Artigo

Por dentro de Outbound com pessoas que acreditam de verdade na vida em vans, pesquisadores e a desenvolvedora de jogos aconchegantes Square Glade

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Dave Tach
23 de mar. de 2026
Anos atrás, quando ele era criança em Groningen, na Holanda, Marc Volger, o simpático cofundador da Square Glade Games, traçou um caminho em direção a uma carreira em inteligência artificial. Muito antes do advento de veículos de consumo autônomos e chatbots em smartphones, ele obteve diplomas de bacharelado e mestrado em IA, mudou-se para a Flórida e programou os veículos autônomos nas atrações Fast & Furious e King Kong da Universal Studios.

Ele estava a um oceano e um continente de distância de sua terra natal, desenvolvendo um hobby de programação de videogames, quando conheceu Tobi Schnackenberg on-line. A equipe se uniu para codesenvolver Above Snakes, da Square Glade Games, e Volger deixou os EUA e voltou para Groningen para transformar seu hobby de jogos de uma vida em uma carreira. 

Mas não antes que ele e a esposa tirassem cinco semanas de férias em uma van pelos Estados Unidos, o que inspiraria Outbound, um jogo aconchegante sobre explorar um mundo idílico e futurista em sua própria van elétrica totalmente personalizável, vivendo de forma sustentável fora da rede.
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Outbound, que chega à Epic Games Store em 23 de abril de 2026, não tenta ser um simulador de vida em vans preciso, mas é claramente inspirado na crescente subcultura cujos adeptos transformam vans em casas portáteis e vivem suas vidas na estrada, muitas vezes na natureza. Assim como as viagens de carro e os adeptos da vida em vans que o inspiraram, Outbound não tem narrativa, exceto a que cada jogador cria enquanto dirige, explora e personaliza sua casa móvel, sozinho ou com amigos. 

E, especialmente nesse último sentido, de acordo com acadêmicos, um cineasta documentarista, moradores de van e os desenvolvedores com quem conversamos, Outbound se encaixa perfeitamente na interseção cultural de jogos aconchegantes e o fenômeno da vida em vans. 

Segundo a Dra. Rachel Kowert, autora e pesquisadora especializada nos usos e efeitos dos jogos digitais, há uma convergência natural. 

"Jogos de vida em vans e jogos aconchegantes são ambos fundamentalmente sobre vida intencional, fazer escolhas deliberadas sobre seu espaço, seu ritmo e prioridades", disse Kowert à Epic Games Store. "Os jogos aconchegantes sempre tiveram esta tendência de eliminar os excessos, encontrando riqueza na simplicidade. A fantasia não é sobre ganhar o máximo de dinheiro ou ter o máximo de poder. É sobre estar presente no aqui e agora."
Arte de Above Snakes
De cobras a vans

Above Snakes criou a Square Glade Games. Também lhe deu o nome. 

"É um jogo isométrico em que você pode planejar o posicionamento de terreno, e esses blocos de terreno são quadrados", disse Marc Volger à Epic Games Store. "Um dos blocos mais bonitos era uma clareira por onde você podia caminhar, coletando recursos. E tinha uma luz bem agradável brilhando nela. Era apenas uma clareira linda e serena. E então, basicamente, usamos isso como nome para nosso estúdio, Square Glade, e é também por isso que o logotipo é um pequeno bloco com algumas árvores." 

Após o lançamento bem-sucedido de Above Snakes, era hora de descobrir no que trabalhar em seguida. Schnackenberg e Volger não se limitaram a declarar qual seria o próximo jogo deles. Eles mergulharam nos livros. 

"A princípio", disse Tobi Schnackenberg à Epic Games Store, "quando criamos protótipos como estúdio, o que geralmente fazemos é analisar o mercado no Steam, na Epic, nos consoles, e analisamos os jogos: o que já existe, do que as pessoas gostam, do que não gostam, que tipos de jogos são muito jogados, quais recebem boas e más pontuações, o que as pessoas criticam e do que sentem falta?"

Em outras palavras, eles estavam determinados a fazer uma suposição informada, baseando-se em suas pesquisas e sua experiência com Above Snakes. Pouco a pouco, isso os levou ao que se tornaria Outbound
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Eles também contaram com a comunidade, que surgiu por meio da plataforma de financiamento coletivo Kickstarter, onde os desenvolvedores financiaram Above Snakes, e também com a comunidade do Patreon. 

"Tínhamos um público já acostumado com o gênero de sobrevivência (de Above Snakes), e percebemos que havia uma necessidade por jogos de sobrevivência que fossem menos focados na sobrevivência", disse Schnackenberg, "jogos de sobrevivência com menos pressão, mais tranquilos e relaxados, porque as pessoas parecem gostar de cuidar de si mesmas, de interagir com o mundo, cozinhar e tudo mais. Mais o lado de simulação de vida da sobrevivência, eu diria." 

Em parte com base no que aprenderam, os cofundadores começaram a fazer protótipos de jogos e a compartilhá-los com a comunidade que havia se formado em torno de Above Snakes. Uma ideia se destacou claramente. 

"Eram, sei lá, umas 50 pessoas ou algo assim [ou] 30 pessoas que estavam olhando para ele", disse Volger. "Estávamos experimentando todo tipo de coisas diferentes, que iam desde um jogo de tiro com balas simbióticas, a um jogo de piratas com peças quadradas, até uma aventura muito serena de 'vamos para o ar livre' em uma van. Testamos tudo isso com a comunidade, e eles ficaram muito entusiasmados com essa ideia. 

Com a prova de conceito validada internamente, e externamente pela comunidade, eles decidiram testar a ideia publicamente. 

"Então fizemos um tweet, basicamente um diorama do que este jogo poderia ser", contou Volger. "Era literalmente uma van ao lado de um lago. Tinha alguns painéis solares, algumas pipas no ar, então podíamos ver claramente que era elétrico porque havia algumas células de combustível espalhadas por perto, e pequenas coisas balançando ao vento. E aquele tweet viralizou, então soubemos: 'Certo, acho que temos algo aqui'."

O objetivo da pesquisa de mercado era, nas palavras de Volger, ajudá-los a "criar um jogo que os jogadores esperavam, que os jogadores não tinham". Eles continuaram encontrando interesse em um jogo sobre viver deliberadamente em uma van, um conceito que compartilha mais que um pouco de semelhança com a vida em vans. 
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Rumo à vida em vans

Em Freakonomics, o jornalista Stephen Dubner e o economista Steven Levitt contam a história de dois irmãos de Nova York, cujos pais chamaram um de Winner (Vencedor) e o outro de Loser (Perdedor). 

A conclusão deles é que o determinismo nominativo, a teoria de que nomes podem ter uma influência mensurável na vida — que podem se tornar destino — era menos do que infalível. Acontece que Winner era mais o perdedor, e Loser era mais o vencedor naquela família. 

Mas um YouTuber que usa o nome de usuário HumanInterfaceTV tem uma experiência diferente com seu nome verdadeiro. 

Nascido no oeste americano nos anos 70, seus diversos empreendimentos incluem limpeza de janelas, criação de sites, otimização de SEO, marketing na internet e a administração de uma loja de produtos para fumo com um amigo que é dono de farmácias no Colorado. 

Há vários anos, esse amigo o apresentou ao conceito de vida em vans, e ele passou "centenas de horas assistindo a vídeos de vida em vans", uma subcultura que ganhou grande popularidade nas redes sociais e no YouTube ao longo da última década. A ideia central por trás da vida em vans é perfeitamente resumida no nome: os adeptos vivem deliberadamente em uma van personalizada e a convertem em uma casa. 

Em outras palavras, eles fazem muito do que os jogadores fazem em Outbound. 

Eles vivem de forma simples. Eles viajam. Eles estacionam. Eles acampam. Eles se encontram. E, cada vez mais, na era da internet onipresente, eles compartilham suas vidas e até mesmo seus hobbies, como os jogos. Seus seguidores e espectadores geram renda, assim como a economia dos trabalhos informais funciona. 
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"Então, durante a COVID, me mudei das montanhas e fazia DoorDash e Uber Eats e outras coisas do tipo para ganhar dinheiro, tentando descobrir o que eu queria fazer. E então eu decidi: 'Você sabe o quê? Eu provavelmente poderia fazer isso enquanto estou viajando por aí vivendo em uma van'." 

Ele recebeu bastante resistência quando decidiu adotar a vida em vans e transmitir suas aventuras, mas ele sempre foi de experimentar coisas. E ele remete esse desejo diretamente ao seu nome. 

"Todo mundo acha que sou burro por fazer uma coisa ou outra, seja 'streamar' ou viver em uma van", disse ele. "Então, pessoalmente, com o nome que recebi ao nascer, meio que me sinto na obrigação. E é por isso que acho que vivi uma vida tão fora do comum, num geral, fora ter dado esse passo por meu primeiro nome ser Freedom (Liberdade) e ouvir a descrição de todos sobre isso durante a minha vida toda".

Desde seus primeiros protótipos e prévias, os desenvolvedores de Outbound exploraram o mesmo tipo de interesse, buscando inspiração até mesmo nos adeptos da vida em vans da internet. Eles também conseguiram relacionar o jogo que estava surgindo a experiências semelhantes à vida em vans em suas próprias vidas. 

"Percorri toda a América do Norte de van enquanto estive lá", disse Marc Volger. "Então, essa era uma sensação que conhecíamos bem. Tobi, acompanhado, também fez esse tipo de viagem de estrada. Sabíamos que a sensação de acampar em van era a 'vida em vans', e queríamos colocar isso no jogo." 

Muito menos pessoas que seguem os adeptos da vida em vans pela internet adotam o estilo de vida, mas, dados os grandes números de seguidores desses adeptos, há claramente um fascínio pelo estilo de vida alternativo e um apetite para consumir suas viagens, mesmo que indiretamente. 
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The Meaning of Vanlife

Jim Lounsbury, um cineasta de Sydney, Austrália, com raízes em Seattle, Washington, ficou tão interessado na vida em vans que não só criou um documentário chamado The Meaning of Vanlife ("O significado da vida em vans", em tradução livre), mas também viveu a experiência da vida em vans por vários meses enquanto documentava vários adeptos desse estilo de vida. 

"Sempre tive muito desejo de viajar e sempre fui atraído por histórias de pessoas tentando encontrar isso", disse Lounsbury à Epic Games Store. "Então, acho que isso nos leva a 'The Meaning of Vanlife' e ao interesse em examinar isso como uma cultura, abordando o que isso significa? O que significa as pessoas estarem vivendo em vans, ou o que fez com que isso acontecesse? Comecei a fazer todas essas perguntas, e foi isso que me levou a fazer o documentário." 

Não existe uma narrativa única para explicar por que alguém escolhe um estilo de vida não convencional, morando na estrada em uma van, mas Lounsbury notou uma história recorrente, e seu documentário a explorou. 

"Então, a história comum que ouvi entre as pessoas sobre as quais escolhi fazer o filme foi: 'Bem, morávamos em uma cidade. Gastávamos US$ 40.000, US$ 50.000 por ano em aluguel e ganhávamos, como casal, talvez US$ 120.000 ou US$ 150.000 por ano. Pensávamos: por quê? Por que estamos nessa corrida de ratos, apenas despejando dinheiro no aluguel?' Eles tinham essa ideia meio vazia de 'Para que serve isso?'."

Cody Rodriguez conhece bem a sensação. Ele é um jogador ávido e eterno aprendiz, que viveu e estudou pelo mundo todo, do Havaí ao Japão e à Inglaterra, e agora, na Austrália, onde é professor assistente de Sociologia e Antropologia e faz seu doutorado em Sociologia pela Universidade de Melbourne, na Austrália. Ele está escrevendo sua tese, que atualmente chama de "Liminal Lifestyle Mobilities: Betwixt and Between 'Living the Dream' of Vanlife and 'Surviving the Nightmare' of Vehicular Homelessness". 
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Ele não está apenas estudando a vida em vans, mas, assim como Freedom e Lounsbury, ele também a viveu. 

"Minha pesquisa de tese buscou separar a experiência real e cotidiana da vida em vans da fantasia estética romantizada da vida em vans on-line", disse Rodriguez à Epic Games Store. "Para isso, conduzi uma etnografia híbrida móvel que envolveu morar em um Mini Cooper de quatro portas e participar de vários encontros de vanlife por um curto período em Oregon e no sudoeste americano, e depois continuei interagindo com membros da comunidade da vida em vans que conheci pessoalmente pelo Instagram ao longo de dois anos."

Há claramente um apelo cultural à vida em vans, embora suas aparências muitas vezes idílicas nas redes sociais nem sempre correspondam à realidade. 

"No processo de fazer o trabalho de campo," disse Rodriguez, "percebi que muitos nômades da vida em vans em tempo integral, no rastro da pandemia, nem estão 'vivendo o sonho' desse estilo de vida plenamente, nem sobrevivendo ao pesadelo da chamada falta de moradia veicular. Na verdade, eles ocupam um espaço em algum lugar no meio dos dois. Então, meu desafio como pesquisador acadêmico é criar uma descrição mais sutil desse espaço liminar intermediário."

É nesse espaço liminar que Outbound vive. E no mundo dos jogos, é um encaixe perfeito para o ecossistema de jogos aconchegantes. 
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A vida em vans encontra jogos aconchegantes

Tecnicamente, a Dra. Agata Waszkiewicz é uma pesquisadora literária na Universidade Católica João Paulo II de Lublin, Polônia. Na prática, considerando seu foco e interesses, ela é uma pesquisadora de videogames. 

Grande parte de sua pesquisa se concentra em videogames aconchegantes, uma frase que ela buscou introduzir na literatura acadêmica com seu artigo de 2020 "Towards the aesthetics of cozy video games" (Rumo à estética dos videogames acolhedores). 

"Eles são definidos como aqueles jogos que evocam a fantasia de segurança, suavidade e abundância", disse Waszkiewicz à Epic Games Store. "Mas, para mim, jogos aconchegantes são principalmente sobre segurança. Então, tudo é seguro, certo? Ou muitas coisas são seguras. A jogabilidade é segura, ou a narrativa é segura, ou a estética é segura. Então a leveza também é só estética. Segurança e abundância também são apenas uma questão de segurança." 

Jogos aconchegantes são anteriores à pandemia, mas ela vê esse período como um catalisador para o gênero, ajudando as pessoas a pensar diferente sobre o que os videogames poderiam ser. 

"Em [2020, com] Animal Crossing[: New Horizons]", disse ela, "começou a se popularizar a ideia de que os jogos podem ser diferentes, mais suaves, mais lentos, e tudo mais." 

É exatamente o que Outbound faz em um mundo pós-pandemia. 

"Estamos tentando ser o mais claros possível em comunicar", disse Marc Volger, "que este é um jogo tranquilo, e que não há caça, não é bem um jogo de sobrevivência e criação no sentido original, porque não há muita pressão para fazer muitas coisas. Mesmo que você sinta muita fome, você desmaia, volta para perto do seu veículo e pode ir de novo. Então não é bem um ambiente hostil nem nada. E foi isso que também deu uma sensação de férias, ou de uma viagem de carro."
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Inspiração, não simulação 

Outbound segue um caminho diferente de um jogo como Power Wash Simulator 2. Em vez de apostar em simulação direta, ele se inspira tanto na vida em vans quanto em viagens na estrada e, à sua maneira, confere alguns dos aspectos mais agradáveis aos jogadores por meio de uma experiência aconchegante. 

"Outbound não é um simulador", disse Tobi Schnackenberg. "Não queremos simular a experiência da vida em vans 100% como seria na vida real. O que queremos fazer é pegar a sua imagem romantizada da vida em vans, o que você imagina que ela seja, e colocar isso em um jogo, fazendo você vivenciá-la como gostaria que fosse."

Esse é um princípio fundamental de muitos jogos aconchegantes, segundo a Dra. Waszkiewicz. Eles permitem um pouco de interpretação e fantasia, desprovidos do estresse inerente a muitos outros jogos. 

"Escrevi um livro sobre comida em jogos", disse ela, "mas sou uma péssima cozinheira. Eu não sei cozinhar. Mas eu sei que, se abrir aquele jogo e seguir as instruções, farei um prato lindo, certo? E isso é muito gratificante e agradável. Então, o esforço e a recompensa sempre se equilibram, o que, na vida real, você não consegue." 
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Jogos aconchegantes como Outbound também tendem a ter uma sensação de previsibilidade suave. Há uma correlação direta entre seu esforço e seus resultados. 

"Em um jogo aconchegante, você sabe que é confiável", disse Waszkiewicz. "Você sabe que, se entrar em Animal Crossing, vai encontrar o que procurava em Animal Crossing, certo?" 

A Dra. Rachel Kowert já viu esse tipo de coisa surgir em videogames e em sua própria vida.  

"Acho que isso reflete algo que os jogos estão especialmente posicionados para fazer: permitir que as pessoas experimentem um estilo de vida sem precisar desestruturar toda a sua vida para isso", disse ela. "Nesse sentido, a vida em vans é aspiracional, com uma qualidade exploratória que se adapta bem à forma interativa. E Outbound parece estar fazendo isso de forma cuidadosa, inspirando-se na essência em vez de apenas na estética: a van sustentável, o movimento de mundo aberto, a sensação de fazer de algum lugar um lar. Quando os jogos se envolvem com subculturas de forma respeitosa, eles podem realmente aprofundar o interesse no movimento real e apresentar às pessoas valores que elas talvez não tivessem encontrado de outra forma."

"Quanto a outros exemplos, crescendo em uma pequena cidade no Texas com uma forte cultura local de skate, eu diria que os jogos de Tony Hawk fizeram algo parecido. As melhores entradas nessa série pareciam cartas de amor à subcultura, e não explorações dela." 
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Uma base móvel 

Conforme o desenvolvimento de Outbound avançava, os desenvolvedores da Square Glade Games se inspiraram em jogos de sobrevivência, que tendem a ser inerentemente estressantes enquanto se luta por sustento e sobrevivência, mas com um toque aconchegante a mais. E muito desse aconchego está diretamente centrado em personalizar a van. 

"A ideia era: se tivermos um veículo no mundo, o que podemos fazer é construir sua base sobre ou ao redor desse veículo", disse Tobi Schnackenberg. "E você sempre pode levá-lo com você porque, em muitos jogos, você constrói sua base em algum lugar, e então vai embora para outro lugar quando não precisa mais de nada daquela área. E vimos essa necessidade nestes jogadores de sobrevivência. Eles diziam: 'É, isso é meio tedioso. Ou eu tenho que ficar indo e voltando o tempo todo, ou tenho que criar uma segunda base, ou tenho que demolir minha primeira base e criar uma segunda em outro lugar'. Alguns jogos usam sistemas de teletransporte e coisas do tipo. Há todo tipo de problema com isso."

A solução deles: manter a ideia básica da base, mas torná-la móvel. 

"Vimos uma oportunidade e pensamos: 'Ei, seria legal se desse para levar sua base com você. Basicamente, foi daí que veio a ideia de Outbound e então a combinamos com a fantasia da vida em vans logo depois. Mas, primeiro, a ideia foi que queríamos algum tipo de veículo em movimento no mundo. E queríamos que fosse tranquilo e relaxante, porque as pessoas parecem gostar muito disso. E então a combinamos isso com a vida em vans, porque simplesmente fez muito sentido." 
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Isso corresponde às experiências da vida real das pessoas com quem conversamos. 

"Pela minha própria experiência pessoal", disse Cody Rodriguez, "fiquei surpreso com o aprendizado de quanto gostei de viver em uma minivan da forma mais minimalista possível. Eu havia acumulado algumas experiências espetaculares em minhas viagens internacionais, mas me senti mais em casa e no controle da minha vida enquanto estava na van."

Essa sensação de controle ressoa com Freedom. "Quando parti pela primeira vez", disse ele, "eu tinha, literalmente, US$ 50 e um tanque cheio." Houve momentos difíceis na estrada. Não era sempre como você vê no Instagram, segundo ele. E quando ele deu uma olhada em Outbound, ele viu algumas semelhanças interessantes com a experiência dele. 

O maior elo entre todos eles é a liberdade que você tem para se perguntar: 'Poxa, como será lá?' Você pode simplesmente dirigir até lá e, essencialmente, sim, a ideia é a mesma. Você tem sua própria configuração. Uma das minhas coisas favoritas, por ter vivido a vida toda nas montanhas (Idaho e Colorado), é simplesmente estacionar em uma praia onde é permitido dirigir, abrir a traseira da minha van... abrir as portas duplas, ou a porta traseira da minivan, e lá está sua casa. Então, isso me faz sentir diferente em relação ao jogo, é daí que vem o conceito deles. Reforçamos que é um jogo irrealista, aconchegante e com estilo de desenho animado, então é mais extravagante, se assim preferir, mas o conceito é o mesmo. E isso é legal, porque é disso que se trata, na verdade. 
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Você na direção da sua própria aventura 

Ao conversar com desenvolvedores de jogos aconchegantes, surge um tema. Muitos videogames têm uma motivação integrada do tipo "Se você não salvar o mundo dos invasores alienígenas malignos, quem vai?". Muitos jogos aconchegantes rejeitam explicitamente essa fórmula, o que seria um anátema para a parte aconchegante da frase. Então a questão é: como criar uma jogabilidade cativante na ausência de estresse inerente? 

"Do ponto de vista mecânico", disse Schnackenberg, "funciona assim: no início, você começa com sua van de campismo bem, bem básica. É como qualquer outra van, basicamente. Ela está vazia, com uma base, uma estação de trabalho e só. E no início, você pode começar a mobiliá-la por dentro, colocando algumas bancadas onde você pode colocar suas estações de trabalho, suas unidades de produção e seus jardins, e tudo o mais que puder colocar lá. E em algum momento, você pode simplesmente, é claro, dirigir para onde quiser e montar acampamento. Montar acampamento em Outbound funciona abrindo a porta lateral do veículo." 

"Não quero chamar isso de problema (porque não é), mas é um tópico interessante no design deste jogo, porque você tem razão, não é tão direto quanto ir atirar em alguém ou ir encontrar alguém. Não queríamos fazer dele um jogo narrativo também. Então, tivemos que usar as diferentes ferramentas que se pode usar em um jogo aconchegante, que a princípio é realmente o tutorial, e que vai além de pegar na mão dos jogadores e dizer: certo, agora vá para esta torre de sinal porque há algo interessante lá. Vá e baixe aquilo para construir algo a mais para sua van, que é literalmente um contador, e depois, beleza, vá construir um reciclador, que mostra que você tem estações de trabalho que podem fazer coisas por você. 

"E quanto mais você avança por esse tipo de tutorial guiado, na introdução, mais à vontade deixamos os jogadores, e eles basicamente ganham uma primeira área para explorar e podem fazer isso no próprio ritmo e com as próprias escolhas. Vão para a esquerda ou para a direita? E então, certamente no início, tentamos manter uma tarefa meio que no canto superior direito, onde as pessoas ainda têm um objetivo, se quiserem segui-lo. Mas esses objetivos são mais do tipo: 'Ei, vá visitar um ponto de referência', e esses pontos de referência estão claramente localizados no mundo, onde é possível vê-los de longe. Sabe, mesmo nos primeiros dois minutos dirigindo, você já consegue ver esses pontos de referência."
Screenshot 2Vida em vans e comunidade

Outbound foi criado como um jogo para um jogador, mas se expandiu durante o desenvolvimento e se tornou algo a mais, o que é perfeitamente natural tanto para os desenvolvedores quanto para a filosofia da vida em vans. 

A vida em vans pode parecer uma busca solitária, mas nem sempre é assim. Os adeptos desse estilo de vida frequentemente se encontram e realizam eventos, como o documentarista Jim Lounsbury presenciou ao participar e documentar o que ele chama de "reuniões da vida em vans". 

"Acho que esses festivais oferecem uma chance de se conectar com outras pessoas que pensam da mesma forma e entendem as mesmas coisas que você", afirmou ele. "Eles estão passando por coisas semelhantes às suas. Pessoas circulam nesses eventos, olham as configurações das vans umas das outras e pensam: 'Puxa, preciso instalar uma bateria de ciclo reverso! Não consigo porque continuo queimando meus fusíveis!' As pessoas simplesmente têm essas conversas, depois conferem as vans umas das outras, celebram o que estão fazendo, se solidarizam e se conectam umas com as outras."

Muitos desses eventos têm a atmosfera de festivais, como Cody Rodriguez também viu durante sua pesquisa. 

"Em geral, os eventos consistem em música, comida, dança e atividades ao ar livre relacionadas a acampamentos ao longo de três a cinco dias", disse ele. "A música é apresentada em um palco que conta com folk acústico e country alternativo durante o dia, rock elétrico ou reggae à noite, e música eletrônica de dança tarde da noite. Após alguns dias desse sentimento compartilhado de emoção e euforia, os adeptos da vida nas vans se separam e seguem direções diferentes como dois navios a vapor na noite. Nas primeiras vezes que isso acontece, pode ser um sentimento devastador, mas quando eles veem em primeira mão a probabilidade de se reencontrarem em algum lugar mais adiante na estrada, a despedida se torna um pouco mais fácil."

A expansão de Outbound de um jogo para um jogador para multijogador veio tanto da experiência quanto do acaso. 

"Fazer uma viagem de carro com amigos tem sido uma grande alegria na minha vida", disse Marc Volger. 

"Então você está realmente fazendo sua própria aventura e, se quiser jogar no multijogador, sim, você pode convidar seus amigos para sua aventura, é claro."
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Durante o desenvolvimento, um programador que trabalhava no mesmo espaço colaborativo da Square Glade Games ofereceu seus serviços para implementar o modo multijogador no jogo. E isso mudou o jogo significativamente. 

O que vemos é que, quando os jogadores jogam com amigos, o tom do jogo muda drasticamente. No modo para um jogador, o jogo é bem descontraído, relaxado, como uma experiência para se sentir à vontade e com os pés no chão", declarou Tobi Schnackenberg. "Eu diria que é quase espiritual. E quando eles jogam com amigos, de repente vira uma viagem na estrada, uma festa onde eles piram e se divertem. O tom muda muito, mas as tarefas e os pontos de interesse, tudo continua igual."

Essa mudança de tom bem-vinda realmente convenceu os desenvolvedores a limitar o modo multijogador a compartilhar uma única van. Ao jogar Outbound, você pode gerar um código e compartilhá-lo com amigos para convidá-los. Isso cria o tipo de experiência que está no coração de Outbound desde o início, como Marc Volger explicou. 

Uma pergunta que fazem com muita frequência é: "Todo mundo pode ter sua própria van?" E, claro, pensamos nisso e explicitamente optamos por uma van para todo o grupo, justamente para que vocês tenham essa experiência juntos. Vocês estão construindo algo juntos em direção a um objetivo comum, em vez de cada um ter seus próprios veículos e tentar, sabe, se esbarrar uns nos outros, como se estivessem numa corrida por recursos.
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Equilibrando autenticidade 

Outbound não é didático. Não aponta o dedo para os jogadores nem prega uma mensagem. Mas não é necessário ler tanto nas entrelinhas para encontrar algumas mensagens sutis. 

Desde a sua aparição no Kickstarter, seus desenvolvedores descreveram Outbound como "um jogo de exploração em mundo aberto ambientado em um futuro próximo utópico". As vans nesta versão particular de vida em vans são elétricas. Os jogadores aproveitarão o sol para gerar energia e serão recompensados por coletar lixo. E as únicas árvores que você pode cortar já estão mortas e caídas no chão. Em Outbound, assim como na vida real, vale a pena manter o mundo belo. 

"Aquela foi apenas uma decisão consciente, na qual dissemos: 'Certo, não é como se fôssemos punir as pessoas'", disse Schnackenberg. "É mais como um tom sutil que define o tom do jogo, basicamente." 

Ainda assim, há muitos recursos de qualidade de vida em Outbound também. Desfazer o acampamento da casa móvel é fácil. E refazer também. 

"Nós meio que escondemos tudo que é feio", disse Schnackenberg. "Não há banheiros de acampamento, por exemplo, nem chuveiros sujos que você tenha que usar em uma vaga de estacionamento ou algo assim. Tiramos tudo o que é ruim e mostramos apenas o lado idealizado que você veria on-line, e sabemos a realidade não é assim." 
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A equipe de Outbound da Square Glade Games, que em seu auge contava com aproximadamente oito ou nove freelancers, tem equilibrado cuidadosamente autenticidade, realismo e respeito pela subcultura da vida em vans desde os primeiros dias de desenvolvimento.

Segundo a dra. Rachel Kowert, esse é um desafio comum e uma oportunidade em potencial para os videogames. 

"Acho que o maior desafio pode ser a autenticidade", disse ela. "A vida nas vans como subcultura carrega valores reais, como sustentabilidade, anticonsumismo e comunidade, e esses valores podem parecer vazios se forem apenas uma fachada estética em um ciclo de progressão padrão. Há também a tensão entre a liberdade e a imprevisibilidade que tornam a vida em vans cativante na realidade, que pode competir com a necessidade de jogos (com design bem feito) oferecerem estrutura e feedback satisfatório. Com estruturas em excesso, a essência pode se perder; com poucas, os jogadores se sentem perdidos. O desafio de design aqui seria construir uma liberdade significativa (para explorar a realidade da vida em vans) em vez de apenas a ilusão dela.

"Eu acrescentaria que o apetite atual por jogos acolhedores nos diz algo especificamente interessante sobre o momento cultural em que estamos. Quando o mundo exterior parece implacavelmente caótico (política, social e ambientalmente), há algo verdadeiramente significativo em escolher passar seu tempo livre cuidando de um jardim, construindo uma comunidade ou dirigindo uma van por um mundo aberto tranquilo, no seu próprio ritmo. Isso não é escapismo em um sentido pejorativo. São pessoas que buscam intuitivamente experiências que ofereçam autonomia, calma e uma sensação de completude." 
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E, como alguém que viveu a vida em van, a experiência de Freedom parece se alinhar bem com Outbound, especialmente sua chamada aberta à exploração. 

O que realmente me motivou a isso, especialmente durante a COVID, foi que eu queria muito descobrir o que a liberdade é de verdade. O que é esse conceito? Ele existe? É alcançável? O que você precisa para ter ou sentir isso? E, somado a isso, eu queria ir a esses lugares onde nunca estive antes, na Costa Sul e Leste, e entender, em primeira mão, o país em que vivo e as pessoas com quem convivo. E que melhor maneira de fazer isso com imersão do que ir e trabalhar de fato nesses lugares, fazendo parte deles, onde fiquei por algumas semanas? Sinto que morava lá porque trabalhava lá. Fiz uma transmissão lá. Fiz tudo isso.

Confira Outbound na Epic Games Store antes do lançamento em 23 de abril de 2026.