
O vibrante Watch Dogs 2 é rico em personagens

Todos nós queremos salvar o mundo, hackear o planeta e fazer as corporações malignas caírem de joelhos. No entanto, esta é uma fantasia desafiadora e difícil de realizar, e a Ubisoft não entendeu de verdade sua própria fórmula até a segunda parceria dela com a DedSec em Watch Dogs 2. Deixando para trás a jaula sombria e melancólica de Chicago para dar espaço aos ilustres arranha-céus e raios de sol do Vale do Silício, a série de mundo aberto de fato encontrou o lugar dela em sua sequência. Este lançamento substitui o vigilantismo de lobo solitário de Aiden Pearce por um grupo desorganizado de disruptores sociais diversos que nos fazem realmente desejar o sucesso deles, e que são liderados pelo herói Marcus Holloway.
Desta vez, nós temos Sitara, Josh, Horatio e Wrench oferecendo ajuda ao jogador. Os membros do grupo podem variar no que diz respeito a motivações e personalidades, porém eles desejam trabalhar juntos por um objetivo em comum, e com isso também acabam cuidando uns do outros. Nós acompanhamos o grupo heterogêneo nos momentos tanto de altos quanto de baixos, desde realizar feitos heróicos importantes a simplesmente debater sobre as melhores coisas da cultura nerd quando estão no ócio. Mas não importa o contexto, a sensação de que eles pertencem a esse lugar é verdadeira.
O jogo lhe entrega detalhes essenciais a respeito desses indivíduos, o que faz você sentir como se Marcus não estivesse sozinho nesta luta. Marcus conversa com Sitara sobre a arte dela, e também sobre como as habilidades dela em design gráfico ajudam a financiar a resistência; ele também descobre que o tímido e inocente Josh é autista, um exemplo raro de representatividade de neurodivergentes em jogos. E então temos Wrench, o homem que literalmente esconde tudo atrás de uma máscara. Ele acaba sendo exposto, e descobre-se que ele é um dos membros mais apaixonados e vulneráveis da equipe.

Entretanto, o meu personagem favorito é o Horatio. Por fora, ele é a pessoa mais "normal" desta equipe eclética. Como um dos poucos afro-americanos trabalhando em uma imensa companhia tecnológica, ele é um programador profissional, mas passa longe de ser do tipo rebelde. Quando ele conta ao resto da equipe como seus colegas de trabalho o tratam diferente por conta de sua raça, o pessoal fica enfurecido. Por sua vez, a sensação é incrível quando você consegue ajudar o Horatio a superar um ou outro empregado que fica marcando ele.
Se você escutar os logs de áudio dele ou ler seus comentários online, você verá e perceberá o quanto ele curtia a vida que estava construindo com o grupo, e o que ele pensava sobre cada um. Isto torna a morte dele dentro do jogo a mais chocante: em uma reviravolta repentina, ele é apunhalado no vídeo por uma gangue rival. É um momento inesperado que fica marcado em você, mesmo após você se vingar dos assassinos dele, especialmente quando descobre que ele permaneceu leal até o fim. Tempos depois de finalizar o jogo, você ainda sente o peso do sacrifício de Horatio. Mesmo em uma guerra entre hackers, é raro não haver baixas.
A viagem de Watch Dogs 2's para a Costa Leste é uma jornada que vale a pena abraçar, então aproveite o clima, passeie por San Francisco e enfrente algumas injustiças. Mas fique sempre de olho naqueles mais próximos de você. O primeiro jogo fez o preparo importante do solo para uma franquia brotar, porém falhou na hora de cativar os jogadores. Dê uma chance à franquia, e você vai ver que isso é precisamente o que Watch Dogs 2 consegue fazer.