equipes, cada uma com cinco jogadores. Elas se enfrentam em um campo de batalha quadrado. Cada uma tem uma base. Uma está no canto inferior esquerdo do mapa e a outra no canto superior direito. O objetivo de cada equipe é destruir uma estrutura na base da equipe adversária.
Há alguns caminhos (ou rotas, no linguajar dos MOBAs) entre as duas bases. Uma das rotas cerca todo o perímetro do campo de batalha. Ela é subdividida entre rota superior e rota inferior, que são nomeadas de acordo com suas posições acima ou abaixo da rota do meio, que atravessa o campo de batalha na diagonal, diretamente entre as bases nos cantos. Atravessando o mapa diagonalmente, do canto superior esquerdo ao canto inferior direito, há uma área conhecida como rio. Imagine um quadrado com um "X" no meio e pronto!
A vasta paisagem triangular entre as rotas é chamada de selva. Nessa área, há inimigos criados pelo próprio jogo (ou seja, não são jogadores humanos) que concedem bônus quando derrotados. Também é um ótimo lugar para se esconder, criar armadilhas e atacar jogadores que estiverem vagando pelas rotas.
A maior parte da ação ocorre nas rotas, mas é mais do que um simples confronto direto entre os heróis. Cada um desses personagens tem habilidades diferentes que os tornam aptos para os desafios de cada rota.

Cada equipe tem uma série de torres ao longo das rotas. Essas torres atacam o time adversário, o que significa que ninguém pode simplesmente passear pelas rotas e atacar a base do adversário sem qualquer resistência. Cada equipe também tem um abastecimento constante de tropas, que são pequenos inimigos que surgem automaticamente de cada base e marcham pelas rotas para atacar seus inimigos.
Jogue, suba de nível a cada partida, vença e receba recompensas. Existem duas equipes, cinco heróis, várias rotas, várias torres, muitas tropas e monstros na selva. Partindo dessa premissa, o gênero explodiu em popularidade, tanto em número de jogadores quanto como um produto básico dos eSports.
Mas ainda há muito o que aprender, e os desenvolvedores da TiMi sabem disso. É por isso que Honor of Kings não só diz aos novos jogadores como jogar, mas mostra a eles.
"Quando um novo jogador entra no Honor of Kings, pedimos que ele indique a experiência dele com jogos MOBA para combiná-lo com diferentes processos de tutorial", contou Huang. "Jogadores experientes em MOBA serão rapidamente orientados a experimentar as partidas no campo de batalha do Honor of Kings, enquanto os jogadores sem experiência em MOBA seguirão um tutorial passo a passo do sistema para aprender as regras e controles do jogo antes de entrar no campo de batalha 5v5."
Como funciona a criação de um MOBA
No PC, os MOBAs podem aproveitar as telas grandes e os controles precisos do teclado e do mouse. Dispositivos móveis sensíveis ao toque não têm essas funcionalidades por padrão, e o Honor of Kings toma decisões que encaixam o design de MOBA clássico dentro dessas restrições.
"O principal objetivo do Honor of Kings é replicar partidas clássicas de MOBA nos dispositivos móveis”, comentou Huang, “por isso, projetamos um sistema de joystick duplo para substituir o teclado e abordamos o desafio da visibilidade do mapa na tela desses dispositivos. Além disso, focamos nas características dos jogos destinados a dispositivos móveis para oferecer aos jogadores uma experiência de jogabilidade mais diversificada e mais rápida."
Por exemplo, o campo de batalha é significativamente menor do que os de PC, mas contém os mesmos elementos principais, como rotas, selvas e heróis. Além disso, há um minimapa flutuando na tela para mostrar onde todos estão. As partidas também são projetadas para serem mais curtas, com duração entre 10 e 20 minutos.
A TiMi criou o Honor of Kings com alguns controles contextuais inteligentes que aparecem quando são cabíveis e desaparecem quando são irrelevantes.
"Diferentes plataformas de jogos moldam a forma como os controles são projetados", revelou Huang. "Com base no sucesso dos MOBAs no PC, decidimos otimizar a experiência para dispositivos móveis aproveitando seu sistema exclusivo de joystick duplo. Essa abordagem nos permitiu criar mecânicas intuitivas para ações como condução, conjurações rápidas e combos de habilidades. Como resultado, os jogadores de dispositivos móveis podem desfrutar de controles fáceis de aprender, estáveis e feitos sob medida para telas sensíveis ao toque."
Talvez nenhuma funcionalidade seja mais indicativa do entendimento da TiMi sobre a plataforma móvel do que o Disconnection Takeover, que foi projetado para abordar o problema das desconexões.
"[Disconnection Takeover] permite que os jogadores que se desconectam devido a problemas inesperados retornem ao jogo sem problemas e permaneçam alinhados com o ritmo da partida, minimizando o impacto negativo de sua ausência temporária", declarou.
É uma funcionalidade inteligente, mas é na programação que ela se destaca. O Disconnection Takeover não coloca um robô aleatório no lugar de um jogador. Em vez disso, quando um jogador está ausente, o objetivo é criar uma IA substituta para se adequar ao contexto da partida e dos jogadores.
"Ao projetar essa funcionalidade, nossa principal consideração foi garantir que a IA que controla o jogador desconectado pudesse ter um desempenho semelhante à média geral da partida. Para isso, o sistema atribui valores de desempenho à IA com base nos registros históricos de partidas de cada jogador e no nível de desempenho final de todos os jogadores na partida atual. Isso ajuda a manter as coisas justas e reduz o impacto das desconexões no resultado da partida."
Desenvolvimento de heróis mundiais
Cada jogo do gênero tem seu próprio elenco de heróis, e Honor of Kings não é exceção.
"Cada herói vem com uma história e um design de personagem únicos que moldam diretamente suas habilidades e características dentro do jogo", afirmou Huang. "Ao lançar um novo herói, destacamos não só o design visual, mas também a história e o histórico que o definem, ajudando os jogadores a entender melhor suas habilidades e pontos fortes. Essa abordagem promove uma conexão mais profunda entre os jogadores e os heróis com os quais eles jogam. Para apoiar ainda mais esse cenário, criamos vídeos de tutorial para cada herói, tanto para ajudar na integração de novos jogadores quanto para exibir as habilidades dos novos heróis conforme eles se juntam ao elenco."
No início, os heróis de Honor of Kings eram inspirados no folclore e na mitologia da China. Afinal, a China Continental era o território natal da Tencent e da TiMi, e também o mercado-alvo do jogo.

Um ano após o lançamento de Honor of Kings, a TiMi lançou Arena of Valor. Criado com a mesma ferramenta do Honor of Kings, tratava-se de um MOBA para dispositivos móveis projetado para mercados mundiais. Arena of Valor segue em desenvolvimento, embora Honor of Kings seja o título mais popular. E nos anos seguintes, Honor of Kings expandiu seu portfólio de heróis para abranger temas mundiais, assim como Arena of Valor fez desde o início.
Segundo Huang, esse é um grande componente do sucesso de Honor of Kings.
"A localização vai além da tradução, pois adapta o conteúdo para refletir culturas e gostos regionais, tornando o jogo acessível e divertido em todo o mundo", relatou Huang. "Sentimos que é importante oferecer heróis que atraiam jogadores de todo o mundo, identifiquem-se com suas respectivas culturas e comemorem eventos importantes em seus calendários, como festivais ou eventos marcantes."
Ele nos deu diversos exemplos dos últimos anos.
"Por exemplo, em junho de 2024, lançamos a Luara, uma heroína inspirada no folclore latino-americano representando Boitatá, uma mítica serpente de fogo. No aniversário de 572 anos da conquista de Istambul, que aconteceu em junho de 2025, trouxemos o Fatih, refletindo a rica herança histórica do país. Esta semana, na Malásia, desenvolvemos uma skin inspirada em Puteri Gunung Ledang, uma figura adorada no folclore tradicional, destacando a vibrante herança cultural e artística da Malásia por meio de uma colaboração empolgante com o renomado cantor, compositor e produtor musical malaio Mimifly."
Feedback da comunidade
"O feedback dos jogadores sempre foi crucial para nós", declarou Huang. "Nem conseguimos colocar em palavras a importância disso. Seja por meio do atendimento ao cliente, de discussões na comunidade ou dos comportamentos dentro do jogo e dos dados pós-jogo, esse feedback sempre guiou nossos planos de atualização."
Os desenvolvedores monitoram fatores como popularidade e uso de heróis ("e tais fatores nem sempre estão positivamente correlacionados", ele aponta) e usam isso para melhorar o jogo.
"Com base nas informações que coletamos do jogo e no feedback da comunidade, fazemos ajustes dinâmicos na aparência, nas habilidades e nas estatísticas dos heróis."
Jornada rumo ao meio-termo
"O Honor of Kings tem como objetivo levar uma experiência de MOBA com mais qualidade, inovação e equilíbrio e com atualizações regulares para jogadores de todo o mundo", mencionou Huang.
Ele vê isso como uma forma de satisfazer dois grandes grupos de jogadores.
"Para jogadores experientes de MOBA, estamos confiantes de que Honor of Kings é um dos jogos mais otimizados e ajustados no gênero MOBA para dispositivos móveis. Ele combina perfeitamente a experiência acelerada exigida pelos jogos para dispositivos móveis com a profundidade estratégica exigida pelos entusiastas de MOBA, o que o torna um dos melhores jogos do mercado nesse quesito."
E para aqueles que estão descobrindo agora o que é um MOBA, Huang acredita que Honor of Kings também pode ser um ótimo pontapé inicial.
"Para jogadores casuais, em Honor of Kings também oferecemos uma ampla variedade de modos de jogo, heróis locais, espaços de expressão pessoal de alta qualidade e várias colaborações de elementos de propriedade intelectual, proporcionando a todos os jogadores uma experiência de jogo mais rica, diversificada e atraente."
Honor of Kings foi lançado na Epic Games Store para dispositivos móveis no início do ano, e você pode baixá-lo gratuitamente hoje mesmo. Enquanto isso, confira o guia de Honor of Kings para iniciantes.