
Super Fantasy Kingdom, um jogo de construção de cidades, é a sua próxima obsessão à la Vampire Survivors

Antes de fazer Super Fantasy Kingdom, Feryaz Beer trabalhou em softwares para hotéis. Sua ferramenta chata, porém útil, permitia que os proprietários aceitassem reservas por meio de seus próprios sites. "Foi muito motivante ver aquilo crescer", diz Beer. "Eu sempre adorei criar sistemas complexos a partir de elementos simples. E acho que também é bastante visível no jogo".
Com certeza é. Super Fantasy Kingdom é um roguelike de construção de cidades (publicado pela editora mais inovadora no gênero de estratégia, a Hooded Horse) no qual você reconstrói seu reino arruinado e se defende de hordas de monstros que avançam contra os seus portões toda noite. Começando com uma pequena fortaleza pixelada e uma porção de estradas para casas e cemitérios, o seu domínio expande sempre para fora, alcançando minas nas quais você irá adquirir as pedras para construir muralhas resistentes e moinhos nos quais você fará a comida que manterá seus lutadores em forma.
Um foco inicial na coleta de recursos dá lugar ao gerenciamento nada fácil de uma cadeia de produção, e logo, logo você estará decidindo se vai guardar ouro para comprar melhorias de combate ou chegar às florestas para conseguir madeira suficiente para um fluxo constante de catapultas. "The Settlers e Stronghold foram muito importantes durante a minha infância", diz Beer. "Eu sempre gostei mais do começo nesses dois jogos, quando você ainda passa sufoco e está pensando no melhor jeito de construir sua cidade".
É por isso que Super Fantasy Kingdom é um roguelike. À medida que suas defesas sucumbem às hordas noturnas, você joga desde o início de novo, e de novo. "Mas sempre de uma posição diferente conforme você libera coisas novas", diz Beer. "Então você tem que continuar aprendendo e melhorando ao longo do jogo todo".
Em parte, esse fracasso embutido é inspirado nos bloqueadores de progresso com os quais Beer se deparou em jogos de gerenciamento mais recentes, como Cities: Skylines. "Expandir sua cidade e otimizar o tráfego simultaneamente é bem motivador", diz ele. "Mas, ainda assim, eu jogo e me aperfeiçoo até encontrar um problema que não consigo mais resolver, aí eu paro de jogar".

Em um roguelike, por outro lado, planejar uma saída quando encurralado é uma parte necessária e incentivada da experiência. "Você pode dominar jogos como Super Fantasy Kingdom porque você pode tentar, fracassar e aprender com o processo muito mais rápido, além de desbloquear coisas que lhe darão uma vantagem em partidas futuras".
Explorando as terras em volta do seu castelo e ganhando glória nas batalhas, você ganhará acesso a novas ferramentas estratégicas. Quanto mais você sobrevive, mais coisinhas você terá para brincar na sua próxima partida. "Você precisa construir estradas para descobrir o mundo, conhecer novos personagens e liberar novos sistemas do jogo", diz Beer. "O jogo fica mais complexo, mas sempre no seu próprio tempo. É um dos principais pontos que motivam".
Há um mistério que se revela ao longo de várias partidas também: uma recompensa secundária pela persistência. "A história é muito pessoal", declara Beer. "Você vê o mundo pelos olhos do líder, mas os verdadeiros protagonistas são os personagens que você encontra no mundo. Eles podem te ajudar, mas também têm seus próprios problemas, relacionamentos e talvez até segredos. Tudo isso é contado em pequenos diálogos espalhados pelas suas partidas".

Se você está detectando os traços sulfúricos de Hades, você pode estar no caminho certo. A obra-prima da Supergiant foi um ponto de referência crucial para Super Fantasy Kingdom, além do roguelike Loop Hero. As ondas de inimigos que enchiam a tela, por sua vez, foram inspiradas por They Are Billions e Dwarf Fortress, e não Vampire Survivors, surpreendentemente.
"Curiosamente, ele saiu apenas alguns meses após eu começar o desenvolvimento", diz Beer. "Eu só o joguei recentemente. Então, foi mais uma confirmação que essa direção podia ter potencial fora da base de fãs de estratégia mais dedicados".
Você recrutará mais de 100 unidades diferentes em Super Fantasy Kingdom, descobrindo combinações poderosas, como dinossauros na linha de frente e gênios que lançam feitiços atrás. "Mas, ao mesmo tempo, não é um jogo sobre builds malucas", diz Beer. "Prefiro compará-lo a um jogo de cartas, no qual você tem o seu baralho, e tenta adicionar diferentes cartas para ver o funciona em sinergia".

Ao desenvolver um jogo de estratégia no qual a morte é inevitável, há um ponto ideal no qual o jogador aprende com cada derrota, mas não se sente incapaz. "Precisa ser difícil o bastante para que suas escolhas importem, mas jamais deve ser injusto", diz Beer. "Tentamos fazer o jogo muito fácil, mas aí cada elemento perdeu o significado. Quando uma ferramenta pode resolver muitos problemas, todos as outras ferramentas se tornam irrelevantes".
Beer parece ter encontrado o equilíbrio certo. A demo de Super Fantasy Kingdom já ficou incrivelmente popular antes do lançamento completo do jogo ainda este ano. O apoio público deu ao Beer uma confiança a mais no projeto ao qual se lançou quando a pandemia de COVID interrompeu o turismo.
"A incerteza nunca desaparece e você sempre precisa de um novo feedback novamente", diz ele. "Mas com tempo e tanta confirmação, você aprende a confiar nas suas capacidades".
Saber que tantos jogadores aguardam por seu jogo de estreia com entusiasmo incentivou Beer a continuar seguindo em frente. "Sei que cada segundo que eu gasto melhorando o jogo agora pode afetar horas de jogo mais tarde", diz ele. "Frequentemente, imagino alguém ficando feliz com aquela coisinha que alterei. Isso é muito motivador".
Você já pode adicionar Super Fantasy Kingdom à sua Lista de Desejos na Epic Games Store.