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Entre dois infernos: de DOOM (1993) a DOOM 3

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Juno Stump
20 de set. de 2023
Como série, DOOM sempre teve como foco usar um arsenal de armas sinistras para destruir todos os demônios no caminho. O inferno se abre, então é bom começar a atirar. A intensidade dos jogos originais dos anos 90 nunca diminui, como podemos ver no reboot recente e em sua sequência.

Mas a id Software decidiu seguir um caminho diferente quando começou o desenvolvimento do DOOM 3 de 2004. A partir da espinha dorsal dos jogos anteriores, a id Software fez um jogo que mais parece uma versão do terror de sobrevivência moderno do que o ataque infernal pelo qual os outros jogos da série são conhecidos. Veja o que mudou e como DOOM 3 se destaca do resto.

Testemunhando os pecados do ser humano

DOOM e DOOM II começaram no meio da história, com o fuzileiro de DOOM (ou "Doomguy") pronto para matar os demônios que acabaram de invadir a base. Não existiam cenas ou conversas sobre instruções de missões. Era o mais puro e simples inferno, e nada mais.

Em DOOM 3, após uma sequência de muito diálogo e andança pela base Union Aerospace Corporation (UAC) em Marte, você presencia a invasão demoníaca em primeira mão. Não há nada a fazer para impedi-la.

Já que você está a apenas alguns passos da invasão, é o lugar perfeito para começar a história do jogo. Isso dá aos jogadores uma vista privilegiada da queda da humanidade.

Pegue uma arma e comece a atirar... eventualmente.
Entre dois infernos: de DOOM (1993) a DOOM 3: combate
DOOM 3 tem a mesma história básica que o jogo original, mas o estilo, foco e abordagem dessa tentativa de reboot é diferente dos títulos anteriores da série. Isso é claramente articulado pela id Software logo no início. O jogo diz aos jogadores que não é só um jogo de tiro em primeira pessoa, mas uma jornada imersiva e rica em história, com diversas paradas terríveis e atmosféricas durante o caminho.

Eu calculei. Leva cerca de dez minutos para você pegar sua primeira arma, e são cerca de 15 minutos antes dos demônios finalmente chegarem. É algo digno de nota para o gênero de tiro em primeira pessoa, mas ainda mais para a série DOOM. Para comparar, nesse mesmo tempo em DOOM (1993), os jogadores podem matar inúmeros demônios em vários níveis com diversos tipos de armas. Enquanto alguém jogando DOOM 3 ainda está passando pela orientação da UAC, esperando que os personagens não jogáveis do jogo completem a papelada e passem instruções, quem joga DOOM (1993) pode usar sua espingarda e motosserra para espalhar a morte e o caos a todos os inimigos que aparecerem.

Uma história mais direcionada

DOOM 3 ainda tem muito terror em seus momentos mais tranquilos, como escutar diários de registro de áudio encontrados perto de corpos, mas há vezes em que os jogadores precisam simplesmente parar um pouco e deixar a cena cheia de história terminar antes de poderem massacrar mais demônios.

Esse estilo diferente de ritmo é bem usado em DOOM 3, com monstros frequentemente pulando na sua frente como vilões icônicos de filmes de terror. O jogo pega emprestada uma técnica dos simuladores e RPGs imersivos ao dar um assistente pessoal digital (PDA, lembra deles?) que você pode preencher com registros e documentos que coleta nos níveis; eles servem para dar mais detalhes sobre o mundo de DOOM. Você descobre como os funcionários da UAC trabalhavam, como era a vida em Marte, além das cenas terríveis que os funcionários de manutenção relataram.

O inferno recebeu uma atualização
Entre dois infernos: de DOOM (1993) a DOOM 3: mesa
A nova tecnologia disponível para a id Software permitiu renovações a um dos espaços mais icônicos nos videogames. O inferno ainda é um parquinho para o Doomguy, mas você percebe o espaço por uma ótica diferente.

Agora, os jogadores não estão só matando demônios e procurando chaves. Às vezes, DOOM 3 atribui aos jogadores outras missões secundárias que envolvem algo além de atirar, mas que são igualmente necessárias para sobreviver. Elas incluem missões como proteger a vida de um NPC com permissões de segurança necessárias para prosseguir para a próxima parte da instalação, ou usar uma máquina de garra para se livrar de barris com resíduos perigosos. DOOM 3 mergulha os jogadores no mundo, adicionando muito mais do que tiro ao alvo com demônios para a sua lista de preocupações.

O lançamento original de DOOM 3 também incluía um equilíbrio sutil entre visibilidade e segurança, pois os jogadores não podiam equipar uma lanterna e uma arma ao mesmo tempo. O jogo girava em torno disso, o que permitia muitos sustos e um foco aprimorado em sombras e criaturas se espreitando pelos cantos. Isso criou uma sensação real de pavor que permeava a experiência. Porém, a limitação incomodou tantos jogadores que o remake de 2013 do jogo, DOOM 3: BFG Edition, inclui uma "lanterna montada no ombro". (Covardes.) Ainda existem vários cantos escuros para encontrar em qualquer versão de DOOM 3, mas a id removeu aquela camada extra de medo e vulnerabilidade do jogo a fim de agradar os detratores.

DOOM 3 é tão bom quanto sua arma BFG

Os níveis em DOOM (1993) e DOOM II podem ser concluídos relativamente rápido. Dá para fazer uma speedrun do primeiro jogo em incríveis 20 minutos se você souber o que está fazendo. DOOM 3 trocou aqueles níveis pequenos por uma base grande e extensa, fazendo com que o jogo pareça muito mais um sucessor reimaginado e menos uma sequência direta.

A abordagem de DOOM 3 exige mais tempo na parte de observar e investigar, mas os destroços dos mortos escondem os segredos da UAC. Durante o jogo, você aprende por meio de registros de áudio e e-mails como cientistas e pesquisadores bem-intencionados conseguiram abrir um portal para o inferno. As partes principais dos eventos do jogo com o tempo se tornam mais claras para os jogadores, mas eu pessoalmente prefiro os momentos cotidianos e secundários dos funcionários de manutenção, administradores de TI e pessoas comuns que descobriram o que estava acontecendo na UAC, mesmo que tarde demais para impedir tudo.
Entre dois infernos: de DOOM (1993) a DOOM 3: PDA
As conversas faladas e os e-mails apressados incluem as pequenas partes e pormenores necessários para entender o papel de todos no inferno que tudo se tornou, bem como o que fizeram para tentar impedir isso. Esse ângulo realista traz detalhes extras para a história enquanto também calca tudo na realidade vivida, tornando as coisas ainda mais significativas.

Tecnologia de nível infernal

DOOM sempre foi esquisito, e a id Software sempre foi uma potência tecnológica. Sendo assim, DOOM 3 foi o primeiro jogo da série a realmente trazer o terror ao inferno.

As conquistas técnicas impressionantes de DOOM 3 incluem iluminação e sombreamento unificados, animações 3D complexas e até monitores de computador funcionais e de alta resolução.

Essas telas de alta tecnologia são surpreendentemente interativas, servindo a diversas funções. Assim que você vê a tela, já pode controlar o mouse. Com isso você pode fazer coisas simples, como clicar em e-mails e abrir portas, mas também permite fazer ações mais complexas, como controlar um guindaste. Isso faz tudo parecer mais realista do que nos jogos anteriores da série.

Os gráficos do DOOM original eram considerados de ponta em 1993, mas DOOM 3 se baseou em uma década de progresso tecnológico, o que permitiu à id deixar as coisas menos malucas e genuinamente sangrentas. Tudo se junta em uma experiência de terror imersiva que envelheceu como um ótimo WAD de DOOM , mesmo que 18 anos após seu lançamento original. Se você ainda não experimentou o jogo, eu aconselho que você faça isso. Entre na Epic Games Store aqui e confira.