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Star Wars Outlaws em primeira mão: uma galáxia muito, muito distante da sociedade civilizada
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Francisco Dominguez
É só tirar os jedi e Star Wars realmente pode virar um velho oeste espacial, com toda a crueldade sem limites já esperada. Por que se preocupar com truques mentais, piruetas místicas ou sabres de luz com zunido de jedis quando um leve pretexto e um golpe inesperado bem colocado fazem o serviço? É essa a atitude de Kay Vess, e isso tem funcionado para ela muito bem até agora. Dependendo apenas da inteligência rápida e da igualmente rápida velocidade de tiro (e uma ajudinha do companheiro merqaal, Nix), ela vem construindo uma reputação para rivalizar o próprio Jabba em um antro de cantinas sujas, roubos perigosos e gângsteres nada confiáveis.
Simulador de canalhices
A demo começa com uma aterrissagem desastrada em Toshara, o primeiro de cinco planetas presentes no jogo, e me surpreenderia se ele não fosse o mais ventoso. As savanas e árvores extensas parecem prestes a serem arrancadas das raízes por ventanias devastadoras, enquanto as nuvens de poeira se preparam lá longe. Mas não é o clima a maior preocupação aqui.
Logo ao chegar, estou correndo de bandidos em uma perseguição de speeders, desviando de tiros e passando por cânions e motores destroçados de naves estelares para chegar à capital do planeta, Mirogana. Tudo isso para ter uma chance de surrupiar uns créditos para consertar a nave espacial quebrada da Kay.

A cidade oferece abrigo contra essas mentes poderosas, mas não segurança. Os pontos de controle de Stormtroopers estão por todo lado; sindicatos rivais de criminosos estão à espreita em cada esquina hedionda. Eles são uma fonte promissora de créditos que a Kay precisa, buscando levar vantagem do jeito que podem em cima uns dos outros na disputa de território galática deles.
Minha primeira "entrevista de emprego" — uma audiência concedida de forma ilícita com Gorak, o chefão do Sindicato Pyke — termina com Kay sendo chutada para fora da sala sem cerimônia. É uma introdução humilhante ao sistema de reputação do jogo. Ou seja: você ainda não tem uma reputação e precisa ganhar respeito antes de poder juntar créditos de verdade.
Nada intimidada por esses contratempos, Kay está pronta para o desafio. Depois de um desvio gastando tudo que eu podia jogando sabbac (a versão Star Wars do blackjack) e curtir as máquinas de arcade inesperadas da cidade (incluindo uma homenagem engraçada ao arcade de tiro de 1983 do Star Wars), senti que podia continuar.
No processo de ganhar a confiança dos criminosos em Toshara, fiquei feliz de descobrir que as missões oferecem muitas oportunidades de passar a perna. Meus cálculos do que mais me interessava eram constantemente testados; objetivos mudaram e tive que mudar com eles, o tempo inteiro satisfazendo meu então rancor trivial contra os Pykes.
Em dado momento, disse que sabotaria uma base dos Pyke para os Hutts, até que um confronto inesperado me convenceu a enganar meus empregadores e favorecer a Aurora Escarlate em vez disso. Fiquei contente enquanto Gorak se ferrava e eu ganhava o que era meu, e foi bem aí que entendi que o simulador de canalhices do jogo estava funcionando como pretendido.
Já com a confiança da Aurora Escarlate, assaltei as lojas deles para pegar partes de melhoria do blaster e consegui acessar os territórios deles sem problemas. Quando ninguém é bonzinho, não tem dilema demais em tirar vantagem da confiança de cada uma das facções.
O sistema de reputação se estende pelos territórios de gangues pelo mundo aberto incrivelmente organizado de Toshara (também repleto de vida selvagem, materiais de criação e bases atacáveis). A reputação que você está buscando decide se vão abrir fogo ou deixar você explorar tranquilamente; manter uma boa reputação com várias gangues promete deixar algumas missões bem fáceis, mas suspeito que há um custo se Kay tentar agradar muitos mestres, além de consequências se você incitar as outras facções demais.
Não quero saber as chances
Sempre em menor número, sempre em desvantagem; Kay vive em estado de alerta, e percebi que eu também deveria. Para ajudar a equilibrar as chances, abracei as mecânicas de furtividade do jogo para evitar tiroteios desnecessários, ao ponto em que tenho certeza de que 80% do meu tempo de jogo foi agachado e rastejando. Minha Kay com certeza não pula o dia de perna!
Níveis cheios de muros, caixas e barris que dão no peito poderiam por outro lado se tornarem cenários muito familiares de ficar pulando de cobertura em cobertura sempre que guardas viram as costas. Mas graças ao Nix, a mistura esperada de sentinelas de patrulha, câmeras de segurança e pontos estratégicos abundam de oportunidades maldosas. Por que jogar uma pedrinha para chamar a atenção dos guardas quando pode mandar seu merqaal chorão para fazer o mesmo? Fique de boa nas sombras, deixe Nix sabotar os alarmes e aproveite ao máximo uma mecânica de distração útil (e surpreendentemente fofa).

Quando tudo dá errado e um tiroteio começa, é aí que entramos no âmbito convencional de se proteger e atirar, com alguns adicionais como tiros melhorados para remover campos de força. Seu blaster pode superaquecer — uma desculpa das boas para trazer de volta o atalho de tempo de espera do QTE do Star Wars Battlefront II —, e já que os inimigos geralmente precisam de vários tiros diretos para tombarem, é preciso pensar antes de atirar. Ficar na surdina, se proteger e lidar com as multidões com granadas, bem como pegar armas poderosas largadas por inimigos me ajudou a sair da confusão,
mas claro, também explorei algumas vantagens do cenário muito bem colocadas. Por exemplo, adorei mandar Nix para preparar alguns explosivos para mim enquanto uma multidão de inimigos se aproximava (apesar de nem sempre eu acertar o momento certo de detonação).
Com os sabres de luz fora de questão (até agora; não descarto a possibilidade da Kay pegar um), sair na mão com tudo é uma opção. Apesar do tamanho, Nix é um companheiro de luta bem capaz; como uma miniatura peluda do Atreus de God of War ou a Ellie de The Last of Us, ele pula espontaneamente nas armas dos inimigos para atrapalhar, deixando assim uma abertura para o gancho de direita esmagador da Kay. Mas só não perca tempo socando droides. Acredite em mim, eu tentei, mas os punhos da Kay e os dentes do Nix não são páreos para os tiros na cabeça com o blaster quando o assunto é lidar com a carcaça de metal de um Droide Executor.
Ascensão da Trailblazer
A segunda parte da demo permite usar a nave Trailblazer (agora totalmente operacional) da Kay com tudo que ela tem enquanto me aproximo de Kijimi, um planeta ártico visto em A Ascensão Skywalker. Rodar com a Trailblazer pelos campos com detritos gélidos de asteroides, afastar assaltantes problemáticos e descobrir objetos recuperados muda o ritmo de forma interessante. Para quem não gosta tanto de exploração espacial, é possível ligar os propulsores e acelerar para ter uma abordagem planetária quando você quiser voltar ao solo.
Ao aterrissar, as construções monasteriais e nevadas da Cidade de Kijimi ofereceram um espetáculo e tanto. É um local menor com uma atmosfera invernal. Não consigo nomear um jogo de Star Wars com uma fase de neve ruim, então, com sorte, vai ter mais coisas para fazer lá assim que a missão da Kay para se alistar como arrombadora de cofres for concluída. Não avancei o bastante para descobrir, pois acabou meu tempo depois de passar um bom período brincando de forma cruel com os guardas.
Sai do jogo querendo mais das emoções astutas de Outlaws, principalmente quando não pude experienciar de novo um dos maiores prazeres que Star Wars tem a oferecer: derrubar um Stormtrooper ou uma TIE Fighter. Seria realmente uma tentação daquelas convencer qualquer patife a resistir derrubar a bucha de canhão mais famosa do Império quando a oportunidade aparecer.
Crie uma reputação pela galáxia em Star Wars Outlaws, disponível em 30 de agosto na Epic Games Store.