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Indika conta uma história estranha e surreal sobre crença religiosa
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Colin Campbell
Indika é para quem gosta de histórias inusitadas e desafiadoras ambientadas em regiões pouco exploradas do passado. O fundador do estúdio, Dmitry Svetlow, diz que sempre quis fazer um jogo que abordasse a religião na Rússia, baseando-se em suas experiências pessoais enquanto crescia.
"O tema da religião sempre me fascinou profundamente", diz ele. "Cresci em uma família muito religiosa e, em diversas ocasiões, minha mãe e eu vivemos durante semanas em um mosteiro feminino como peregrinos. Então a base da história é minha experiência pessoal e minha jornada de afastamento da religião."

A equipe mergulhou nos livros de história enquanto pesquisava o período e o tema da religião na Rússia. "Em relação à precisão histórica, temos duas situações distintas", diz Svetlow. "Por um lado, a nossa realidade é alternativa, grotesca — até mesmo semelhante a um conto de fadas — com muitos elementos do mundo reinterpretados criativamente. Por outro lado, o que mantivemos real, tentamos recriar com a maior precisão possível."
"Dentro do estúdio, sabemos o ano, a região da Rússia onde tudo acontece, quais tecnologias foram dominadas e quais não foram, e assim por diante. Quanto à religião, como já disse, o meu passado foi a principal fonte de informação. Sei até ler um pouco do antigo eslavo eclesiástico!"
Indika tem uma estética crua e bela, inspirada na arquitetura russa. "A equipe principal do nosso estúdio é formada por arquitetos", explica Svetlow. "Temos uma compreensão única do estilo de desenvolvimento de jogos, e a estética — no sentido amplo da palavra — tem um papel central no projeto."

A equipe também se inspirou nos filmes de diretores pós-modernos, psicológicos e experimentais como Yorgos Lanthimos, Terry Gilliam e Alejandro González Iñárritu, bem como no célebre diretor russo Andrei Tarkovsky, que desertou da União Soviética na década de 1980.
Indika explora a desorientação à medida que a freira lida com o trauma da autodescoberta e da comunicação com Satanás. "Temos várias camadas narrativas no jogo," diz Svetlow. "Paradoxalmente, era importante para nós quebrar a imersão, criar um efeito de despersonalização."
A história do jogo é reforçada por quebra-cabeças, que constituem cerca de um terço do jogo. Svetlow diz que foi "um desafio interessante" criar quebra-cabeças que fortaleçam "um jogo baseado em história de forma que eles não apenas não interfiram na história, mas ajudem a contá-la."

"Começamos a criar protótipos dos primeiros quebra-cabeças há cinco anos, e você não acreditaria no quanto descartamos", acrescenta Svetlow. "Quase todos os nossos elementos de jogabilidade são únicos, o que significa que quase não existem quebra-cabeças que usam a mesma mecânica. Para complicar ainda mais o nosso trabalho, nenhum dos membros da equipe tinha feito jogos semelhantes antes, então tivemos que descobrir ao longo do caminho o que funciona e o que não funciona."
Svetlow espera que, quando o jogo for lançado, os jogadores estabeleçam uma profunda conexão emocional com sua história e com as lutas de sua protagonista. "Gostaria muito de deixar os jogadores perplexos, no bom sentido. Semear o maior número possível de perguntas nas cabeças deles", diz ele. "Quando estávamos escrevendo o roteiro, inicialmente a maioria das ideias que eu queria expressar foram escritas diretamente, a maioria das perguntas respondidas. Depois, percebi que seria mais eficaz deixar a maioria das perguntas sem resposta e me concentrar em formular as perguntas corretamente para permitir que os próprios jogadores encontrassem as respostas."
Indika será lançado no fim deste ano na Epic Games Store pela editora polonesa 11 bit studios.