
Still Wakes the Deep é "O Enigma de Outro Mundo ambientado em uma plataforma petrolífera"

Still Wakes the Deep é "O Enigma de Outro Mundo ambientado em uma plataforma petrolífera", de acordo com o designer principal Rob McLachlan em referência ao filme de terror de 1982 produzido por John Carpenter que se desdobra em um centro de pesquisas remoto.
E essa é uma ótima comparação. Still Wakes the Deep é um jogo de terror narrativo sobre Caz McLeary, um trabalhador que atua em uma plataforma petrolífera da empresa fictícia Beira Delta no litoral da Escócia. Preso nesse local gélido e isolado, McLeary precisa tentar entender os acontecimentos por trás de um desastre que ameaça tanto sua própria vida quanto as vidas de seus colegas de trabalho — além, claro, de tentar sobreviver à temível presença que vaga pela plataforma. Esse título está sendo desenvolvido pela The Chinese Room, conhecida por sucessos imersivos como Dear Esther, Amnesia: A Machine for Pigs e Everybody's Gone to the Rapture. Assim como seus predecessores, o jogo não foca tanto em instigar reações cruas — ele é mais voltado para a exploração, a resolução de quebra-cabeças, o personagem e a história.

De acordo com McLachlan, a equipe de desenvolvimento optou por situar Still Wakes the Deep em uma plataforma petrolífera no Mar do Norte desde o começo. "A plataforma petrolífera era o núcleo, uma imagem muito atraente de uma ilha de aço contornada pelo mar invernal" explica ele, detalhando como a história se passa nos anos 70, época em que esse tipo de plataforma começou a ser construída nos arredores da Escócia e que não contava com as opções sofisticadas de comunicação com o mundo externo que vemos hoje em dia.
A diretora-auxiliar de arte Laura Dodds também comentou que a equipe assistiu a vários arquivos de gravações em vídeo para garantir que a ambientação de Still Wakes the Deep seria bastante precisa. "Temamos decifrar quais tipos de maquinário estávamos vendo, para que serviam e se poderíamos usá-los na narrativa ou nas mecânicas do jogo", acrescentou ela. "Depois que soubemos como essas plataformas são construídas e quantas coisas podem dar errado, nossa maior surpresa foi ver que elas funcionavam!".
Junto a toda essa sensação de isolamento estranho do título, a história de Still Wakes The Deep se passa na época do Natal que, devido à comemoração, deixa a plataforma com poucos trabalhadores ativos. As decorações festivas que podemos ver espalhadas pelo local dão um ar de estranhamento, reforçando a distância que o jogador está dos confortos de um lar e da segurança da civilização.

De maneira geral, Still Wakes the Deep é um jogo de sobrevivência, mas que não conta com um foco em armas. "Somos muito fãs do gênero de terror de sobrevivência", conta McLachlan. "É fascinante ver como os jogos desse gênero brincam com o controle que o jogador detém ao limitar o acesso a armas e poderes, ao restringir a quantidade de munição, mana ou poderes psíquicos disponível, ou ao usar um sistema de degradamento de armas".
"Esses métodos podem dominar grande parte do jogo (de forma intencional ou não) e, para Still Wakes the Deep, queríamos focar todo o nosso esforço na história e na experiência. E é por isso que optamos por usar o termo "terror narrativo" para esse título. Também sou da opinião de que não faz sentido termos armas, mesmo que temporárias, na plataforma petrolífera diante da ameaça que os jogadores enfrentarão".
Assim como nos outros jogos da The Chinese Room, os laços entre os personagens são uma parte bem importante da história. "Sinto que existe um tema comum entre os lançamentos da The Chinese Room", comenta McLachlan. "São as relações e conexões humanas, além do poder duradouro dessas relações perante situações de pressão e a passagem do tempo".

"Em Still Wakes the Deep, existem relações incrivelmente importantes para a história de o jogo como um todo — como a relação entre Caz, o personagem principal, e Suze, sua esposa, as relações entre Caz e seus colegas de trabalho, ou as conexões desses colegas com suas famílias que moram fora da plataforma. Essa teia de interconexões humanas que se estica, se rompe e se funde sob pressão precisa estar bem no coração da nossa narrativa. Espero que os jogadores percebam isso e apreciem esses elementos".
No entanto, devo dizer que a plataforma petrolífera em si é o elemento mais intrigante desse jogo, com cômodos e corredores que servem como pano de fundo para todo o drama humano que se desenrola durante a trama. "Criar a plataforma foi um processo desafiador e um exercício recompensador para os designers de fase, os artistas de ambientação e luz, e a equipe de design de som", detalha McLachlan. "Sempre temos que equilibrar a compreensão do ambiente com plausibilidade, realismo e as necessidades do ritmo do jogo".
"Existem espaços em que as chaminés verticais ou as passagens suspensas sobre o mar (ou sobre um abismo) causam uma sensação de vertigem. Também temos áreas internas muito mais densas, onde florestas de canos e válvulas obscurecem a visão e induzem ao pânico e à incerteza. Cada espaço foi feito com base na função que teria tanto na plataforma quanto no jogo em si. E como as estruturas dos espaços tendem a seguir as funções exercidas por eles, começamos a pensar em quais sensações queríamos despertar nos jogadores a partir da concepção básica desses locais (claustrofobia, tensão, espanto) e construir coisas tendo isso em mente".

McLachlan diz que é possível jogar apenas o modo história, especialmente em momentos em que o terror se torna maçante demais. De acordo com ele, algumas das pessoas que testaram o jogo mal podiam esperar para poder passar dos momentos mais assustadores o mais rápido possível. De forma geral, ele espera que todos que jogarem esse título sintam um pouco de medo em algum momento.
"Queremos atingir todas as fobias. Claustrofobia, talassofobia (medo do mar e de águas profundas), acrofobia (medo de altura) e até submecanofobia (objetos feitos por humanos para serem utilizados debaixo d'água) — queremos colecionar todas! Nós criamos um ritmo de jogo que tentar mexer ao máximo com o jogador".
"Porém, acima de tudo, queremos que enquanto estiverem na pele de Caz McLeary, as pessoas consigam vivenciar a extrema experiência de solidão e isolamento que é ficar confinado em uma estrutura remota acima do mar hostil. Queremos que a água gélida que entrou abordo maximize esses recursos e os transforme em um terror primordial sobre o corpo humano e a humanidade em si — além de também queremos ver como será a resposta dos jogadores ao serem expostos a algo que vai além da imaginação".
Still Wakes the Deep está com lançamento previsto para dia 18 de junho na Epic Games Store.