
Seven: The Days Long Gone é um RPG em que você não escolhe lados, apenas alvos

Costuma acontecer uma mudança de cenário na maioria dos RPGs de mundo aberto, em que as colinas verdejantes dão lugar a uma vastidão urbana cheia de prédios irregulares e ruas repletas de caos e movimento. Quando isso acontece, certos jogadores trocarão suas espadas por gazuas e adentrarão os bairros residenciais, levados pela tentação da arte do roubo.
Nenhum RPG se aprofunda tanto nessa fantasia quanto Seven: The Days Long Gone, um projeto polonês indie pouco conhecido, ambientado numa ilha penitenciária no futuro distante. Sim, você poderá arrombar portas, mas também poderá decodificar cofres e hackear a rede dos trens de carga federais. Descubra para onde os PNJs estão olhando, o que eles podem ouvir, o que está em seus bolsos e ainda por quanto tempo eles permanecerão apagados depois de serem nocauteados.

Apesar de sua perspectiva isométrica, Seven também tem o conjunto de movimentos de Assassin's Creed. Você pode escalar prédios, encontrar rotas alternativas através dos mercados e catedrais e saltar do alto dos canos em cima da cabeça dos seus inimigos sem ser visto. Na verdade, devido ao vertiginoso design de níveis e da simulação profunda, este RPG poderia ser facilmente classificado como um simulador imersivo, assim como Thief e Dishonored. Tem até mesmo um poder chamado Flash que imita a habilidade Blink de Dishonored, permitindo que você se esconda ou faça saltos impossíveis através de recursos "tecnomágicos".
A equipe por trás de Seven trabalhou anteriormente na série The Witcher, na CD Projekt Red, e isso fica evidente. Você será um ex-presidiário em vez de um caçador de monstros, mas a ilha de Peh está repleta de vida selvagem mutante e muitas missões para fazer. Será necessário que você entre no modo Sense em algumas missões para farejar um rastro. Por exemplo, o da filha do fazendeiro prometida aos Biomancers quando atingir a maioridade, mas que fugiu com o amante. Ainda existem as infiltrações, nas quais você terá a chance de usar apetrechos que o Geralt jamais sonharia: dardos desativadores de câmeras, armadilhas de choque e um gás do riso aperfeiçoado por um prefeito exilado que te devia um favor.
Além dos resíduos tóxicos e terras agrícolas, ficam povoados bem movimentados e roubáveis. Peh se divide em facções estranhas e obcecadas por relíquias com seus próprios segredos, e seu protagonista caminha entre elas, observando tudo, mas sem tocar em nada. Seven fica ainda melhor quando todo esse mundo é construído com mecânicas furtivas, por exemplo, adentrar um posto avançado sem ser detectado usando a armadura de um Technomagi Soldier. Essa não é uma situação planejada na história, é uma das várias possibilidades permitidas pelo design aberto pelo qual o estúdio Fool's Theory optou aqui.

Talvez você reconheça o nome Fool's Theory, a desenvolvedora escolhida para liderar o projeto The Witcher Remake, uma "reimaginação moderna" do primeiro jogo da CD Projekt Red. Se quiser saber por que eles foram escolhidos, jogue Seven, o cartão de visitas ambicioso que comprova a capacidade dessa equipe de construir RPGs de alta escala com um diferencial. Eles finalmente ganharam algum destaque, mas são especialistas em passar despercebidos.