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Como o Toribash Next promete reinventar a clássica luta com base na física

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John Walker
26 de jan. de 2024

Podemos perdoar quem não se lembra ou talvez não nasceu a tempo de pegar o Toribash original. Esse fenômeno indie de 2006 é um jogo de luta sem igual (até hoje) no qual você controla um boneco baseado na física, com articulações independentes e ajustáveis, para desferir ataques contra os seus oponentes. O jogo é tremendamente bobo e extremamente difícil ao mesmo tempo, seguindo a abordagem de redução ao absurdo da física tipo "ragdoll" que era um sucesso na época. 

O Toribash segue duas abordagens gerais: ou você domina o jogo totalmente, ou você o acha altamente incompreensível. Porém, a alegria em ambos os casos vem de ver os outros se esforçando. Nas quase duas décadas desde que o jogo foi lançado, as lutas com base na física nunca sumiram, e o modelo de jogo gratuito incentivou um público-alvo apaixonado pelo jogo a continuar criando vídeos de suas fugas incríveis. Agora, com o Toribash Next, podemos apresentar esse conceito a toda uma nova geração.

Conversamos com Hampus "Hampa" Söderström, o principal desenvolvedor de ambos os jogos e fundador da Nabi Studios, e perguntamos: por que agora? Por que, depois de 18 anos, ele decidiu que estava na hora de lançar uma versão totalmente nova do Toribash?

"Mesmo com todas as atualizações que fizemos todos esses anos", disse Hampa em relação ao Toribash original de 2006, "suas bases antigas estão se tornando um obstáculo mais evidente com o passar do tempo". Ou seja, quanto mais antigo o motor do jogo, mais difícil fica criar algo novo usando-o como base. "No Toribash Next", segundo Hampa, "conseguimos introduzir recursos novos, como a possibilidade de mais de dois jogadores participarem de partidas online, criação de mods ao vivo e edição de reproduções".

Nenhum desses recursos era possível com o motor do jogo original, que foi criado sob medida para o seu desenvolvimento. O Toribash Next, porém, foi desenvolvido em Unity, com mais ferramentas "prontas para uso".

Tendo reconstruído o jogo do zero, Hampa explica que, além do conceito principal, tudo "está diferente de uma forma ou de outra", descrevendo-o como "a melhor experiência estilo sandbox que conhecemos".

Uma das diferenças mais óbvias no Next é a adição de modos com armas, que agora permitem que o seu personagem porte uma espada, cajado ou arma de fogo. Antes, o Toribash só permitia combates corpo a corpo, mas as novas formas de jogar incluirão a opção de batalhas a distância ou até lutas de espadas coreografadas. Hampa acrescentou que, além das novas formas de lutar, "é provável que a primeira coisa a ser notada no Toribash [por quem já conhece o jogo] seja que a física está um pouco diferente... mais próxima de como os objetos interagem entre si na vida real".

De acordo com Hampa, isso reduzirá as oportunidades de "bugs divertidos, como conseguir atravessar o seu oponente se você se mover rápido demais", com sorte oferecendo um jogo mais sólido e consistente.
Toribash 02
E aqueles jogadores fiéis do Toribash que talvez adorem os bugs? O que os incentivará a fazer o upgrade? "Os novos recursos de multijogador, como as lutas com quatro jogadores e em equipe", contou Hampa, bem como "as novas possibilidades de personalização dos personagens e a nova física". Porém, esses fãs totalmente dedicados ao original não precisam se preocupar: ele não vai deixar de existir.

"Não estamos abandonando o jogo original completamente", explicou Hampa, "e planejamos continuar oferecendo suporte a ele no futuro próximo. Não esperamos que todos os nossos jogadores mais dedicados migrem totalmente para o Next, o que é compreensível, pois alguns deles acumularam muito dinheiro e muitos itens em suas contas, participam ativamente da economia aberta e ainda curtem o jogo original. Porém, estamos certos de que existe um bom motivo para experimentarem o Next, principalmente quem já estava pedindo novas oportunidades de jogabilidade".

Em 2014, foi lançada uma versão do Toribash para WiiWare, mas, apesar de ser praticamente o mesmo jogo, as críticas do público que usa consoles foram muito mais duras. Imaginamos que essas críticas tenham influenciado a abordagem da Nabi Studios na criação da sequência do jogo. "Sim e não", disse Hampa. Parece que o Next poderia ter sido um jogo muito diferente se a equipe tivesse escolhido seguir uma direção diferente, optando por uma "versão simplificada do Toribash" ou "acolhendo totalmente o aspecto sandbox". Eles escolheram a última opção, temendo que a outra fosse "apagar toda a identidade do Toribash; portanto, ela foi mantida basicamente a mesma em todos os três jogos". Em vez disso, Hampa disse que a equipe se esforçou para tornar o sandbox mais acessível, em conjunto com ferramentas melhores para criar mods, editar reproduções para enviar vídeos e personalizar os personagens.

O Toribash Next continuará funcionando com um modelo de jogo gratuito, ou seja, o jogo inteiro, com todos os seus modos, estará disponível gratuitamente, sem oferecer opções de comprar nada que aumente as chances dos jogadores em uma partida. Hampa declarou que permitir que os jogadores comprem vantagens sempre resulta em uma corrida armamentista que exclui os jogadores que não compram nada, e adiciona que "já há jogos o suficiente que impedem que o jogador os curta sem precisar gastar dinheiro".

A moeda do jogo Toribash original não poderá ser transferida para o Next porque o "mercado aberto do Toribash funciona de forma totalmente diferente do que foi planejado para o Next, ou seja, é provável que nunca haja uma taxa de conversão confiável".

Já em relação à acessibilidade imediata, parece que os desenvolvedores não querem dar o braço a torcer. O jogo será lançado sem nenhum tutorial, embora haja planos de adicioná-los, pois o estúdio acredita que é muito melhor apreciar um jogo sandbox por meio de experimentações do que com instruções claras. "O aspecto mais legal do Toribash", segundo Hampa, "é ir de tentar descobrir como levantar o braço sem cair instantaneamente a se familiarizar com a forma que diferentes articulações funcionam, até conseguir fazer uma daquelas reproduções incríveis que vemos nas redes sociais".