Novidades

Como Vampire Survivors criou seu próprio (e improvável) gênero, o "survivor-like"

S
Steven T. Wright
6 de jan. de 2025
A menos que você viva embaixo de uma pedra, você já deve ter ouvido falar de Vampire Survivors, da poncle: talvez o maior sucesso indie surpresa dos anos 2020 até agora. A premissa inicial é bem simples e remete à era dos jogos em Flash: escolha um herói caçador de mortos-vivos e percorra um mapa com visão de cima para baixo, atacando inimigos e coletando os cristais de experiência que eles deixam cair ao serem derrotados. A intensidade aumenta gradualmente a cada nível, à medida que zumbis solitários dão lugar a hordas de homens-fera, morcegos vampiros e até a própria Morte, todos ansiosos para encerrar sua partida.

Vampire Survivors não foi o primeiro jogo no gênero cada vez mais popular "survivor-like", e que também é chamado, de "bullet heaven", "autoshooter" ou "wave shooter". Essa honra talvez pertença a Magic Survival, um jogo para dispositivos móveis que o desenvolvedor de Vampire Survivors, Luca Galante, cita como sua maior inspiração.

Mas Vampire Survivors é, de longe, o mais bem-sucedido. Assim como os pioneiros de outros gêneros, como Demon's Souls e Return of the Obra Dinn, Vampire Survivors incorporou elementos familiares, mas inovou em alguns aspectos-chave que inspiraram outros desenvolvedores a criar jogos semelhantes.

Vampire Survivors é um jogo de ataque automático, algo relativamente incomum fora do espaço dos jogos para dispositivos móveis. Cada arma adquirida ao longo de uma partida funciona de maneira diferente, e você pode escolher quais melhorar (ou priorizar) enquanto experimenta diferentes combinações. Por exemplo, o Chicote ataca a cada poucos segundos na direção em que seu personagem está virado, sendo excelente para eliminar grandes grupos de inimigos de uma vez, enquanto a Bíblia do Rei gira lentamente ao seu redor, derrotando inimigos à distância e oferecendo uma defesa passiva.
Vampire Survivors 2
Duas decisões de design aparentemente pequenas têm um grande impacto na jogabilidade de Vampire Survivors, e talvez em todo seu sucesso. Você precisa coletar os cristais de experiência deixados pelos inimigos ao serem derrotados, o que significa que deve pensar cuidadosamente sobre sua rota pela fase. Ao eliminar uma enorme horda de morcegos, você precisa descobrir como voltar até todos aqueles preciosos pontos de experiência antes que seja tarde demais.

Jogadores habilidosos também devem ficar atentos aos baús que aparecem de vez em quando. Eles não só oferecem novas armas para aquela partida, mas também liberam uma chuva de metamoedas que podem ser usadas para desbloquear novos equipamentos e personagens entre as partidas. Os baús tornam-se especialmente importantes à medida que você começa a dominar o jogo, pois podem fornecer versões especiais "evoluídas" das suas armas, quase obrigatórias para superar alguns dos desafios mais difíceis do jogo. Essas armas evoluídas exigem que você cumpra critérios específicos, como coletar duas armas no mesmo personagem e maximizar o nível de uma delas, adicionando outra camada de profundidade à experiência.

A verdadeira genialidade de Vampire Survivors, no entanto, está em como ele aprimora as qualidades viciantes de roguelike ao nível máximo. Há pouquíssimas atividades preliminares ou tempo ocioso em cada sessão de jogo. As partidas tendem a durar entre 15 a 30 minutos e raramente se estendem além disso. Após os primeiros níveis, Vampire Survivors aumenta a dificuldade rapidamente, e sua "build" (a composição do personagem) tende a se formar em alguns minutos ou não se formar de jeito nenhum.

E, claro, as animações chamativas ao abrir os baús lembram os gatilhos de dopamina das caixas de conteúdo vistas em jogos gacha ou até mesmo ma primeira versão de Overwatch, sendo uma parte importante do apelo do gênero. Até mesmo as partidas fracassadas são úteis, já que você está coletando moedas para desbloquear (e melhorar) novos personagens a longo prazo. É fácil perceber como esse ciclo compulsivo se espalhou para outros jogos do gênero.

Vampire Survivors pertence a um nicho de jogos que se tornou mais notável nos últimos anos: aquele jogo para se jogar no horário do almoço. Embora você certamente possa perder a noção do tempo e passar a noite inteira jogando um survivor-like, o gênero é feito para sessões de jogo rápidas que capturam sua atenção, desafiam seus reflexos e liberam você a tempo de voltar à sua rotina agitada de trabalho.
Vampire Survivors 3
Quanto aos outros jogos? Talvez o título mais recomendado além de Vampire Survivors em si seja Deep Rock Galactic: Survivor, que permite desbravar terrenos rochosos e conta com mais recursos para gerenciar. Há também o Karate Survivor, que substitui os chicotes e o alho pelos socos e chutes giratórios típicos do cinema de Hong Kong dos anos 1980. O cartunesco Brotato é outro survivor-like cheio de estilo e charme, com uma estética que parece ter saído direto da Newgrounds, no melhor sentido possível.

Dito isso, embora Vampire Survivors tenha inventado um gênero, também é o melhor jogo dentro desse gênero, e merece sua atenção. A desenvolvedora poncle adicionou muitos DLCs para você conferir, incluindo uma colaboração oficial com seu precursor estilístico, Castlevania. Depois que começar, você não vai conseguir parar por semanas.

Você pode encontrar Vampire Survivors e seus diversos pacotes de DLC aqui na Epic Games Store.