
Alex Skidmore, da The Chinese Room, e Jason Carl, da White Wolf, falam sobre Vampire: The Masquerade – Bloodlines 2

Quando Vampire: The Masquerade – Bloodlines 2 for lançado em 21 de outubro, ele levará os jogadores de volta a um mundo explorado pela primeira vez há mais de 20 anos no clássico cult Bloodlines.
Muita coisa aconteceu tanto no cânone fictício quanto na história verdadeira do Mundo das Trevas durantes as décadas seguintes.
O primeiro Vampire: The Masquerade - Bloodlines se tornaria um destaque da linha de jogos e um de seus títulos mais conhecidos. Porém, somente alguns meses antes de chegar aos computadores em 2004, o universo fictício dos jogos de RPG de mesa se encerrou temporariamente, dividindo-se depois em duas versões distintas. O RPG de mesa sobreviveu àquele momento, continuando a prosperar até receber sua quinta edição atualizada em 2021.
O jogo de computador, no entanto, teve que esperar duas décadas, e seu novo protagonista 100 anos, para trazer os jogadores de volta à Máscara.
O Mundo das Trevas começou em 1991 com a publicação da primeira edição de Vampire: The Masquerade, que se apresentava como um jogo de mesa de "terror pessoal". Ele foi um dos primeiros jogos que permitia que você jogasse como os monstros, uma tendência que definiria parcialmente os anos 1990 na cultura pop.

Na tradição do Mundo das Trevas, os monstros vivem ao lado da humanidade desde o início da história documentada, em vários graus de sigilo. Muitos vampiros acreditam em um mito da criação, segundo o qual sua linhagem remonta ao Caim bíblico, o primeiro assassino. Todas as grandes civilizações humanas foram infiltradas pelos "Membros" em certa medida, desde os tempos modernos, em que eles controlam a sociedade discretamente das sombras, até períodos como a Idade das Trevas, em que os lordes vampiros governavam feudos inteiros publicamente.
A métrica orientadora do Mundo das Trevas desde o início foi que ele é como a Terra moderna, mas monstros espreitam nas sombras em cada canto, influenciando a sociedade humana. Alguns dos criadores originais costumavam chamá-lo de mundo "Gótico-Punk": é reconhecidamente o planeta que todos nós conhecemos, mas todas as instituições são terrivelmente corruptas, todos os arranha-céus têm gárgulas, tudo parece poluído e nunca deixa de chover. No Mundo das Trevas, cada cidade é a versão de Detroit mostrada em The Crow. É o cenário perfeito para contar histórias de assassinato, poder, safadeza e ganância que andam de mãos dadas com os vampiros modernos.
A Paradox Interactive possui os direitos do Mundo das Trevas e Vampire: The Masquerade desde 2015. Além de reviver o jogo de mesa com a nova quinta edição do livro (apelidada de V5) em 2018, a empresa também começou a licenciar a propriedade intelectual do Mundo das Trevas para estúdios, trazendo histórias mais exclusivas ambientadas no universo. Isso inclui jogos de Vampire, como Swansong de 2022 e Reckoning of New York de 2024, bem como a adaptação Werewolf: The Apocalypse e Heart of the Forest de 2022.

Agora a Paradox está em sua maior investida, em parceria com o estúdio britânico The Chinese Room. Vampire: The Masquerade – Bloodlines 2 é a aguardada sequência do clássico cult de 2004, Bloodlines.
Faltando apenas algumas semanas para o jogo ser finalmente lançado, conversamos com Alex Skidmore, diretor de design da The Chinese Room, e Jason Carl, gerente de marketing de marca da White Wolf, que foi relançada no início deste ano. Carl também é conhecido pela comunidade do Mundo das Trevas como o contador de histórias das séries de vampiros "LA By Night", "New York By Night" e "Seattle By Night".
Ambientado 20 anos após os eventos do primeiro Bloodlines, você joga Bloodlines 2 como Phyre, ou o Nômade, um vampiro ancião que esteve em torpor por 100 anos. Por algum motivo, seu personagem esteve em coma há um século, o que não é incomum para vampiros.

"Nós deixamos isso (o coma de Phyre) para que os jogadores pensassem sobre o fato e se perguntassem do motivo" diz Skidmore. "Eles fizeram isso para protegê-lo? Foram forçados a isso? Acontece esse tipo de conversa."
É possível personalizar as vestimentas, o sexo, o clã e a aparência de Phyre, mas, em todos os casos, você acorda em um país onde nunca esteve e uma cidade que não reconhece.
Por alguma razão desconhecida, Phyre se encontra na Seattle moderna durante uma nevasca que só ocorre uma vez a cada século, a 9.000 quilômetros de seu antigo lar. E para piorar, há uma marca estranha na sua mão que o impede de usar todo o seu poder.
Mesmo com essas limitações artificiais, você é uma figura de peso na Seattle moderna, já que os vampiros mais velhos são mais raros do que costumavam ser. Nos últimos anos, muitos dos Membros mais poderosos foram obrigados a viajar para o Oriente Médio devido a um fenômeno chamado de Chamado (Beckoning). Isso deixou um grande vazio de poder em seus territórios anteriores.

Como resultado, Bloodlines 2 não é sobre você trabalhar do zero até virar anti-herói. Você pode não estar com seu poder total, mas Phyre é um ancião estabelecido e confiante. O importante não é saber se você conseguirá sobreviver e prosperar nesse ambiente, mas como ele se adaptará à sua presença.
Isso levanta a questão imediata: por que Phyre pode permanecer em Seattle? Como um vampiro de aproximadamente 400 anos de idade (de acordo com Skidmore, Phyre menciona em um ponto que eles são mais velhos que os EUA), ele deveria estar sujeito ao Chamado, o que significa que o primeiro passo após o despertar deveria ser reservar um voo para Dubai. Segundo Carl, não é algo tão simples assim.
"Não é uma ciência exata, certo?" diz Carl. "Muitos anciãos vivenciam o Chamado, porém nem todos. Falamos sobre isso em muitos dos complementos da V5, especialmente em um dos nossos mais novos, o Gehenna War. Alguns anciãos mentem sobre isso e usam o Chamado como desculpa para sumir de cena, se reinventar ou confirmar atos terríveis que gostariam de esconder sob o disfarce desse conflito. O Chamado é muito conveniente para eles."
"Definitivamente não é universal", continuou Carl, "e não está claro exatamente o que desencadeia o Chamado e como ele se manifesta. Alguns anciões permanecem completamente livres dele para sempre, pelo que sabemos, e outros sentem a atração imediatamente... por algum motivo, Phyre não passa por isso."

Phyre pode de fato ter motivos para se arrepender disso, já que a Seattle moderna é uma cidade sitiada. No inverno de 2024, o submundo sobrenatural de Seattle está passando por uma guerra em três frentes: entre a elite vampira estabelecida, os anarquistas que tentam derrubá-la e a equipe de ataque do governo que está aqui para matar todos os vampiros que encontrar.
Seattle é controlada pela Camarilla, a mais civilizada das várias sociedades secretas de vampiros, desde sua fundação, há mais de cem anos. Embora as edições anteriores de Vampire retrataram Washington como um dos vários estados dos EUA controlados pelo Movimento Anarquista, vampiros que deliberadamente abandonaram a estrutura e as regras da Camarilla, a Seattle de Bloodlines 2 tem sido uma fortaleza para a Camarilla por mais de 100 anos.
"A Seattle de Bloodlines 2 está dominada por Lou Graham", diz Skidmore, "que foi uma figura histórica real."
A Lou Graham da vida real foi uma famosa madame no final do século XIX, em Seattle, que administrava um bordel no que hoje é o bairro Pioneer Square. Em Bloodlines 2, ela não é apenas um membro de alto escalão da elite vampírica de Seattle, mas também a antiga governante dos Membros da cidade, como membro do clã Ventrue. Prepare-se para passar bastante tempo com ela.
"Ela aparece no passeio pelo Seattle Underground [uma rede de túneis e passagens subterrâneas interligadas], que você pode fazer na cidade", diz Skidmore. "Além disso, como ela mesma dirá no jogo, ela também aparece no [versão do] passeio do jogo.
A lenda sobre Lou Graham nos primórdios de Seattle era que mais negócios eram fechados em sua "casa de entretenimento" do que na prefeitura. Esse nível de influência continua em Bloodlines 2, onde Lou atua como a força por trás do trono na cena secreta dos Membros de Seattle.
Os Membros tradicionalmente governam Seattle em Bloodlines 2 por meio de suborno e manipulação, mas sua principal ferramenta de proteção é um acordo secular chamado a Máscara. Sob a Máscara, todos os vampiros são forçados, sob pena de morte, a participar de uma conspiração mundial que visa manter os humanos comuns sem saber da existência dos vampiros.
"Gostamos desde o início da ideia de que Lou é quase como a chefe da máfia de Seattle", diz Skidmore. "Ela controla a polícia. Eles fazem parte da rede de informantes e ajudam a impor [a Máscara]. Assim, a polícia vigia as câmaras de segurança em busca dos Membros e ajuda-os a encontrar violações da Máscara.
O Mundo das Trevas entrou no século XXI, e é bem mais difícil manter o vampirismo em segredo na era dos smartphones. É especialmente desafiador em uma cidade como Seattle, que está tão dividida entre o antigo e o novo no Mundo das Trevas quanto no mundo real.
Como resultado, jogadores descuidados podem ter mais dificuldade em manter a Máscara do que tinham no Bloodlines original. Se Phyre não tiver cuidado ao usar suas habilidades sobrenaturais em público, pode chegar a um ponto em que a Camarilla será obrigada a tomar uma atitude.
"Temos um medidor que se enche à medida que você quebra a Máscara", diz Skidmore. "Não é uma ação isolada, como uma, duas, três vezes. É um medidor que se enche rapidamente, mesmo que seja só uma pessoa. Se alguém te vir correndo por uma parede, vai postar na hora nas redes sociais, né?"
"Acreditamos que provavelmente a Máscara é mais severa em Bloodlines 2 do que em Bloodlines, mecanicamente, porque o mundo evoluiu até este ponto", continua Skidmore. "Então, sim, você precisa ter mais cuidado. É por isso que, para quase todas as ações, você tem uma versão humana – correr, pular – e uma versão vampírica delas. Todas essas coisas, quando as introduzimos, colocamos um aviso de que elas quebrarão a Máscara."
Em 2024, a existência dos Membros ainda não é de conhecimento público, mas os governos humanos tomaram conhecimento de sua existência e adotaram medidas sérias para sua erradicação. Várias cidades importantes, como Londres e Paris, já foram completamente erradicadas dos Membros por essa nova operação, que os vampiros apelidaram de "Segunda Inquisição".
"Outra parte do cânone que mencionamos, e que afetou Seattle, é o suplemento Fall of London (Queda de Londres)," diz Skidmore. "Essencialmente, todos os vampiros de Londres foram exterminados devido ao uso de celulares e à capacidade dos caçadores de rastreá-los."
O centro do poder dos Membros em Seattle, seu "Elysium", é a Weaver Tower, que agora tem uma política de tolerância zero para todos os aparelhos eletrônicos. Nenhum vampiro da Camarilla tem permissão para levar celulares ou outros dispositivos de comunicação modernos quando estiverem em Elysium.
Skidmore explica: "É uma lei absoluta em Seattle, do ponto de vista da Camarilla – e os Anarquistas também a apoiam – que não se pode usar telefones celulares nem a Internet. Você não usa nada que os caçadores possam usar."
Em Seattle, esses caçadores são normalmente provenientes do Gabinete de Informação e Sensibilização (IAO), afiliado ao governo, uma equipe de operações secretas que investiga quaisquer assassinatos ou desaparecimentos suspeitos na cidade. As forças de intervenção estão equipadas com tecnologia especializada contra vampiros, como bastões térmicos, flechas explosivas para bestas e granadas de fósforo.
Outros jogos recentes de Vampire como Swansong colocaram você em conflito com os caçadores de vampiros modernos, mas focaram mais no lado religioso, já que muitos caçadores têm ligação direta com a Igreja Católica. O IAO em Bloodlines 2 é puramente construído como uma operação militar e representa uma ameaça maior para Phyre do que qualquer outro antagonista humano.
Além disso, a Camarilla de Seattle está em um conflito prolongado com o Movimento Anarquista. Devido às consequências políticas do surgimento da Segunda Inquisição, a Camarilla está formalmente em guerra com os Anarquistas.
Embora Seattle ainda esteja sob o domínio da Camarilla, a cidade também tem presenciado um grande influxo de sangues-ralos – Membros cujo sangue é tão fraco que mal podem ser considerados vampiros – devido às políticas tolerantes do atual governante de Seattle, JJ Campbell.
"Isso está causando conflitos e pressão na cidade, sobretudo porque os Anarquistas estão usando [os sangues-ralos] em seu benefício", diz Skidmore. "No momento em que começamos o jogo, ele está chegando a um ponto crítico. Os Anarquistas e a Camarilla... a paz instável que eles construíram ao longo de décadas está em um momento crítico, e o jogador pode ajudar a pressioná-la.
Cabe a você decidir o que fazer com isso. Você pode optar por jogar com Phyre como uma pessoa leal à Camarilla, que trabalhará para manter a cidade segura para a seita; um simpatizante dos Anarquistas, que não pensaria duas vezes em jogar os governantes de Seattle do topo de um prédio ao meio-dia; ou um ancião manipulador, que só quer construir seu próprio poder pessoal.
Você pode escolher um dos seis clãs para Phyre, o que influencia amplamente suas áreas de especialização sobrenatural; por exemplo, jogadores que querem arrombar portas e arrancar cabeças podem escolher o Brujah, enquanto os fãs de uma abordagem mais discreta podem tornar Phyre parte do Banu Haqim, um famoso clã de assassinos.
De acordo com anúncios recentes, Bloodlines 2 será lançado com a possibilidade de escolher entre os clãs Toreador ou Lasombra como clãs iniciais para Phyre, permitindo que você siga um caminho com foco social ao longo do jogo ou destrua seus inimigos com magia das sombras.
Jogar com Phyre como Lasombra pode ser a melhor opção se você deseja causar um choque cultural profundo. Até muito recentemente, o clã Lasombra formava a liderança do Sabá, uma seita que se opunha diretamente à Camarilla. (Se a Camarilla é Diários de um Vampiro, o Sabá é Quando Chega a Escuridão, de Kathryn Bigelow.) No entanto, uma grande facção dentro dos Lasombra desertou para a Camarilla na V5.
"Sempre que fizemos alterações nas configurações com as quais alguns jogadores não estavam familiarizados, tentamos garantir que houvesse explicações na história que justificassem isso ou, pelo menos, pudessem sugerir o que havia acontecido", diz Carl.
"Se você se lembra, seu personagem ficou em torpor por 100 anos", acrescenta Skidmore. "Isso mudou durante o sono, então acaba sendo mencionado no jogo se você jogar com Lasombra. Isso surge em diálogos e afins, o que é muito legal."
Além de Phyre, você também joga Bloodlines 2 como Fabien, um detetive Malkaviano que morreu recentemente e desde então se tornou uma voz na cabeça de Phyre. Durante as partes noturnas da história, Fabien atua como uma espécie de "controle de missão" para Phyre, ajudando a explicar detalhes cruciais sobre o mundo moderno. Você pode ignorar, concordar ou discutir com ele, conforme achar melhor.
"Todas as manhãs, quando Phyre se recolhe para descansar, jogamos como Fabien e vemos basicamente flashbacks dos eventos que levaram a essa situação", diz Skidmore. "Isso nos dá outra perspectiva sobre Seattle, porque não só voltamos a um passado não muito distante, antes da morte de Fabien, mas também a 100 anos atrás. Então, estamos contando essa história de Seattle e sua política ao longo de 100 anos através do olhar especial de Fabien."
"Isso é algo que se pode fazer com vampiros", continua Skidmore. "Tipo, eles vivem tanto tempo que, há 100 anos, você vê alguns dos mesmos personagens que Phyre vê nos dias atuais. É bem da hora."
Fabien, como um jovem vampiro da classe trabalhadora que trabalha para a força de segurança dos Membros de Seattle, também proporciona uma experiência geral diferente da de Phyre, como alguém que se encontra no extremo oposto do espectro de poder dos vampiros.
Ele também é um Malkaviano, com um conjunto distinto de habilidades baseadas na forma como você escolheu jogar com Phyre. Como Fabien, você foi designado para o Departamento de Polícia de Seattle para encobrir violações da Máscara.
"Na verdade, foram usados poderes para enganar todos ao seu redor, fazendo-os acreditar que você é um detetive que deveria estar presente", diz Skidmore, "mesmo que, em algum momento, alguém perceba que Fabien está lá há 100 anos. Mas sempre que isso acontecer, Fabien usará Dementation (Dementação) ou Dominate (Dominar) para resolver a situação."
No final das contas, no entanto, Bloodlines 2 é sobre Phyre e como você escolhe desenvolver sua narrativa. Seattle é uma presença importante na história de Bloodlines 2, mas Phyre está sempre no centro.
"Estamos contando uma história muito específica do Mundo das Trevas em Seattle”, diz Skidmore. “Foi aí que focamos nossa atenção. Tudo está definido: o equilíbrio, a política. Tudo está focado em Seattle."
"É uma história muito específica", diz Carl. "Esse é um pedacinho da história que se passa durante algumas noites na cidade... Seattle reflete as grandes conspirações vampíricas da Camarilla e dos Anarquistas em microcosmo, mas essa é a história de Phyre."
Vampire: The Masquerade – Bloodlines 2 será lançado em 21 de outubro na Epic Games Store.