
Murder by Numbers é uma maravilhosa e inovadora combinação de Phoenix Wright e Picross

O que é um assassinato misterioso sem uma grande revelação? Um romance de Poirot sempre culmina no detetive explicando a razão do assassino tê-lo feito, um caso de Lei & Ordem não se encerra sem uma confissão e um jogo de Detetive só acaba quando um suspeito, um local e uma arma são declarados.
Por outro lado, Murder by Numbers conta com um tipo mais calado de investigador. Enquanto outros jogos de mistério se concentram em objeções no tribunal e tiroteios em becos, essa joia indie de 2020 reúne suas emoções em algo claramente mais tranquilo: os nonogramas.

Você joga no papel de Honor Mizrahi, uma atriz de televisão com perícia em quebra-cabeças. Certo dia, Honor acaba em apuros após seu chefe a demitir de um programa de detetives do horário nobre, e então acabar morto. Agora sendo considerada uma suspeita, Honor precisa usar suas habilidades de atuação dentro do mundo real para solucionar o caso.
O que começa como um simples mistério evolui para uma conspiração ainda maior envolvendo quatro casos. Junto com o seu parceiro, S.C.O.U.T., Honor precisa entrevistar testemunhas, interrogar suspeitos e coletar evidências. Enquanto jogos de mistério tradicionais como os da série Ace Attorney possam fazer os jogadores explorarem uma cena do crime física, Murder by Numbers em vez disso esconde suas pistas atrás de quebra-cabeças de nonogramas.
Caso tenha jogado Picross, você terá familiaridade com a ideia. Cada linha ou coluna possui um número definido de blocos pretos, indicados por uma sequência de números do tipo "6 2 1". No exemplo anterior, a linha ou coluna tem um conjunto de seis blocos pretos, um com dois e outro com apenas um, com alguns espaços em branco entre cada conjunto. Usando a lógica correta, você consegue deduzir onde posicionar esses blocos. Quando um quebra-cabeças é preenchido por completo, ele revela uma imagem. No caso de Murder by Numbers, uma imagem de uma nova pista para examinar.

É um fluxo viciante que se torna de fato meditativo depois que você pega o jeito. Os quebra-cabeças levam de cinco a quinze minutos para serem resolvidos, gerando satisfação ao cérebro entre as sequências de diálogos mais cinematográficas do jogo. Adicione a capacidade de salvar a qualquer momento, mesmo durante os quebra-cabeças, e Murder by Numbers vira um jogo que você pode curtir tanto em sessões curtas quanto em maratonas mais longas.
Caso você pense que Murder by Numbers sacrifica a profundidade da história em favor de seus quebra-cabeças, não se preocupe. Além dos temidos quebra-cabeças, o jogo oferece personagens complexos. Honor deseja seguir os passos do seu falecido pai. S.C.O.U.T. é um robô que anseia por descobrir como é ser um humano. E então temos Gerry Cross, um detetive obstinado e de pavio curto. Cada um deles traz bastante energia, com animações expressivas e frases sarcásticas.
Junte tudo isso a uma trilha sonora composta por Masakazu Sugimori, que também trabalhou no Phoenix Wright: Ace Attorney original (entre outros jogos). Assim como nos jogos de Ace Attorney, Sugimori deu a cada personagem um tema distinto, desde o frenético "SCOUT's On The Case!" até o sentimental "Detective Cross - Justice Takes Time". Um jogo padrão de Murder by Numbers, do início ao fim, leva em torno de 20 horas, porém as músicas de Sugimori nunca envelhecem.

Caso esteja procurando uma história criativa ou só queira curtir um bom jogo de quebra-cabeças lógicos, Murder by Numbers promete botar a cabeça para trabalhar — e um pouco mais. Obtenha o jogo hoje na Epic Games Store.