
Conheça os diversos mundos de SteamWorld

Para comemorar o 10º aniversário do sucesso inovador de SteamWorld Dig, a Epic Games Store dá as boas-vindas à franquia multigênero completa de SteamWorld sobre sociedades de robôs mineradores. Desde as expedições de mineração em plataforma Metroidvania de Dig ao inédito jogo de construção de cidades mineradoras SteamWorld Build, a série da Thunderful está sempre trazendo novidades. Nós conversamos com Brjann Sigurgeirsson, o diretor de projetos de longa data de SteamWorld, com o diretor Andreas Persson e o produtor Adam Vassee de Build para descobrir como uma franquia em constante mudança se mantém interessante por tanto tempo.
O lançamento de SteamWorld Dig foi muito bem calculado. Em 2013, escavar pedras preciosas era um negócio que estava em alta. Minecraft estava no auge, e Spelunky foi um grande sucesso nos consoles. "Também tinha Terraria", diz Sigurgeirsson, diretor da franquia. "Acho que SteamWorld Dig foi lançado no momento exato."
Dig, que foi desenvolvido pelo Image & Form, estúdio liderado por Sigurgeirsson antes de ele se tornar o cofundador da Thunderful, era surpreendentemente único, mesmo que tenha sido criado a partir de outros jogos ao estilo Frankenstein. Você joga como um robô em um cenário pós-humanidade, escavando um planeta com escassez de água, perfurando para baixo através de níveis verticais enormes e fabricando suas próprias plataformas para criar rotas de volta à superfície, com o objetivo de escavar o mais longe possível para liberar novos aspectos, armas e áreas do jogo. O jogo tinha um estilo meio roguelite, mas se passava em um mundo permanente, no qual o progresso constantemente se desdobrava diante de você. Altamente envolvente, com personagens incríveis e uma história encantadora, o jogo se tornou extremamente popular.
"Nossa própria engine 2D era extremamente veloz", acrescentou Sigurgeirsson, "e Dig tinha todos os ingredientes para ser um clássico jogo de ciclos: escavar, encontrar, vender, aprimorar, enxaguar, repetir e avançar na história pedra por pedra".
Algo muito interessante sobre aquela versão original do jogo era a forma como seus elementos Metroidvania só ficavam evidentes após um bom tempo de jogo. "Acho que muitos jogos Metroidvania fazem isso", disse Sigurgeirsson. "Eles jogam a 'Metroidvanice' em você nos níveis mais avançados do jogo!".
Isso aconteceu naturalmente nesse caso. A princípio, os desenvolvedores tentaram forçar os jogadores a escavar em zigue-zague para que pudessem escalar de volta para cima e evitassem chegar ao fundo rápido demais. Mas os testadores do jogo detestaram e começaram a relutar para escavar. "Então, nós mudamos: fizemos o chão ficar mais resistente conforme você escavasse mais fundo, o que parecia ser mais realista", ele explicou. "Desta forma, você tinha que encontrar pedras preciosas para vender e conseguir melhorar seus equipamentos. Depois a história fica mais sombria e finalmente é chegada a hora do confronto final."

Deve ter sido tentador dar uma sequência direta para Dig , levando em conta a popularidade do jogo, tanto na Nintendo quanto no PC (o jogo nasceu no 3DS). No entanto, o próximo jogo lançado foi SteamWorld Heist. Como o nome sugere, era um jogo sobre roubo, no qual você jogava como o líder de um bando de robôs-piratas, invadindo e saqueando naves espaciais. Foi uma mudança de direção ousada.
"Em retrospecto", disse Sigurgeirsson, "criar SteamWorld Heist em vez de Dig 2 foi uma das decisões das quais eu mais me orgulho. Foi arriscado, mas muito, muito importante para nós fazer isso. [Porém], os motivos por trás disso talvez não sejam tão ousados quanto você possa achar." Antes da série SteamWorld da Image & Form (começando com o jogo SteamWorld Tower Defense para Nintendo DSi e 3DS, em 2010), a empresa tinha desenvolvido "dezenas e dezenas" de jogos de educação e entretenimento na mesma série e Sigurgeirsson disse que eles estavam "passando fome" criativamente.
"Então, quando Dig se tornou um sucesso, foi fácil perceber que fazer uma sequência imediatamente era um caminho que não daria certo", prosseguiu ele. "Nós teríamos que fazer Dig 3 depois, e talvez Dig 4 em seguida, e muito em breve a franquia cairia em esquecimento até desaparecer. Nós queríamos ter certeza de que poderíamos criar qualquer jogo que quiséssemos a qualquer momento. Desta forma, se pudéssemos transformar Heist em um grande sucesso, ficaríamos livres para fazer o que quiséssemos."
Depois de Heist, a Image & Form acabou fazendo uma sequência para Dig: SteamWorld Dig 2. Porém, essa foi uma escolha segura. "Acho que nós sempre quisemos fazer uma sequência...", disse Sigurgeirsson, "nós só não queríamos fazê-la logo de cara".
A motivação surgiu de um sentimento de que faltava um desfecho. O lançamento de SteamWorld Dig não aconteceu porque as inovações estavam prontas, mas porque o dinheiro estava acabando. "Nós estávamos diante de um abismo financeiro", disse Sigurgeirsson. "Se o jogo não tivesse sido um sucesso, nós provavelmente teríamos ido à falência. Devido à pressa para o lançamento, nós ainda tínhamos várias boas mecânicas de jogo sobrando, que nunca foram implementadas no original."
Isso significa que Dig 2 já tinha um ponto de partida, inclusive retomando o final aberto do primeiro jogo, quando o herói, Rusty, desapareceu. Desta vez, os jogadores escavavam jogando como Dorothy em uma missão de busca pelo Rusty, equipados com todas as ideias legais que acabaram não entrando no jogo original. "Mesmo assim", acrescentou Sigurgeirsson "Eu não achei que Dig 2 seria tão bom quanto acabou se tornando. No quesito acabamento, é uma obra-prima."

Depois disso, 2019 testemunhou a chegada de um novo gênero na série com SteamWorld Quest: Hand of Gilgamech. Novamente acompanhando as tendências da época, este foi um jogo de RPG com cartas e, mais uma vez, um muito bom. Como Sigurgeirsson explica essa capacidade da desenvolvedora de continuar acertando com tantos tipos de jogos diferentes? "A jogabilidade vem em primeiro lugar", ele disse. "Se percebermos pelo protótipo que a jogabilidade não será tão boa, nós mudamos para outra coisa." Além de elogiar o talento de seus desenvolvedores, o diretor acrescentou que trabalhar com calma também é vital. E também: "Nós iteramos como se fosse brincadeira. Um jogo só fica pronto depois que nós iteramos várias vezes cada mínimo detalhe. Você se surpreenderia se visse quantas coisas são 'cortadas na sala de edição'. Mas isso normalmente significa que as coisas que entram no jogo são incríveis."
Quatro anos depois, no maior intervalo entre jogos desde o início da franquia, 2023 nos traz o quinto novo gênero de SteamWorld com SteamWorld Build. Porém, diferente dos títulos anteriores, este não parece estar acompanhando as tendências atuais. Build é um jogo de construção de cidades situado tanto na superfície, em uma cidade robótica construída manualmente, quanto no subterrâneo, em uma rede de minas de exploração. "Nós queríamos criar algo para a franquia que ninguém estivesse esperando", disse Vassee, o produtor do jogo. "Para nós, a melhor das hipóteses era... algo que ninguém sabia que estava faltando até encontrar."
Tem uma outra grande mudança em Build. A Image & Form, desenvolvedora dos jogos anteriores, foi absorvida pela empresa que surgiu dela mesma, a Thunderful, em 2020. Build foi criado por uma equipe completamente nova na publicadora, The Station, embora sob a orientação de Sigurgeirsson. Vassee explicou que eles não estavam interessados em tentar deixar sua marca em um dos títulos queridos da série, mas sim seguir seu próprio caminho. "Estamos mais voltados para o desenvolvimento de jogos baseados em sistemas, e a combinação de [um] jogo de construção de cidades... com o clássico Dungeon Keeper poderia ser uma mistura interessante."

Andreas Persson, diretor de Build, também deu sua opinião: "Ao observarmos os jogos anteriores de SteamWorld, nós identificamos rapidamente que o componente central é a escavação. A grande questão era se nós conseguiríamos fazer isso sem confundir os jogadores. Nosso objetivo era garantir que os dois tipos diferentes de camadas de jogabilidade se interligassem ao máximo."
O resultado disso é um jogo em que o desenvolvimento na superfície fornece moradia, transporte, comércio e entretenimento aos operários, enquanto a mineração subterrânea fornece os recursos necessários para tudo o que foi mencionado. Desta forma, quanto melhores forem as fábricas da superfície, melhores serão os seus equipamentos para continuar explorando cada vez mais fundo.
"Nós queríamos que os jogadores ficassem indo e voltando entre a cidade e a mina para avançar no jogo", disse Persson. "Todos nós já jogamos um daqueles jogos de construção de cidades em que você tem que esperar algo ser concluído ou fazer mais dinheiro para continuar jogando. Aqui, você sempre vai poder transitar entre as camadas e continuar jogando enquanto espera."
Embora a Thunderful não queira comentar ainda sobre suas próximas aventuras em mais gêneros de SteamWorld, como o título anunciado de ação e aventura SteamWorld: Headhunter, eles estão bastante animados sobre tudo o que já fizeram e o que pretendem fazer a seguir. Sobre Build, Persson concluiu: "No decorrer do desenvolvimento do jogo, foi como se tivéssemos encontrado ouro e criado uma combinação única de gêneros que funcionou perfeitamente".