
Europa Universalis IV: Winds of Change — Os melhores dentre os novos países para você jogar

Europa Universalis IV: Winds of Change é mais nova (e a 16ª) grande expansão do venerado jogo de alta estratégia. Ela segue uma tendência que vem ocorrendo há algum tempo: em vez de se concentrar fortemente em uma área específica do mundo ou em uma única mecânica de jogo nova (como nas primeiras expansões), Winds of Change é mais um saquinho-surpresa em forma de DLC, espalhando conteúdo e sabor em várias partes do mapa do Europa Universalis IV que não são atualizadas há algum tempo. Junto com o patch gratuito 1.37, Winds of Change adiciona missões e eventos em todos os lugares, da Mesoamérica à Europa Central.
Se você não leu as notas do patch, pode ser difícil até mesmo notar as diferenças, portanto, como jogador de longa data, apresento aqui um guia dos países que considero mais interessantes em Europa Universalis IV: Winds of Change.
Ormuz: senhores do comércio do Golfo Pérsico
Talvez você nunca tenha ouvido falar de Ormuz, mas trata-se de um sultanato estrategicamente localizado, com sua capital em uma ilha no Golfo Pérsico. Ormuz é um dos meus países favoritos desde os primeiros dias de Europa Universalis IV, por vários motivos diferentes.
Primeiro, sua casa na ilha pode servir como uma base de operações muito segura se você fortificá-la e cercá-la com uma marinha competente. O Estreito de Ormuz é considerado um mar interno, o que significa que as galeras de baixo custo têm maior eficácia em combate. Você também tem acesso fácil à Arábia e à Pérsia se dominar o Estreito.
Mas o melhor de tudo é sua capacidade de dominar o comércio. Muitas das viagens europeias de descoberta no início da era moderna foram realizadas para encontrar novos meios de levar a riqueza das Índias — que hoje chamaríamos de Sul e Sudeste Asiático — para lugares como Portugal e Holanda.

Representando Ormuz, você tem a capacidade de fechar esse fluxo de riquezas como uma torneira e colher todos os lucros para si. Você está muito mais perto dos valiosos recursos da Índia, da Indonésia e até mesmo da China do que os europeus, e não precisa estabelecer rotas comerciais por toda a África para chegar lá. Você não precisa nem mesmo enfrentar o poderoso Império Otomano se jogar corretamente.
Em Winds of Change, a nova árvore de missões de Ormuz e uma mecânica de governo de Arabian Mercantilism (mercantilismo árabe) sob medida aumentarão muito as opções que você tem para tirar proveito dessa posição econômica dominante. Strengthen Overseas Outposts (Fortalecer postos avançados no exterior) lhe confere poder comercial e capacidade de defesa, além de baratear a melhoria dos centros comerciais, de modo que seus portos comerciais serão mais produtivos e mais difíceis de serem conquistados pelos inimigos. Support Overseas Merchants (Suporte a comerciantes estrangeiros) concede aos seus comerciantes mais poder comercial. E Empower Religious Propagation (Fortalecer propagação religiosa) acelerará o processo de conversão do povo da Ásia ao Islã, o que abre novas oportunidades diplomáticas e reduz a chance de rebelião em suas colônias.
Com todos esses poderes combinados, é possível dominar o comércio de especiarias sem precisar conquistar grandes áreas de terra diretamente, o que liberará seu Poder de Administração para ser usado em outras coisas. É uma campanha muito gratificante se você gosta de jogar com um país pequeno, mas rico, capaz de fazer muito para seu tamanho.
Cusco: Rei-Sol das Américas
Uma das formas mais interessantes de jogar Europa Universalis IV, para mim, sempre foi escolher uma nação indígena americana e ver se eu conseguiria deter a maré da colonização europeia. Se fôssemos apostar qual país da vida real teria, possivelmente, a maior chance de êxito nisso, é quase certo que seria o poderoso Império Inca, que pode ser formado por algumas nações iniciais diferentes no jogo. Historicamente, a única que conseguiu isso foi Cusco, localizada no que hoje é o sul do Peru.
Quase toda a sua terra inicial é altamente montanhosa, o que poderia encarecer bastante o desenvolvimento de suas províncias principais. Com Winds of Change, no entanto, Cusco e alguns outros países andinos começam com o modificador de propriedade High Altitude Adaptation (Adaptação de grande altitude), que reduz a penalidade para o desenvolvimento de colinas e montanhas… ao custo de encarecer um pouco o desenvolvimento de províncias que não sejam de grande altitude. Você pode se tornar especialista em montanhas.
Há também uma série de novas missões para Cusco, mas você só desbloqueará todo o potencial delas subjugando seus vizinhos e formando o Império Inca, que tem uma árvore de missões totalmente nova.

Entre as maiores mudanças está uma reformulação da religião Inti, com uma nova mecânica que mede a autoridade do rei sagrado, o Sapa Inca. Você pode gastar o Monarch Power (Poder do Monarca) ou aceitar um golpe na Estabilidade e provocar uma revolta de pretendentes para aumentar esse valor. Nos níveis mais altos, ele concede modificadores poderosos, como aumento do dano moral em batalha e desconto para conselheiros da mesma fé.
Você também pode gastá-lo para aumentar em 1 todos os atributos da sua Sapa Inca atual, uma ação extremamente poderosa. Isso também livrará você do mal de ter Mummified Rulers (governantes mumificados), um valor que se acumula toda vez que o Sapa Inca morre e torna mais difícil para o governo central tomar o poder das propriedades ou lucrar com a concessão a elas. Basicamente, você viverá em um ciclo de ter de ouvir o que um grupo de pessoas mortas pensa até que invista na capacitação do seu líder atual para recomeçar o ciclo.
Mas isso não é tudo. Se você conseguir derrotar completamente os europeus, também receberá um novo conjunto de missões (junto com os astecas e os maias) para lançar a chamada Sunset Invasion (Invasão do pôr do sol), virando o jogo e invadindo as terras dos colonizadores. É incrivelmente difícil reunir as condições para esse caminho de vingança, e ainda mais difícil concretizar. Mas, se você tiver centenas de horas de experiência em Europa Universalis IV, isso representa um potente desafio. Falando nisso…
Theodoro: a namorada gótica da Europa
Se você quiser perseguir a mais alta glória enfrentando um cenário inicial excruciante, não precisa ir além de Theodoro. Aninhada na Península da Crimeia, essa nação de província única representa os últimos vestígios da cultura gótica. Sim, são os mesmos godos que saquearam Roma em 410 d.C. — ou, pelo menos, seus primos vivos mais próximos.
E, rapaz, que posição inicial terrível a deles. Ao norte estão os hostis tártaros da Crimeia e seus mortais arqueiros a cavalo. A leste estão os gananciosos comerciantes de Gênova, que são ricos o suficiente para simplesmente pagar mercenários estrangeiros para matar você. Do outro lado da água está o Império Otomano, meio que o último chefe de Europa Universalis IV. E você começa sem aliados. Na verdade, só um masoquista tentaria restaurar a glória dos godos.
Mas, para sua sorte, eu sou um deles. E, para nossa sorte, Theodoro ganhou um empurrãozinho em termos de novas missões e mecânicas com essa expansão Winds of Change.
Como em qualquer início numa província cercada por inimigos poderosos, a chave para uma boa campanha de Theodoro é fazer amigos poderosos logo de cara. E um aviso: talvez você tenha que recomeçar o jogo algumas vezes, não importa o quão bem você jogue. Às vezes, o RNG (gerador de números aleatórios) te complica profundamente, ou a maneira como as cartas diplomáticas caem deixa você numa situação difícil, sem nenhuma saída razoável.

Mas comece dando uma conferida nova árvore de missões de Theodoro e tentando fazer amizade — ou, pelo menos, apaziguar — com os genoveses. Eles também são cristãos, portanto, podem ser mais compreensivos com você. Eles roubam muito do seu dinheiro no início, mas isso é melhor do que matar você, na minha opinião.
Outra opção é se aproximar dos principados russos em ascensão, o que pode te levar a se casar com uma poderosa família nobre russa. Isso pode funcionar como um grande contrapeso contra seus inimigos mútuos: as hordas das estepes. Se você tiver o que é preciso para superar o seu batismo de fogo, poderá desbloquear a claramente absurda casus belli da Gothic Invasion (Invasão Gótica). Ela é extremamente poderosa e concede bônus para converter todas as províncias da Alemanha — sua antiga pátria — para a cultura gótica. Uma recompensa adequadamente potente (e meio boba) por você ter sobrevivido a um início de jogo absolutamente brutal.
Theodoro também tem acesso a uma nova ação diplomática chamada Recruit Foreign General (Recrutar general estrangeiro), que lhe dá um líder militar qualificado de um país simpático e, talvez mais importante, 10 Army Tradition (Tradição o Exército). Ambos serão fundamentais para resistir nas primeiras guerras, quando os números quase sempre estarão contra você. O povo gótico só sobreviverá se usar todas as ferramentas à sua disposição e fizer movimentos diplomáticos astutos a cada passo, mas você poderá se considerar entre os jogadores mais habilidosos de Europa Universalis IV se conseguir fazer isso!
Várias outras nações receberam novas missões e mecânicas em Winds of Change. Tem coisas demais para serem discutidas em um único artigo. Mas essas três campanhas, classificadas da mais fácil para a mais difícil, devem lhe dar muito o que fazer nas próximas 100 horas ou mais. A sorte, como dizem, favorece os audaciosos.
Europa Universalis IV: Winds of Change já está disponível na Epic Games Store.