
Tony Hawk's Pro Skater 1 + 2 impressiona por inovar a nostalgia com cuidado

Pode ser assustador revisitar um jogo muito tempo depois de tê-lo terminado, e esse processo é ainda mais complicado quando se trata de uma remasterização de algo que você jogou na juventude. Você está surfando em duas ondas concorrentes de nostalgia e, ao mesmo tempo, depende de muita memória muscular. Mesmo assim, toda vez que volto ao remake da Vicarious Visions de Tony Hawk's Pro Skater 1 + 2 para coletar letras e bater recordes, descubro coisas novas que me encantam na abordagem exclusiva do estúdio nesta adaptação nostálgica.
Eu teria me conformado com um remake idêntico, mas o THPS 1 + 2 vai além disso. Eu diria que ele faz parte de uma recente onda de remakes autoconscientes, jogos irreverentes que beneficiam os jogadores veteranos reconhecendo seu legado sem deixar de abrir as portas para novatos. Final Fantasy VII Remake Integrade apresenta características semelhantes, ao modernizar o sistema de batalha e brincar com o cânone estabelecido.
O Tony Hawk's Pro Skater de 1999 não incluía os sistemas de Revert e Manual introduzidos em jogos posteriores, mas, como essas opções se consolidaram rapidamente na série, a Vicarious Visions as adicionou retroativamente ao remake sem quebrar os mapas originais. Os puristas podem desativar esse recurso se quiserem, mas isso significa que, por padrão, os novatos não terão que literalmente se acostumar a dar com a cara no concreto sem essas manobras de extensão de combos tão adoradas.

Mas os ajustes sutis e um tanto existenciais me trazem muita alegria. Infelizmente, o panteão original de skatistas está envelhecendo, e seus modelos de personagens envelhecidos refletem isso, mesmo que todos eles ainda tenham joelhos virtuais de aço. A edição deluxe do THPS 1 + 2 vem com trajes alternativos para os profissionais originais que remetem aos seus dias de Bones Brigade. Tony Hawk recupera seu topete e Rodney Mullen perde seu Rodney Mullet, mas usa uma bermuda de cintura alta.
Essa iniciativa retroativa é compensada pela introdução de skatistas profissionais contemporâneos, como Leo Baker e Tyshawn Jones, juntamente com o streetwear contemporâneo disponível na loja de roupas do Create-A-Skater. Até mesmo a trilha sonora é um equilíbrio entre o antigo e o novo, misturando faixas adoradas de Primus e Dead Kennedys com músicas de Screaming Females, Skepta e Viagra Boys. É impossível fazer uma leitura completa de uma cultura que se tornou bela por suas flutuações evolutivas. Ainda assim, a variedade de músicas no THPS 1 + 2 faz com que ele pareça um projeto de amor que cresceu com a influência contínua da cultura do skate, não um microcosmo empoeirado e isolado que não agrada a uma geração nova de jogadores.
No entanto, seja qual for a sua visão de futuro, é difícil não curtir a tendência do THPS 1 + 2 de adaptar os desbloqueáveis da velha guarda. Pontos de atributos, fitas secretas e áreas escondidas dos jogos originais retornam, instigando você a voar por vãos desafiadores e fazer manobras cada vez mais técnicas que, apesar dos inúmeros guias de vídeo on-line, ainda são surpreendentemente difíceis de explicar e reproduzir. Sem ser muito introspectivo, ele remete aos primórdios da Internet, quando os jogadores precisavam se reunir em fóruns para resolver quebra-cabeças e elaborar teorias sobre portas trancadas e critérios de personagens secretos.
O design de níveis sandbox de fantasia do THPS 1 + 2 é ideal para provocar aqueles momentos de "E se?" que levarão você a fazer um grind nas hélices de um helicóptero ou entrar em um portal oculto no fundo de um vulcão em chamas. No entanto, em vez de se basear só na localização dos itens colecionáveis originais, os remakes trazem suas próprias adições, incluindo os misteriosos bichinhos de pelúcia alienígena e os logos da Vicarious Visions, que podem ser encontrados em cada fase, dando início a uma nova onda de técnicas de skate engenhosas e virais.

Um aspecto nostálgico do THPS 1 + 2 que não exigiu nenhuma inovação foi o pequeno cronômetro de dois minutos, que dá uma sensação de brevidade e que não foi afetado por décadas de conteúdo destruidor de atenção. A sedução de mais uma tentativa é suficiente para fazer você perder a hora de dormir, e a adição de um modo de Speedrun no remake permite que você tente juntar todos os objetivos em uma única tentativa perfeita, inevitavelmente sustentada por manobras manuais duvidosas que vão além do limite de tempo.
Um patch pós-lançamento possibilitou a progressão individual por skatista, o que revitalizou rapidinho meu interesse no jogo depois de tê-lo jogado um pouco no lançamento. Por mais que eu adore a trilha sonora, é um prazer meditativo ouvir um novo álbum e descobrir as manobras especiais de um skatista profissional. Minha memória envelhecida aumenta a emoção aqui, pois muitas vezes esqueço completamente os objetivos da pista e me surpreendo quando meu cérebro age por impulso e me compele a dar um kickflip no vão do telhado na Escola II. E se eu acabar pegando o jeito de todos os skatistas no jogo, ainda terei critérios adicionais para cumprir, graças ao sistema de desafios mais sofisticado introduzido no remake. Mesmo depois de jogar algumas vezes, cheguei só ao nível 37, com muitos combos para realizar e griptapes excêntricas para coletar nos próximos meses e anos.
Felizmente, também não tem nada monetário ou sinistro na abordagem do THPS 1 + 2 em relação aos cosméticos desbloqueáveis e ao ganho de experiência. O sistema de desafios existe exclusivamente para testar os limites de suas habilidades de skate e obrigar você a passar por todos os modos do jogo. Isso inclui o abrangente sistema Create-A-Park para criar sua pista, que está repleto de conteúdo de qualidade gerado pelo usuário.
É difícil encontrar uma nostalgia boa e significativa em uma cultura de infinitas repaginações. Muita coisa pode dar errado no árduo processo de tentar engarrafar um raio que caiu há mais de 20 anos. Mas a Vicarious Visions colocou a autocrítica à frente da mesmice, resultando em um dos remakes mais inovadores dos últimos anos.