Novidades

Como a Hazelight Studios faz com que a jogabilidade de Split Fiction faça sentido

M
Matt Cabral
25 de mar. de 2025

Se você já ouviu alguma coisa sobre o mais recente título da Hazelight Studios, Split Fiction, provavelmente foi que essa nova aventura de ação cooperativa traz uma quantidade absurda de elementos de jogabilidade únicos. A premissa inspirada de Split Fiction — na qual as aspirantes a escritoras Mio e Zoe ficam presas dentro de suas próprias histórias — lança os jogadores em uma variedade aparentemente infinita de cenários de ficção científica e fantasia.

Essa abordagem de dois gêneros, por si só, já prepara o terreno para uma experiência que passa tanto por galáxias distantes quanto por encontros com monstros míticos. Mas, embora você possa esperar atirar com blasters e lançar feitiços em igual medida, esses elementos específicos de gênero nem chegam perto de arranhar a superfície das mecânicas únicas e pontuais de Split Fiction.

Desde surfar em minhocas gigantes do deserto e escapar de sóis explosivos até acelerar em motos de luz e liderar primatas numa fila de conga, você mal terá tempo para respirar, muito menos para se entediar.

Mas o que dizer da narrativa e da caracterização de Split Fiction? Será que essa variedade incomparável de jogabilidade compromete a coerência e continuidade da história? Será que Zoe e Mio são meros peões em uma coleção glorificada de minijogos?

Pelo contrário. Apesar de sua abordagem aparentemente caótica, Split Fiction se apoia sabiamente em alguns elementos-chave cuidadosamente elaborados para dar sentido a tudo.
 

No fundo, é um jogo de plataforma focado em quebra-cabeças


Ao longo dos oito capítulos do jogo, Mio e Zoe utilizam uma ampla variedade de habilidades, poderes e talentos. Somando-se a isso, há uma dúzia de missões secundárias — cada uma com seus próprios aspectos únicos — garantindo que você aprenda algo novo a cada poucos minutos no ritmo acelerado de Split Fiction.
Split Fiction 2
Mas, embora você possa se ver controlando um porco flatulento logo depois de usar um laço a laser contra um chefe empunhando um martelo, você perceberá que esses cenários distintos têm algumas coisas em comum. Esses dois desafios (e praticamente todos os objetivos em Split Fiction) exigem habilidades de plataforma e de resolução de quebra-cabeças.

A primeira é uma parte essencial da jogabilidade, já que raramente você dará mais do que alguns passos sem correr, pular, investir ou usar seu gancho. Complementadas por saltos duplos e corridas na parede, essas habilidades acrobáticas são usadas constantemente, seja para deslocamentos rápidos ou desafios de plataforma mais complexos.

Os quebra-cabeças são igualmente frequentes, desafiando você e seu parceiro cooperativo a usar habilidades novas ou existentes para superar obstáculos, navegar por ambientes traiçoeiros e descobrir fraquezas dos inimigos. Eles são uma parte constante do jogo. Assim, mesmo que pareça que você está sempre fazendo algo novo — especialmente quando alterna de um ninja cibernético imbatível para um suíno flatulento — Split Fiction ancora sutilmente esses momentos aparentemente díspares em dois gêneros familiares.
 

Os autores ancoram o absurdo


Se não fosse pela troca de diálogos entre Zoe e Mio, Split Fiction poderia, de fato, parecer apenas uma coleção de minijogos ou um conjunto aleatório de desafios. As interações frequentes das personagens não só servem como lembretes regulares de sua situação incomum, mas também contextualizam os cenários bizarros em que se encontram.
Split Fiction 5
Há, é claro, a narrativa abrangente que as leva a tentar escapar de suas próprias histórias depois que um acordo de publicação impulsionado pela tecnologia dá errado. Esse enredo principal — que também explora o relacionamento em evolução entre as duas — serve como um fio condutor, aprofundado por cenas cinematográficas e conversas dentro do jogo. Mas, frequentemente, é o bate-papo casual entre elas que ajuda os jogadores a entender por que, por exemplo, acabaram de enfrentar um rei gato gigante em um castelo de gelo.

Se você prestar atenção, perceberá que tudo o que encontra pelo caminho — por mais estranho que pareça — tem alguma conexão com a vida das autoras ou algo que emergiu de suas imaginações ativas. Aquele chefe felino gelado, por exemplo, é a manifestação de um gato brigão que Zoe conheceu na infância. Muitas das missões até incluem bancos escondidos, onde os jogadores podem se sentar opcionalmente para ouvir Zoe e Mio conversarem.
 

Zoe e Mio sabem o que está acontecendo


Os jogadores são lançados nos capítulos de Split Fiction sem nenhuma explicação. Num momento, você está salvando a galáxia; no seguinte, está espirrando mostarda em sua parceira, que virou um cachorro-quente. Zoe e Mio estão tão confusas quanto o jogador no começo da história, mas logo percebem que estão tentando sobreviver dentro de suas próprias narrativas.
Split Fiction 3
Essa consciência é mais uma maneira pela qual Split Fiction ancora os jogadores em sua realidade. Por mais estranhas e aleatórias que suas circunstâncias possam parecer do lado de cá do controle, as protagonistas se sentem em casa nos mundos que criaram. Como mencionado antes, as conversas entre Zoe e Mio frequentemente adicionam contexto a um mundo, personagem ou criatura, mas é igualmente divertido quando o conhecimento de sua própria arte as alerta sobre o que está por vir.

Elas frequentemente demonstram alegria — ou pavor — ao perceber que suas criações podem ganhar vida a qualquer momento. É fantástico quando Zoe conhece o macaco falante que ela e sua irmã imaginaram na infância. É igualmente divertido (e um pouco assustador) quando Mio insiste que elas saltem de uma aeronave porque ela sabe que está prestes a explodir.
 

O "mundo real" existe dentro da história


A maior parte de Split Fiction se desenrola nos mundos imaginativos criados por Mio e Zoe. Mas o jogo também mantém os jogadores conectados à realidade com visitas regulares à Rader Publishing, a empresa nefasta responsável pelo dilema das escritoras.
Split Fiction 7
Enquanto você viaja pelos mundos fantasiosos e pesadelos distópicos de ficção científica, os vislumbres frequentes da Rader — onde as desventuras das protagonistas começaram — nos lembram que tudo está ligado ao "mundo real" do jogo. Mesmo enquanto Mio e Zoe escalam gigantes e participam de game shows de vida ou morte, as pessoas sinistras que as colocaram nessa situação ainda vivem em um mundo real (ainda que futurista), muito parecido com o nosso.

Split Fiction já está disponível na Epic Games Store.