
Poosh XL é um jogo de um botão com uma profundidade excepcional

Mesmo nestes dias inebriantes de tantos roguelites, ainda acredito que nós — como geração de jogadores — nos esquecemos da brutalidade dos jogos de fliperama. Aqueles gabinetes enormes foram projetados para nos encarar de volta por suas telas foscas e nos assistir falhar vez após outra. Porque a cada derrota desembolsávamos outra ficha.
Poosh XL é uma breve lembrança pungente daquela época. Um jogo sobre fracassos repentinos e implacáveis combinados com uma compulsão que te consome até tentar mais uma vez. É um conceito muito simples: presa à sua nave neon, uma flecha semelhante a um pêndulo invertido oscila perpetuamente de um lado para o outro; ao clicar (ou pressionar o botão A), a nave voa na direção da flecha. Se bater em alguma coisa, incluindo paredes, obstáculos fixos ou inimigos em movimento, você morre na hora. E é isso. Realmente é um jogo de um botão só.
E isso basta. Sua flecha-pêndulo (pendulecha? Flêndulo?) se carrega entre os movimentos, ou seja, quanto mais tempo sem acioná-la, mais forte será seu impulso. Um lembrete inteligente de que você não está com pressa. É tentador voar o mais rápido que conseguir e manter o ímpeto, executando o próximo movimento antes que a aceleração do anterior diminua até você parar. Mas isso sempre leva a desastres. É muito melhor jogar com calma e de maneira metódica. Os únicos limites de tempo são os das breves habilidades bônus, as quais você coleta voando através de itens flutuantes. Quando não estiver aproveitando as vantagens de uma breve invulnerabilidade ou de uma distância extra de movimento, leve o tempo que precisar.

Cada tentativa fracassada deixa uma marca no percurso, o que faz você se sentir triunfante ao cruzá-la em uma tentativa posterior, e também oferece sua maior distância percorrida como objetivo. Isso funciona como um motivador excelente, porque uma derrota vergonhosa no início se torna um estímulo quando você se supera.
A estética de Geometry Wars também não é coincidência. Há algumas ideias emprestadas aqui, incluindo poços gravitacionais em alguns obstáculos, tudo muito bem representado por gráficos nítidos e claros.
Além do modo Survival (Sobrevivência), há uma série de desafios com trajetos mais curtos que cronometram quanto tempo você leva para concluí-los. Ou, se você for como eu, só marcam à toa quanto tempo você leva para morrer graças à sua inaptidão inerente. Juro que às vezes parece que meu subconsciente mira nos obstáculos.
Os desafios oferecem um conforto à inutilidade da repetição de um nível, deixando você descansar e ser inútil em outro nível por um tempo.
O mais importante de Poosh é que ele é muito divertido. Pode parecer simplista demais, mas essa questão é a essência dos jogos de arcade: é divertido de pegar e jogar? Você iria querer colocar outra ficha imediatamente? E o Poosh passa nesse teste com facilidade. Na verdade, é uma pena ele não estar em máquinas de fliperama pelo país. Alguém faz isso por mim.