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A WayForward está adotando uma nova abordagem à preservação de videogames com o Yars Rising

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Charlie Wacholz
29 de abr. de 2024
Na próxima criação de Metroidvania da WayForward, a desenvolvedora Shantae está deixando de lado o gênio de cabelo roxo para ressuscitar uma linha há muito tempo dormente cujo legado começou no início dos anos 80, no Atari 2600. Um dos jogos mais famosos da época, o Yars' Revenge revolucionou a biblioteca de títulos para Atari graças ao visual psicodélico que induz um estado de fluxo, além das diversas surpresas que aparecem no jogo. Foi um grande sucesso que alavancou a empresa e tornou o criador Howard Scott Warshaw famoso no ramo de videogames.

Porém, desde seu sucesso explosivo no 2600, a linha Yars acabou entrando em um estado dormente. Apesar de algumas recriações que incluíram pequenas alterações na fórmula original e de uma sequência feita por fãs que a Atari canonizou em uma versão de Atari Flashback nos anos 80, a série não mudou muito nos últimos 43 anos.
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Isso, é claro, até a WayForward ter uma chance de apresentar à Atari a ideia de criar um conjunto de Metroidvania no "Yarniverso", como batizado pelo criador Warshaw (que também ficou famoso por esconder suas iniciais, HSW, no célebre jogo de Atari E.T. the Extra-Terrestrial). Com ênfase na furtividade e na história, este jogo de plataforma de exploração é totalmente diferente do contexto de atirador espacial do jogo original. Perguntei ao diretor do jogo, James Montagna, como o Yars Rising homenagearia o original sem simplesmente percorrer o mesmo trajeto já conhecido. Ele respondeu: "Queríamos reinventar o Yars como algo inesperado de modo que mantivesse a história original, mas também incluísse algo que fosse consistente com o legado do original. Incluímos diversas surpresas e elementos que os fãs do jogo original vão adorar".

Essa reinvenção inclui usar o próprio jogo original dentro do Yars Rising. Não muito como uma homenagem, mas mais como uma mecânica central, os jogadores terão que jogar uma versão reformulada e totalmente reconstruída do Yars' Revenge original para invadir e abrir certas portas. É claro que a WayForward acrescentou seu próprio toque especial.

"Na nossa visão, são dois jogos concomitantes, com uma mecânica de invasão que anda de mãos dadas com os aspectos de Metroidvania, em vez de tratá-lo como um minijogo", disse Montagna. Ele até deixou a entender que haveria possíveis momentos de interseção com outros jogos para Atari: "Algumas sequências de invasão mais longas até incorporam aspectos e referências a outros jogos clássicos do Atari para criar algo totalmente novo".

Essa abordagem à preservação de videogames revela algo mais poderoso que simplesmente dar vazão à nostalgia. Com base nos padrões atuais, a maioria dos jogos para 2600, mesmo os melhores, são difíceis de abordar e entender. Muitos desses jogos usam um vocabulário que os jogadores contemporâneos provavelmente não compreenderão, quando comparado com as experiências relativamente fáceis e polidas que vemos hoje em dia; portanto, reintroduzir o que já foi feito no passado não atrairá nem educará novos jogadores. Transformar os elementos de sucesso do Yars em algo totalmente novo, principalmente quando feito por um estúdio cujos títulos de Metroidvania falam por si, com certeza trará bons dividendos.

A WayForward e a Atari ainda estão mantendo muitas coisas em segredo, principalmente no que diz respeito a como a progressão estilo Metroidvania ocorrerá no Rising. No entanto, os desenvolvedores indicaram que a mecânica de invasão terá a ver com essa progressão. Por exemplo, Montagna mencionou isto especificamente: "Quando você sente um poder no terminal de invasão, você pode levar essa habilidade para o mundo e utilizá-la como quiser". O uso da mecânica de invasão e da exploração estilo Metroidvania de forma simbiótica, com um elemento retroalimentando o outro, pode desanimar algumas pessoas, mas, na minha opinião, é uma abordagem diferente e criativa para esse gênero baseado em história que não vê a luz do dia com frequência.

Quando a exploração já conhecida é combinada com uma mecânica furtiva leve e o que parece ser sistemas adjacentes ao RPG, pode ser que a WayForward esteja produzindo uma novidade incrivelmente rica e profunda, criando uma categoria à parte dentro do gênero. É claro que vale ressaltar que esses sistemas de RPG são baseados em uma indicação muito sutil que recebi de Montagna. Então, pode ser que o jogo finalizado seja totalmente diferente.
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Outro fator que promete bastante é que o Yars Rising não será aquela experiência sinistra e assombrosa que marca tantos outros Metroidvanias de ficção científica, como Axiom Verge e Metroid Dread. Em vez disso, a trilha sonora buscou inspiração nos sons ecléticos, alegres e descolados de Katamari Damacy e Jet Set Radio. Como o jogo se passa em uma cidade futurista inspirada em histórias de ficção científica e cyberpunk, a vibe tinha que estar à altura. Por isso, a WayForward decidiu focar-se em um tempero musical influenciado pelas tendências atuais, como o vaporwave e a volta do pop urbano. Montagna contou-me que esta trilha sonora é a mais ambiciosa já produzida pela WayForward, incluindo uma lista altamente variada de artistas que compuseram para o Rising.

Saí dessa conversa com ele (que incluiu uma breve demonstração de longe do Yars Rising) mal podendo esperar para ver o que a equipe de veteranos em Metroidvania da WayForward estão preparando para nós. Podemos esperar invadir megacorporações, bater cabeça ao ritmo do funk do futuro e salvar o mundo quando o Yars Rising chegar à Epic Games Store ainda este ano.