
The Last Caretaker é um jogo de sobrevivência, mas o seu objetivo é salvar toda a humanidade

Aqui vai uma curiosidade para você: não sabemos se humanos conseguem se reproduzir no espaço. Em teoria, bebês espaciais são possíveis. Experimentos com ratos revelaram que organismos vivos conseguem gerar filhos saudáveis em órbita sob efeito de gravidade artificial. Mas testar isso em humanos é bem mais difícil, por uma série de motivos práticos e éticos que espero não ter que explicar.
Se você está se perguntando como isso é relevante em uma matéria sobre um jogo de videogame, bom, The Last Caretaker parte do princípio de que humanos não conseguem fazer bebês no espaço. Quando as mudanças climáticas inundam a Terra e a humanidade vai embora para as estrelas, a continuação da espécie depende de uma instalação flutuante chamada Complexo Lázaro, onde humanos são cultivados artificialmente por uma frota de robôs cuidadores e depois lançados no espaço.
Pelo menos, era para ser assim. Em The Last Caretaker, você joga no papel do último robô sobrevivente do projeto, reativado por uma voz dentro da sua cabeça que lhe diz para salvar a humanidade ao reativar o Projeto Lázaro.
Essa é uma premissa que faz The Last Caretaker se destacar entre tantos jogos de sobrevivência. The Last Caretaker também chama atenção pela forma como mistura sistemas de sobrevivência e criação tradicionais com elementos de automação, tiro em primeira pessoa e uma forte ênfase na exploração. Parece que houve uma grande visão motivando a desenvolvedora finlandesa Channel37.
Mas, como explica o criador Antti Ilvessuo, as origens de The Last Caretaker são muito mais modestas do que parecem: "A ideia que tentamos vender para o estúdio envolvia ter um barco e sair explorando o mundo", disse Ilvessuo, que fundou a RedLynx e criou a série Trials.

Apesar de terem estruturas bem diferentes, o oceano ricamente simulado de The Last Caretaker, na verdade, compartilha um pouco do DNA de Trials. Nos primeiros protótipos, The Last Caretaker era basicamente um simulador de navegação com base nas leis da Física. Mas a Ilvessuo achou as mecânicas de navegação complexas demais para serem divertidas e intuitivas para jogadores, então optou por uma base móvel, movida a motores. "O motor funciona melhor, em termos de jogabilidade", disse ele.
Foi só um ano depois de estabelecer a base sistêmica de The Last Caretaker que a Channel37 começou a pensar no tipo de história que queria contar. O conceito de um robô cultivando e aumentando a população humana foi introduzido na metade do desenvolvimento.
"Eu lembro que estávamos na GDC dois anos e meio atrás. Falamos para as pessoas: 'Ainda não temos o pano de fundo.'", disse Ilvessuo. "Foi ousado dizer isso na época." Mas, depois que o conceito surgiu, ele definiu o resto do desenvolvimento. "Tudo se encaixou", afirmou Ilvessuo. "Tudo tem uma resposta e um motivo."

Jogar como um robô em um jogo de sobrevivência de cara dá a The Last Caretaker uma ênfase diferente dos outros jogos do gênero. A natureza artificial do robô significa que você não precisa comer nem dormir, mas precisa se recarregar de vez em quando, o que pode ser feito consumindo baterias ou literalmente se conectando a tomadas de recarga. Até mesmo salvar o jogo se encaixa muito bem na história desse mundo, com você criando uma cópia de backup de si mesmo caso o pior aconteça.
Despertando nas entranhas do Complexo Lázaro, o seu Caretaker segue para as docas, onde você encontra o barco que será o seu lar principal enquanto desbrava as ondas e correntes do oceano global. Como o também simulador de sobrevivência aquática Subnautica, a exploração é um componente de The Last Caretaker, com um mundo oceânico marcado por megaestruturas em ruínas deixadas para trás pela humanidade.
"Nosso mapa foi inteiramente projetado, não é gerado proceduralmente", disse Jack Pattillo, gerente de comunidade da Channel37. "Existem diversas áreas escondidas ao longo do jogo, e você vai achar lugares onde talvez humanos estivessem escondidos ou morando... Você pode encontrar robôs Caretakers, como Caretakers desativados que estavam tentando proteger as pessoas. São histórias desse tipo que você pode encontrar enquanto joga o jogo."

Além de revelar a história de The Last Caretaker aos poucos, a exploração também é crucial para você cumprir seu objetivo central. Cultivar humanos artificialmente não é lá tão simples assim, e você precisa cuidar dos biopods, que agem como o berço da humanidade, e que dependem de uma série de subsistemas. O cerne de The Last Caretaker é um sistema dinâmico de gerenciamento de recursos, no qual você precisa escolher a melhor maneira de alocar o que coletou para alcançar seus objetivos.
"Talvez eu possa usar esses recursos para criar máquinas que tornem minha vida um pouco mais automatizada, um pouco mais fácil. Ou posso usá-los para fazer armas... Posso criar coisas para me proteger", disse Pattillo. "Isso permite que você aborde o jogo da maneira que quiser e jogue no seu estilo."
Essa flexibilidade também se aplica a outros elementos de The Last Caretaker. A Terra inundada é habitada por criaturas tanto orgânicas como sintéticas, que podem atacar a sua base flutuante conforme ela se move pelo oceano. Para combater isso, você tem vários meios de se defender, incluindo lutar diretamente contra elas com armas, configurar sistemas de defesa automatizados e outras soluções mais incomuns.
"Alguns inimigos são atraídos pela luz e vão correr para cima de você se você deixar uma luz acesa. Já outros têm medo da luz e desaparecem, e há também inimigos que só aparecem à noite", explicou Pattillo.

Portanto, alguns inimigos podem ser repelidos simplesmente iluminando seu barco — mas isso traz seus próprios desafios. "A luz consome energia, então você precisa garantir que tem energia suficiente para manter todas as luzes acesas e o barco em movimento", ressalta Pattillo.
Energia, por sua vez, pode ser gerada de várias maneiras, incluindo o uso de biomaterial adquirido de inimigos para criar petróleo. Mas também é possível usar esse petróleo como combustível para lança-chamas ou como base para granadas explosivas, defendendo sua base de maneira mais direta. "Reforçando, tentamos deixar isso nas mãos dos jogadores", explicou Pattillo.
Quando os jogadores enfim conseguem cultivar humanos viáveis, eles podem transportá-los para seus lares extraplanetários lançando foguetes em órbita — mas não espere poder lançar foguetes assim que começar o jogo. "Vai levar muito tempo até ser possível começar a lançar humanos", disse Ilvessuo. Embora o lançamento de foguetes não exija que você domine mecânicas orbitais complexas no estilo Kerbal Space Program, ele envolve uma preparação considerável, como aprender a produzir substâncias como combustível de foguete e oxidante.
E, embora lançar sua primeira leva de humanos ao espaço seja seu objetivo principal, isso não necessariamente marca o fim da sua missão. "Quando você enviar os primeiros humanos para o espaço, uma coisa vai voltar para você. Não vamos contar o que é, mas vai mudar um pouco a sua atitude em relação à missão", disse Ilvessuo.

The Last Caretaker será lançado em acesso antecipado, mas Pattillo diz que os jogadores podem esperar uma experiência completa desde o início. "A versão do jogo em Acesso Antecipado é a versão completa, com começo, meio e fim", disse ele.
Mesmo assim, a Channel37 pretende expandir consideravelmente o jogo após o lançamento. "Nós temos grandes sonhos", concluiu Pattillo. "Quando eu entrei, a empresa me deu a 'Bíblia' daquele mundo, e eu levei dois ou três dias para ler até o fim. Ainda há anos de conteúdo futuro planejados. Eu sei onde a história acaba no acesso antecipado — mas também sei onde ela realmente termina."
The Last Caretaker foi lançado no dia 6 de novembro na Epic Games Store.