
30 anos de Resident Evil: o que você precisa saber antes de jogar Resident Evil Requiem

O Resident Evil Requiem do ano que vem marca o início de uma série de terror de sobrevivência de longa duração na Epic Games Store. Além disso, é também o primeiro passo na comemoração de 30 anos do Resident Evil, que originalmente chegou para PlayStation em 22 de março de 1996.
Quase que de cara, Resident Evil construiu uma reputação baseada em ter uma das narrativas mais insanas na história dos videogames. Dizem que Resident Evil Requiem foi feito como um ponto de partida acessível, com o início de uma nova história com uma nova pessoa protagonista.
Mas mesmo assim, é bom saber como chegamos nesse ponto. Se a sua ideia é começar a jornada no mundo do terror de sobrevivência com o Resident Evil Requiem ano que vem, temos aqui um guia rápido e prático sobre a história até agora, como é contada por seus vários arquivos e detalhes contextuais.
Criando canalhas melhores
O mundo do Resident Evil é parecido com o nosso, apesar de ter diversas cidades e países diferentes. Sendo assim, o primeiro grande ponto de divergência é a Umbrella Corporation, uma gigante farmacêutica que foi fundada nos Estados Unidos nos anos 60. Em 1998, já era praticamente impossível fugir da Umbrella, já que havia produtos como shampoo, analgésicos e macarrão instantâneo presentes em casas mundo afora.
Embora a venda de remédios da Umbrella fosse lucrativa e útil, o foco verdadeiro da empresa era outro: nos bastidores, os fundadores da Umbrella (Ozwell Spencer, Edward Ashford e James Marcus) eram bilionários de família tradicional que criaram a companhia como fachada para seus campos de pesquisa individuais.

Nos anos 60, Spencer e Marcus encontraram um vírus estranho em uma parte isolada da África Ocidental, que eles passaram a chamar de Progenitor. Marcus logo descobriu que o Progenitor tinha a habilidade de rejuvenescer células mortas, transformando humanos em zumbis meio-vivos, e ele em seguida ficou obcecado com o potencial do vírus.
Spencer, por outro lado, viu no Progenitor não só uma maneira de ficar ainda mais rico, como também um potencial método para "aprimorar" a raça humana através de bioengenharia. Seu maior sonho era fazer a raça humana evoluir para uma espécie superior, sendo ele mesmo o deus dessa espécie.
Nem Marcus nem Spencer tinham um real interesse na ética por trás da pesquisa, e progredir na pesquisa do Progenitor envolvia uma taxa de mortalidade absurdamente alta.
A pesquisa do James Marcus sobre o Progenitor eventualmente resultou na criação de um novo projeto de codinome T-Vírus, que era mais controlável que o Progenitor. O T-Vírus é responsável por criar boa parte dos zumbis e muitos dos monstros que encaramos pelos últimos 30 anos do Resident Evil.

Marcus planejava usar o T-Vírus como meio para tomar a Umbrella, mas após ficar sabendo disso, Spencer fez com que ele fosse assassinado na surdina em 1978. Edward Ashford morreu em um acidente de laboratório não relacionado em 1968, ou seja, Spencer ficou como CEO da Umbrella e único restante dos fundadores da empresa.
O incidente original da mansão
Pelos próximos 20 anos, a Umbrella teve diversos laboratórios pelo mundo todo conduzindo pesquisas no T-Vírus, sendo muitas delas especificamente voltadas ao desenvolvimento de armas. Eles visavam usar as qualidades regenerativas do T-Vírus para criar monstros personalizados, como os Caçadores reptilianos, vendendo-os como ferramentas de guerra.
Um dos laboratórios pioneiros na pesquisa da Umbrella era uma instalação secreta no meio-oeste dos Estados Unidos, localizada nas Montanhas Arklay fora da cidade de Raccoon City. Tendo uma sede corporativa em Raccoon, a Umbrella investiu bastante dinheiro na cidade com o passar dos anos.
(Nota: o local exato de Raccoon City nos Estados Unidos nunca foi revelado pela Capcom. Entretanto, a comunidade de fãs percebeu que, como Raccoon fica às margens de um rio e a uma curta distância de uma cadeia de montanhas e de uma floresta nacional, um dos únicos lugares possíveis nos EUA seria o sul do Missouri.)

Mas tudo mudou em maio de 1998, quando o T-Vírus vazou no laboratório Arklay, exterminando toda a equipe de pesquisa da Umbrella. Pior ainda: várias das criações deles escaparam na floresta vizinha, incluindo diversos cães mutantes chamados de "Cérberus".
Após os cães matarem vários turistas na floresta próxima de Raccoon City, a polícia local designou as unidades do Serviço de Resgate e Táticas Especiais (STARS) ao caso. Apesar de a STARS ter sofrido diversas baixas no processo, eles descobriram as ligações da Umbrella com o laboratório e o T-Vírus.
Mas infelizmente, também descobriram que seu comandante estava na folha de pagamentos da Umbrella, e que a corporação governava Raccoon City com uma mão de ferro. Todos os quatro membros sobreviventes da STARS deixaram a equipe para ir atrás das próprias investigações sobre a Umbrella.
O desastre de Raccoon City
Já era tarde demais para Raccoon City. O laboratório Arklay estava no meio de uma floresta, e o T-Vírus era capaz de infectar praticamente todos os seres vivos, incluindo plantas. Tudo podia ser um vetor de infecção. Desde o primeiro vazamento em Arklay, o T-Vírus tinha adentrado continuamente Raccoon City, com vários funcionários da cidade mostrando sintomas logo em agosto de 1998.
Enquanto isso, William Birkin, cientista da Umbrella, estava trabalhando em um projeto que via como sua obra-prima: uma nova bioarma chamada G-Vírus, baseada na pesquisa em Arklay e aperfeiçoada no próprio laboratório de Birkin sob a Floresta de Raccoon. Porém, quase imediatamente após Birkin terminar seu trabalho no G-Vírus, uma equipe de ataque de mercenários da Umbrella atacou o laboratório dele para roubar o vírus.

O motivo real por trás do ataque varia entre as diferentes continuidades. Na versão original do Resident Evil 2, Birkin era um funcionário da Umbrella que planejava usar o G-Vírus para obter uma promoção, mas foi atacado devido a brigas internas na empresa. Na continuação do remake de 2019, o ataque da Umbrella foi em resposta aos planos de Birkin de levar a própria pesquisa aos militares dos Estados Unidos.
Birkin foi acidentalmente baleado durante o ataque e, para se vingar, se autoinjetou com o G-Vírus, o que o transformou em um monstro assassino e praticamente indestrutível. Ele rastreou e matou a maioria dos mercenários da Umbrella, mas quebrou vários dos frascos do T-Vírus dentro do sistema de esgoto de Raccoon City durante o processo; isso infectou dezenas de ratos, que carregaram o T-Vírus para a superfície da cidade.
Horas depois do ataque aos laboratórios de Birkin, centenas de pessoas em Raccoon City já tinham sucumbido ao T-Vírus e se tornado zumbis. Além disso, vários animais na cidade sofreram mutações em monstros específicos, e vários mutantes da Umbrella escaparam nas ruas.
Esse surto durou cerca de oito dias, entre 22 de setembro e 1º de outubro. A polícia local, sabotada internamente por um comandante insano, já estava extinta no dia 28, e outra equipe de mercenários da Umbrella foi estraçalhada logo ao chegar na cidade. Na alvorada do dia 1º de outubro, a situação tinha escalado a tal ponto que o governo estadunidense optou por apagar Raccoon City do mapa com um ataque de mísseis.
(Obs.: essa é a linha do tempo da série original, que foi revisada diversas vezes em vários jogos. No remake do Resident Evil 2 de 2019, a linha do tempo é ligeiramente menor.)

No momento do surto, Raccoon City tinha uma população de aproximadamente 100 mil pessoas. Embora a Capcom nunca tenha dado números oficiais, é sabido que menos de 50 pessoas sobreviveram ao incidente.
Uma delas é Alyssa Ashcroft, uma repórter de um jornal local em Raccoon City no momento do surto.
Requiem
Enquanto escrevemos, não sabemos muito mais sobre Alyssa, que era uma das personagens jogáveis no Resident Evil Outbreak de 2004 e na sequência de 2005. O final feliz dela nesses jogos mostra Alyssa escapando da cidade e depois escrevendo um livro sobre a experiência. Alyssa também fez uma participação especial no Resident Evil 7: Biohazard de 2017, onde é identificada como autora de um artigo do jornal encontrado no começo do jogo.
O que sabemos é que Alyssa eventualmente teve uma filha chamada Grace, e que jogamos enquanto Grace no Resident Evil Requiem do próximo ano, que se passa 30 anos após o desastre de Raccoon City. Oito anos antes dos eventos do jogo, Alyssa foi assassinada sob circunstâncias duvidosas, e Grace sai em busca de quem assassinou sua mãe.

Também vamos revisitar Raccoon City, que foi reduzida a uma cratera resultante dos ataques de mísseis ao final do Resident Evil 3. Trailers iniciais do Resident Evil Requiem mostram as ruínas da cidade, incluindo o que sobrou de vários locais importantes como a Delegacia de Raccoon City.
Em outras palavras, Resident Evil Requiem pode potencialmente seguir a deixa do final do Resident Evil Outbreak (há muito tempo considerada abandonada) sobre uma agência desconhecida que construiu uma instalação de testes nas ruínas de Raccoon City. Há também uma imagem distinta do logotipo da Umbrella Corporation em alguns dos trailers de pré-lançamento, ou seja, Grace pode acabar em conflito contra parte do legado da Umbrella.
A série do Resident Evil passou boa parte dos últimos 20 anos criando novas histórias após o desastre de Raccoon City. O T-Vírus foi curado no universo, e muitos dos jogos recentes são feitos em torno da presença de bioarmas novas e estranhas. Contudo, para o aniversário de 30 anos da franquia, parece que vamos acompanhar a Grace de volta às origens do Resident Evil.
Resident Evil Requiem chega na Epic Games Store em 27 de fevereiro de 2026. Se você comprar o jogo na pré-venda pela Epic Games Store, também vai receber o traje da Grace e outros itens no Fortnite.